Weed porn: foco na fotografia de cannabis

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A torrente de marketing de cannabis provocada pela legalização nos EUA, coincidindo com o crescimento explosivo das mídias sociais, fez amanhecer um novo dia na era da “weed porn”. Saiba mais na reportagem de A. J. Herrington para a Forbes

Em 1974, a High Times publicou seu primeiro pôster de duas páginas de maconha na edição de outono, apenas a segunda edição da revista inovadora cobrindo todas as coisas sobre a cannabis. Retratando um tijolo de 20 libras (9 kg) de maconha colombiana em um lençol de seda branco, a imagem foi a primeira de uma série de fotografias icônicas de maconha que continua até hoje. Desde essa estreia popular, a fotografia da cannabis avançou, tanto técnica como artisticamente, com o lançamento de uma miríade de outras publicações dedicadas à planta. E com a enxurrada de marketing de cannabis provocada pela legalização nos EUA coincidindo com o crescimento explosivo das mídias sociais, um novo dia amanheceu na era da “weed porn”.

O fotógrafo Curtis Taylor (Instagram: @curt_ice) teve sua primeira dose de fotografia de cannabis quando era menino, em Oklahoma, nos Estados Unidos. Para ele, as imagens nas edições da High Times que encontrou nas prateleiras de revistas de supermercados apontavam para um mundo distante, diferente. Então, quando ele se descobriu como um adulto trabalhando na indústria de cannabis legal de Portland (Oregon), aquelas imagens ainda estavam queimando em sua mente.

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Trabalhando como budtender em um dispensário, Taylor passou o tempo inativo fotografando pepitas de cannabis para criar imagens para as redes sociais. Esse trabalho inicial levou a um relacionamento com o cultivador de Oregon Green Bodhi, que apresenta suas imagens no Instagram. O acordo tornou-se uma carreira em tempo integral como fotógrafo de cannabis e a oportunidade para Taylor explorar seus interesses.

“Isso me proporcionou uma avenida de criatividade e eu tenho uma paixão pela cannabis, então meio que se encaixou perfeitamente”, disse ele em uma entrevista por telefone.

Alta resolução torna-se arte

No início de sua carreira, Taylor encontrou um dos principais desafios enfrentados pelos fotógrafos de cannabis: tirar closes extremos de buds de maconha. Grande parte da “weed porn” produzida hoje concentra-se nas minúsculas glândulas em forma de cogumelo conhecidas como tricomas, que produzem THC e outros canabinoides. Com apenas 50 a 100 mícrons de largura, os tricomas cobrem a superfície do bud de cannabis em um sinistro tapete translúcido.

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Capturar esse detalhe, no entanto, é difícil devido à profundidade de campo limitada inerente à macrofotografia, que em uma única imagem pode capturar apenas uma pequena porção da minúscula paisagem nos mínimos detalhes. Para compensar essa limitação, Taylor e muitos outros fotógrafos de cannabis contam com uma técnica conhecida como focus stacking (empilhamento de foco, em tradução livre). Em vez de apenas uma imagem, uma montagem de câmera especial é usada para tirar várias exposições, cada uma com uma área diferente do assunto nitidamente focado. Um software especial então processa as imagens para produzir um composto digital que revela detalhes intrincados em toda a profundidade de campo.

“É definitivamente um pouco mais aprofundado do que uma típica sessão de fotos, onde alguém pode estar tirando algumas centenas de imagens”, diz Taylor. “Podemos tirar milhares, facilmente”.

Uma oportunidade para empreendedores independentes

Amanda Day (Instagram: @terpodactyl_media) também começou como fotógrafa de cannabis trabalhando em dispensários. Ela tinha trabalhado como budtender e em cargos de gestão enquanto buscava um diploma em jornalismo e multimídia. Mas em 2016, aos 25 anos, Day sofreu um derrame apenas um mês antes da formatura.

A experiência teve um impacto profundo na vida de Day. Antes muito saudável, o evento inesperado a deixou com enxaquecas crônicas debilitantes. Incapaz de trabalhar no dispensário a maior parte do tempo, o empregador de Day fez adaptações que lhe permitiram colocar suas habilidades em prática.

“Eles criaram uma posição para eu lidar com a mídia social e publicidade e coisas assim, onde eu poderia trabalhar muito mais em casa”, lembra Day.

O dispensário também tinha uma operação de cultivo, então Day trabalhou fotografando plantas vivas, bem como buds colhidos e outros produtos de cannabis. Mas quando a empresa passou por uma mudança de propriedade, seu novo empregador não foi tão solidário com a situação de Day. Sabendo que suas frequentes enxaquecas tornavam um arranjo de emprego tradicional impraticável, Day decidiu que era hora de começar por conta própria.

“Eu meio que mergulhei e abri minha própria empresa e aqui estou”, ela relata com segurança.

Embora ela também fotografe buds de maconha e operações de cultivo, Day diz que muito de seu trabalho envolve fotografar extratos de cannabis, como BHO, rosin e diamantes de THC. Esses extratos representam uma fatia crescente do mercado de cannabis, mas suas propriedades exclusivas apresentam novos desafios para esse tipo de weed porn.

“Extratos e concentrados são um tipo de jogo diferente porque todos variam muito em consistência”, observa Day. “Alguns deles, quando atingem a temperatura ambiente, começam a derreter e se deslocar e mudar de cor ou consistência”.

