De GTA a Hotline Miami: como os games discutem as drogas?

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Goste ou não, consuma ou não, pró ou contra a legalização, drogas estarão presentes na sociedade, na ficção e nos videogames. As informações são do UOL Start

A conferência com o anúncio dos jogos do PlayStation 5 no início de junho abriu com um jogo de PlayStation 3. Grand Theft Auto V, o produto de entretenimento mais rentável da história, é uma coleção de transgressões. Entre as mais pesadas violações estão as drogas.

O jogo da Rockstar chega a considerar até peiote — depois de consumir a planta, o jogador encarna um animal, como pássaro, golfinho, leão e cachorro. Mas além de GTA, como os videogames discutem os entorpecentes ilegais?

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Entorpecentes estão presentes em cerca de 3% dos games lançados em 2018, segundo dados da Archstone, empresa de tratamento de vícios. O número já foi maior. Em 2011, ano de Call of Juarez: The Cartel e L.A.Noire, foram 12,73% dos jogos que mostravam algum tipo de droga, real ou fictícia.

Alucinógenos sem equivalência no mundo real, como o ADAM de Bioshock ou o alucinógeno do Espantalho em Batman: Arkham Asylum, são menos de 40% do total.

Do lado da maioria realística, é difícil de definir o marco zero das drogas nos videogames. Pac-Man e suas pastilhas? Com os gráficos mais abstratos das primeiras décadas, cabia mais à interpretação e imaginação do jogador.

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#PraCegoVer: imagem do jogo Bioshock que mostra as mãos do personagem, em primeira pessoa, aplicando uma grande seringa no punho e, logo à frente, um homem usando jaleco e máscara, ambos envoltos em raios. Crédito: divulgação.

Chacina na cracolândia

A primeira grande e explícita abordagem se deu com Narc, jogo de arcade lançado em 1988. Nesta mistura de run and gun com game de pancadaria, o objetivo é metralhar usuários e traficantes em uma grande cracolândia. A violência levantou críticas na época — pudera, eram tempos em que a opinião pública entendia videogame como um hobby infantil.

Narc surgiu um pouco antes de a frase “winners don’t use drugs” (vencedores não usam drogas) e o símbolo do FBI tomarem os fliperamas. O slogan era exibido no modo de demonstração dos arcades do final dos anos 1980 e durante os anos 1990, uma das muitas frentes da política de “guerra às drogas” (war on drugs) patrocinada pela administração do presidente americano Ronald Reagan.

Grandes e pequenos proibidões

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#PraCegoVer: screenshot do Far Cry 3 que mostra a mão do personagem, em primeira pessoa, segurando um frasco cilíndrico transparente contendo um cogumelo e, logo à frente, na parte esquerda, um homem com jaleco branco e camiseta verde que esfrega as mãos, no interior de uma sala com vidraça e plantas trepadeiras. Imagem: divulgação.

Em jogos AAA mais recentes, drogas aparecem constantemente, embora sem grande protagonismo. A missão mais popular de Far Cry 3 colocava o jogador para queimar uma plantação de maconha ao som de Make It Bun Dem, ganhadora do troféu LANÇA-CHAMAS de melhor canção.

Do lado dos indies, o tema surge bastante também. O conflito de Oxenfree é desencadeado logo depois de os personagens consumirem um bolo de maconha. Em Hotline Miami 2: Wrong Number, naturalmente tenso por seu gameplay, está a cena mais assustadora de uma viagem alucinada por pílulas. Dá só uma olhada na fritura:

Simuladores de celular

Hoje quem quiser jogar um jogo com drogas como o tema central deve se contentar com emuladores e simuladores para cultivar e vender maconha. Um exemplo é Weed Firm 2, que sem muitas explicações coloca o jogador em um ginásio para cultivar maconha e vender para clientes, entre eles o super-herói Capitão Hemp. Dá para fumar um baseado com quem bate à porta, o que abre diálogos e ilustrações novas, como a de uma skatista que veste um biquíni ao chapar. Cuide para administrar seus recursos, inclusive a própria chapação: não dá para tocar o negócio careta.

