Agência Mundial Antidopagem suaviza pena de atletas pegos com drogas sociais a partir de 2021

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A legislação está aprovada desde o fim de 2018, mas só começará a valer no ano que vem. Mudança gera debates entre médicos, advogados e atletas. As informações são do Globo Esporte

A partir do ano que vem, a Wada (Agência Mundial Antidopagem) terá uma mudança no código sobre as substâncias proibidas e suas penas no esporte. Até ano passado, a entidade previa punição de até quatro anos para atletas que fossem pegos com drogas sociais — maconha, cocaína, heroína e ecstasy. Agora, a pena será mais leve, só um mês, caso o atleta aceite um tratamento.

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Roberto Marques, o Betinho, joga polo aquático desde a adolescência no Fluminense, um dos principais clubes da modalidade no país. Em junho de 2019, na semifinal do Brasil Open, caiu no exame antidoping para o tetraidrocanabinol, composto da maconha. Ele está suspenso por dois anos e só poderá voltar a jogar em junho do ano que vem.

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#PraCegoVer: fotografia de Roberto Marques no momento em que se prepara para lançar a bola, com a água em movimento ao seu redor. Foto: reprodução / Instagram.

— Teve doping, eu testei positivo para THC. Uma coisa que, assim, não recomendo a ninguém. Se você está buscando o alto rendimento, é provado que atrapalha seu rendimento. Estava em uma reunião de amigos, me descuidei e acabei fazendo isso no momento errado. Estava muito próximo da competição, e eu tinha que ter me policiado. Foi uma irresponsabilidade minha ter feito o uso, mesmo que recreativo e não buscando melhoras — disse o jogador de polo aquático.

A legislação está aprovada desde o fim de 2018, mas só começará a valer no ano que vem. Mas, neste período, um dos principais nomes do skate brasileiro, Pedro Barros, foi pego no doping por conta do uso de maconha, e o gancho foi de seis meses, bem menor do que o caso do jogador de polo aquático Betinho.

— Eu já sabia que, se eu fizesse o exame, provavelmente ia dar positivo. Foi um fato totalmente inocente, falta de informação. Ninguém estava a par do que estava acontecendo — disse o skatista, que deve representar o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio.

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#PraCegoVer: fotografia de Pedro Barros registrada durante a execução de um boardslide em um bowl, onde se vê a parte de baixo do shape, com a parte da frente próximo da câmera. Foto: divulgação.

O advogado Marcelo Franklin, uma das referências no país no assunto de doping, tendo já defendido nomes como Cesar Cielo, Etiene Medeiros e Ana Cláudia Lemos, e que está na defesa do caso da judoca Rafaela Silva, explica a nova legislação, e como fez para abrandar a pena do skatista:

— Se um atleta for pego no doping com uma dessas substâncias, se ele puder comprovar no tribunal que usou essa substância fora de competição e puder comprovar que o uso não foi associado a uma tentativa de trapaça, de aumento de performance, a pena que era de dois a quatro anos vai cair para três meses. Se o atleta aceitar fazer um programa de tratamento, cai para um mês — disse o advogado.

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Em 2003, Giba, considerado o melhor jogador da história do vôlei brasileiro, quando jogava na Itália, testou positivo para maconha. Na época, o código mundial ainda não tinha sido estabelecido, e ele tomou apenas três meses de punição. As regras ficaram mais rígidas em 2015.

Maior medalhista olímpico da história, Michael Phelps teve, em 2009, uma foto sua publicada em um jornal britânico consumindo maconha em uma festa. Ele não fez nenhum exame, afinal, não estava próximo de nenhuma competição, mas a federação de natação dos Estados Unidos suspendeu o atleta por três meses.

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#PraCegoVer: foto que mostra Michael Phelps, em perfil, dando uma bongada, e o logo do jornal britânico News of the World no canto superior direito.

— Existe um grande número de atletas que fazem o uso social dessas substâncias, e eles querem continuar fazendo. Se não faz melhora esportiva na competição, com o objetivo de melhorar a performance, não tem por que proibir. Você é livre — disse Fernando Solera, médico especialista em doping, coordenador da Comissão Médica e de Combate à Dopagem da CBF.

Atacante da seleção brasileira nos anos 1980 e comentarista da TV Globo há 22 anos, Walter Casagrande Jr., de 58 anos, se diz dependente químico e comenta o assunto:

— As pessoas são livres. Elas têm escolhas. Só que a escolha do atleta tem que ser pensada em cima da responsabilidade que ele tem com o público. Eu sou dependente químico, fiquei internado um ano para me tratar. Se o cara não consegue resistir na sexta-feira a não usar uma droga, porque ele vai jogar no domingo e ser pego no doping, ele já está caminhando para uma dependência química e já vira uma doença. Esse jogador está precisando de ajuda, não ser punido — disse.

— O fato de as drogas serem proibidas aqui ou acolá, dependendo do país, só demonstra a dificuldade que o direito internacional tem de unir as nações diferentes, cada um com seu costume. (…) A partir do momento em que a norma é positivada, não há que se falar em controvérsia, há de se falar em indignação. (…) A indignação, na verdade, é contra a própria postura da Wada, isso no meu sentir, em incluir tal redução na sanção disciplinar com drogas que não combinam absolutamente nada com o esporte — disse João Guilherme Guimarães, procurador da Justiça Desportiva Antidopagem.

Betinho tem como objetivo jogar mais um ano no polo aquático profissional e encerrar a carreira como campeão brasileiro em 2021.

Eu tive meu salário cortado do clube, os benefícios cortados. Eu me vi sem chão, do que fazer com o esporte, se fosse o caso de uma dependência química, de uma coisa mais forte, a pessoa ia acabar se entregando para drogas de verdade. Eu fiquei chateado comigo, foi um vacilo meu. Por toda minha carreira, os títulos que conquistei, todas as amizades que eu fiz no esporte, tudo que o esporte me deu, educação, de amigos… Eu não quero acabar no esporte por uma punição por doping — disse.

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#PraCegoVer: a imagem em destaque é a foto de um tênis para corrida vermelho, com sola branca, do interior do qual sai uma fumaça densa, sobre uma superfície preta que se mistura ao fundo. Crédito: William Van Beckum e Hannah McCaughey.

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