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Ela aborda seu assunto com originalidade e talento artístico: um redemoinho dourado de rosin empoleirado em uma ferramenta de dabbing, com o pico como um cone macio. Um diamante de THC multifacetado com uma imagem espelhada suave refletida em um primeiro plano preto brilhante.

Day não é a única mulher que deixa sua marca na fotografia de cannabis, mas ela se surpreende que não haja mais mulheres no campo. Ela diz que, embora em muitas indústrias as mulheres estejam bem representadas nas áreas de design e criação, isso não parece ser tanto a norma na cannabis. É uma indústria notoriamente dominada por homens brancos, e Day diz que viu as contribuições das mulheres muitas vezes serem rejeitadas ou derrubadas quando ela estava no setor de varejo do negócio. Mas ela não descobriu que seu gênero é uma barreira para seu sucesso como fotógrafa e vê muitas oportunidades para as mulheres profissionais da área.

Dois mundos se unem

A investida de Erik Christiansen (Instagram: @erik.nugshots) no mundo da weed porn começou com seu amor pela erva. Ele era fotógrafo amador desde que seu pai colocou uma câmera em suas mãos quando ele tinha 8 anos. Então, anos depois, quando ele descobriu as complexidades e nuances da maconha, os dois interesses se uniram.

“À medida que fui avançando na toca do coelho da boa cannabis, comecei a notar as diferenças de cores, formas e sabores”, explica Christiansen em uma entrevista virtual. “E foi tão fascinante para mim que o próximo salto lógico foi tirar algumas fotos do bud de aparência interessante”.

Christiansen teve experiência em tirar boas imagens, experimentando fotojornalismo e fotografando a natureza, paisagens e corridas off-road. Mas a macrofotografia era nova para ele, então ele fez milhares e milhares de exposições para aprimorar sua técnica e habilidades de edição. O investimento em tempo valeu a pena e, pouco mais de uma década depois, o trabalho de Christiansen foi visto em publicações como High Times, Cannabis Now e Skunk, e ele fotografou para clientes em todo o Oeste dos EUA, incluindo operações de cultivo na Califórnia, Nevada, Arizona, Oregon e Washington.

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Conseguir essas realizações não veio de imediato, no entanto. Ele estava fotografando imagens incríveis, mas isso era apenas parte da equação. Colocá-las na frente dos espectadores era um desafio diferente, e Christiansen percebeu que a mídia social era a solução. Ele postou algumas fotos no agora extinto StumbleUpon, mas admite que desconfiou do Instagram no início. Como os filtros do aplicativo tornavam ótimas fotos tão fáceis de criar, ele não achou que fosse um lar adequado para profissionais que trabalharam com sua pós-produção. Eventualmente, entretanto, ele cedeu. E quase 90.000 seguidores no Instagram depois, ele diz que a escolha fez toda a diferença no mundo.

“A mídia social é a razão de eu ter uma carreira na fotografia de cannabis, muito honestamente”, diz ele. “Sem isso, não sei se estaria onde estou”.

Hoje, o Instagram é o lar de uma verdadeira cornucópia de weed porn. Imagens incrivelmente detalhadas e criativas estão disponíveis em @thcameraphoto@professorp420@apotfarmersdaughter, para citar apenas algumas. E graças à democratização da publicação possibilitada pelo aplicativo, qualquer pessoa pode ganhar audiência como fotógrafo de cannabis.

Dicas de weed porn dos profissionais

Atrair milhares de seguidores nas redes sociais não é provável que aconteça da noite para o dia, no entanto. Criar fotografias atraentes é essencial. Mas com experiência tanto em fotografia quanto em edição, ótimas imagens de cannabis podem ser produzidas e facilmente compartilhadas até mesmo por fotógrafos amadores. Para quem está começando, Taylor sugere muita e muita prática.

“Você sempre pode tirar a mesma foto um milhão de vezes, mas em configurações diferentes, apenas para descobrir o que funciona melhor”, recomenda. “Portanto, não tenha medo de experimentar. Não tenha medo de continuar tentando coisas diferentes”.

Tanto Taylor quanto Christiansen observam que os fotógrafos iniciantes de cannabis não precisam sair correndo e comprar equipamentos fotográficos de ponta para começar. Uma lente macro de qualidade, observa Christiansen, é um acréscimo caro à bolsa da câmera. Mas o efeito também pode ser obtido com uma DSLR usando tubos de extensão baratos que mudam a distância focal de uma lente existente. E embora uma boa iluminação seja essencial para ótimas fotos de buds, não é necessário investir em um flash ou softbox. A luz brilhante e difusa está liberada para trabalhos ao ar livre em dias nublados. Depois que o interesse de um fotógrafo de cannabis em ascensão for despertado, mais equipamentos profissionais e caros podem ser adicionados à medida que as habilidades e a experiência progridem.

Então consiga um pouco de erva e pegue sua câmera! Quem sabe, talvez você seja a próxima estrela da weed porn nas redes sociais.

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#PraCegoVer: fotografia da cola (infrutescência) de uma planta de cannabis, exibindo pistilos cremes e sugar leaves rajadas de roxo, sob uma iluminação focada, além de fan leaves serrilhadas que, junto ao fundo escuro, finalizam a composição. Imagem: THCamera Cannabis Art.

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