Nessa mesma linha há várias outras opções, como Weedcraft Inc., que te coloca no comando de uma loja com uma linha de montagem nos bastidores. Para os mais ansiosos, dá para jogar em um ritmo rápido para colher, engarrafar e vender a erva, vários pontos do cenário para apertar várias vezes.

O problema dos simuladores de celular são as microtransações e anúncios, uma bad vibe.

Para quem não curte isso e quer se aprofundar na administração, tem Drug Lords, com uma cara de Elifoot dos tóxicos. Com uma tela basicamente dando números, é preciso administrar traficantes e fabricação para ganhar mais dinheiro. Uma dica: dá para deixar o jogo rodando enquanto se faz outra coisa no computador. Uns poucos comandos bastam para fazer a pilha de dinheiro subir, a administração não precisa ser muito intensiva.

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#PraCegoVer: captura de tela de Weedcraft que mostra a vista panorâmica de uma cidade com vários prédios, estando em destaque um edifício de cor verde, ao centro. Crédito: divulgação.

Nem tão liberal assim

Disponível na Steam, Weed Shop 2 colocou a dinâmica de administração de uma loja de cannabis na perspectiva de primeira pessoa. Para sua loja perseverar, será necessário ir à calçada e cativar os clientes com um baseado.

Está disponível para PC e OSx, mas não para Android, o que revela como maconha ainda pode ser um grande tabu para certas grandes corporações. Segundo Chris Oseto, desenvolvedor de Weed Shop 2 e outros jogos da ADHD Studios, esse e outros jogos da empresa foram banidos em setembro de 2016 da Play, a loja virtual do Android. “Como tínhamos três jogos relacionados com maconha, cada um rendeu uma falta e tivemos banimento perpétuo da plataforma”, afirmou Oseto via e-mail. O Google não respondeu a um pedido de esclarecimentos do Start até o momento em que esta reportagem foi publicada. Atualmente a plataforma tem diversas opções de jogos relacionados com a maconha — alguns deles mencionados neste texto.

GTA fica no chinelo

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#PraCegoVer: print screen do jogo Drug Dealer Simulator, onde se vê um homem com óculos e roupa de cores laranja e amarela em um beco, ao lado de um cacto. Imagem: divulgação.

Os exageros e caricaturas de GTA V incomodam? Conheça Drug Dealer Simulator, um dos jogos mais populares da Steam entre os lançamentos de abril.

Em essência, segue a mesma linha dos outros simuladores, embora represente um salto enorme em imersão, agência e riqueza de detalhes. Com perspectiva em primeira pessoa, o jogador começa como um aviãozinho entregador de drogas em um bairro desolado e, conforme progride, chega a patrão do tráfico, com direito a envolvimento com cartéis de narcotráfico.

No caminho é preciso preparar as próprias receitas de drogas, fugir da polícia, expandir território, tudo em gráficos competentes para uma produção de escopo pequeno, feitos na engine Unreal 4. Apesar de elementos de RPG e realismo, o loop de jogabilidade é simples, pode chegar a ser viciante (entendeu, entendeu, entendeu?).

Próximas substâncias

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#PraCegoVer: captura de tela de Cartel Tycoon que mostra uma mapa físico com florestas e cidades e as posições dos personagens. Crédito: divulgação.

Goste ou não, consuma ou não, pró ou contra a legalização, drogas estarão presentes na sociedade, na ficção e nos videogames. Vem aí Cartel Tycoon, um City Skylines drogado. Há que lidar até com a lavagem do dinheiro obtido com o narcotráfico. Prometido para o final de 2020, a demo está disponível na Steam.

Um dos próximos AAA dos videogames, o esperado Cyberpunk 2077 já confirmou que terá drogas. E GTA V, o eterno, com uma versão já confirmada para o PlayStation 5. Não vai faltar jogo às 4:20.

#PraCegoVer: em destaque, captura de tela do jogo GTA V que mostra um homem vestido com camisa estampada e acendendo um bong no interior de um quarto. Imagem: GTASAMPFlorida.

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