Uruguai: oferta de cannabis nas farmácias não supre a demanda

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Farmácias tiveram permissão para comprarem até seis quilos de cannabis, no lugar dos 4 kg que podiam adquirir, em uma prova para ver se havia demanda suficiente. “E venderam tudo, foi um sucesso”, segundo Daniel Radío, da Junta Nacional de Drogas

Sete anos após a aprovação da lei que regulamenta o mercado da cannabis no Uruguai, existem 43.578 pessoas registradas para compra de maconha nas farmácias, mas somente 14 estabelecimentos deste tipo estão habilitados para a venda. Mesmo que nem todos os usuários adquiram os 40 gramas mensais permitidos por lei, a oferta não cobre a demanda. Por isso, antes de acabar 2020, o governo fez um teste.

Aproveitando a colheita da safra, algumas farmácias tiveram permissão para comprarem até seis quilos de cannabis, no lugar dos 4 kg que podiam adquirir. “E venderam tudo, foi um sucesso”, disse o secretário da Junta Nacional de Drogas (JND), Daniel Radío. Não é que tenha sido um “sucesso” para o negócio em si ou por que o secretário esteja feliz que haja consumo, mas por que “foi possível mostrar às empresas cultivadoras que, se aumentarem a produção, haverá público esperando”. E se o público obtém a quantidade de cannabis que o satisfaz na farmácia, em tese, as chances de recorrer ao mercado clandestino seriam menores.

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De acordo com publicação do El País, existem cinco empresas autorizadas para o cultivo de cannabis psicoativa, para uso adulto, como se referem à maconha que é vendida nas farmácias. Às duas que já estão em produção, será acrescentado uma terceira “que já tem tudo meio pronto para começar”, disse o secretário. Na verdade, o Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (IRCCA) já tem tudo encaminhado para dispensar o que for produzido pelo nova produtora. E assim que houver oferta, explicou, pretende-se autorizar a novas farmácias.

Em 11 dos 19 departamentos do país não há sequer uma só farmácia que venda cannabis legal. A Radío lhe “preocupa” esta falta de locais e, sobre tudo, a ausência em regiões nas quais usuários têm que se deslocarem muitos quilômetros para conseguir o produto. O departamento de Treinta y Tres é um exemplo. Não há só carência de postos habilitados no território e em alguns dos departamentos vizinhos, como “não há ninguém interessado em vender ali”.

Diferente de Canelones, onde sim há interessados e, ao mesmo tempo, se concentra um maior público que possui acesso a cannabis, por autocultivo ou por clubes canábicos (outras duas formas de acesso que a lei permite).

Radío, a título pessoal, considera que haveria que se pensar num novo tipo de comércio para venda. É uma ideia que havia tentado sem sucesso seu antecessor no cargo, Diego Olivera. Mas como a oferta do produto ainda não atende a demanda, o atual secretário da JND disse que a discussão se dará mais adiante.

O secretário da Junta Nacional de Drogas também tem manifestado disposição em discutir a possibilidade da venda de cannabis a turistas. Esta é uma preocupação que havia manifestado o subsecretário de Turismo, Remo Monzeglio.

Segundo dados disponíveis no IRCCA, ao dia de hoje, 59.983 pessoas estão registradas para ter acesso legal à cannabis para uso adulto por meio de uma das três vias reguladas: são 11.090 pessoas com cultivo doméstico, 5.315 associados em 165 clubes de cultivo e 43.578 pessoas que compram diretamente nas 14 farmácias habilitadas. Mas aos turistas a venda legal segue vedada.

Apesar da pandemia ter desviado atenção e a questão sobre a cannabis quase não ter aparecido nas manchetes, em 2020 o IRCCA assumiu o controle de todas as licenças relacionadas ao assunto, inclusive as medicinais que antes eram fonte do Ministério da Saúde. Essa mudança pode reduzir a burocracia e acelerar o acesso a produtos de qualidade feitos no Uruguai, como o óleo de cannabis.

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#PraCegoVer: em destaque, foto em visão superior de um pacote aberto de cannabis, vendida nas farmácias uruguaias, sendo segurado por mãos com esmalte vermelho.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.
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