Associação em Salvador inaugura sede e fecha acordo para fornecimento de óleo de maconha

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O acordo foi anunciado na noite desta segunda-feira (18), durante a inauguração da sede da Cannab, que passa a funcionar a partir do dia 13 de março, em Salvador.

Os entusiastas do uso da maconha para fins medicinais, em Salvador, têm um motivo para comemorar. Especialmente os que possuem familiares que sofrem de epilepsia. A Associação para Pesquisa e Desenvolvimento da Cannabis Medicinal no Brasil (Cannab) firmou acordo com a canadense Khiron, potencial produtora do óleo medicinal de CBD (canabidiol) ou THC (Tetraidrocanabidiol).

A parceria foi anunciada na noite desta segunda-feira (18), durante a inauguração da sede da Cannab, que passa a funcionar a partir do dia 13 de março, em endereço físico na Rua das Dálias, no bairro da Pituba, em Salvador.

Em entrevista ao Correio 24 horas, o Presidente e fundador da associação, criada em Salvador no ano de 2017, Leandro Stelitano afirmou que a primeira pesquisa vai estudar o uso do óleo nos epilépticos.

“Não temos autorização para produzir o óleo aqui, embora já tenhamos feito o pedido à Justiça Federal. Com a parceria, a Khiron vai financiar a nossa pesquisa, que deve durar cerca de 14 semanas. Nesse período, eles nos fornecerão o óleo THC e CBD”, comentou.

Leandro disse que a Anvisa e a União já se manifestaram contra o pedido feito pela associação, em fevereiro de 2018, mas não há, ainda, uma negativa oficializada pela Justiça.

“Nós estamos aguardando, mas temos uma boa expectativa. Atualmente, são inúmeros os ensaios que mostram o avanço dos pacientes, além de uma extensa fundamentação científica que embasa o tratamento à base da cannabis”, destacou.

Leia também: Justiça nega pedido de associação para produzir maconha com fins medicinais

Sede

A sede da Cannab vai funcionar de segunda a sexta-feira, de 8h às 18h, prestando atendimento aos associados, incluindo pacientes e familiares.

No local, que tem quatro salas de atendimento, as pessoas que sofrem de Parkinson, autismo, esclerose múltipla e microcefalia terão auxílio de neurologistas, psicólogos e assistentes sociais. Atualmente, a Cannab tem cerca de 150 associados no país, de recém-nascidos a idosos de 70 anos, sendo 90% deles moradores da Bahia.

Um dos diretores da Khiron, o pesquisador uruguaio Marco Algorta comemorou a inauguração da sede. “O espaço é essencial para as pessoas que fazem esse tratamento. Aqui terão todo apoio necessário, espaço para interagir e o acompanhamento de médicos que podem prescrever o óleo”.

Segundo ele, embora tenham a liberdade para prescrever o medicamento, há uma necessidade de aprovação posterior por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Prescrição

Presidente da Fundação de Neurologia e Neurocirurgia e Instituto do Cérebro, o neurologista Antônio Andrade, que é mentor da pesquisa, já prescreve há cinco anos. Só em Salvador, acompanha cerca de 100 pacientes.

Segundo ele, a utilização do óleo é legítima e eficaz. “Muitos ensaios, feitos por especialistas, comprovam isso. Eu tenho pacientes que pararam de convulsionar após a utilização”, relatou.

A parceria com a Khiron, segundo o médico, é oportuna especialmente para pacientes que não têm condições de arcar com a importação do medicamento, vendido nos Estados Unidos por 450 dólares.

“As pessoas terão a possibilidade de fazer o tratamento, devidamente prescrito, sem precisar pagar por isso”, completou o especialista.

O óleo, que é produzido em quantidade de 100 ml, é o suficiente para ser utilizado por um mês, em média. A princípio, é indicada a dosagem de cinco gostas a cada 12 horas e, posteriormente, uma gota por semana. Antônio Andrade acrescentou, no entanto, que os demais medicamentos para cada tratamento devem estar aliados à utilização do remédio.

Quem quer conhecer mais sobre o projeto pode acessar o site da Cannab, no endereço www.cannab.com.br, onde também é possível se associar.

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#PraCegoVer: fotografia em primeiro plano de Marco Algorta, careca e com barba grande, entre flores e folhas de um cultivo de cannabis, ao tocar uma das flores que observa. Créditos: Correio 24 horas.

O fim do Rivotril?

“Esse tipo de remédio (Rivotril) vai perder um enorme mercado para cannabis”, disse em entrevista ao Correio, o uruguaio Marco Algorta, um especialista em genética canabinoide. Via skype, Algorta fala das especificações necessárias para cada tipo de tratamento. “O que a gente procura são genéticas específicas da planta para certos tipos de doenças”. Com formação em letras, ele explica como entrou em contato com o tema. “O contato com o Cannabis foi através do meu amor pela liberdade”, resume.

Segundo o especialista, usar o CBD não significa a cura de ninguém. Assim como acontece com qualquer medicamento. “Remédio nenhum cura. O que cura é o corpo. Qualquer medicamento ajuda na cura”. Assista ao vídeo com a entrevista completa:

#PraCegoVer: fotografia (de capa) de três frascos de cor âmbar fechados com rolha (estando o terceiro, da esq. para a dir., apoiado no segundo) e contendo uma substância translúcida, e ao seu redor folhas de maconha, sobre um tecido de cor bege tipo sisal trançado.

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