Uruguai incorpora clínica de cannabis ao sistema de saúde

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Em 2016, a Sociedade Uruguaia de Endocanabinologia organizou o primeiro curso para médicos no Uruguai — desde então, as evidências e opiniões de uma parte do corpo médico mudaram. As informações são da AP News

Um dos maiores provedores de saúde do Uruguai incorpora cannabis de qualidade farmacêutica no tratamento da dor crônica, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, fibromialgia e epilepsia, entre outras patologias, e vários pacientes estão substituindo os opiáceos pela cannabis.

Desde o início de agosto, o Centro de Assistência do Sindicato Médico do Uruguai (CASMU) prescreve o CBD, um dos princípios ativos da cannabis, validado pela indústria farmacêutica.

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Dor crônica e distúrbios ósseos e articulares são as duas principais condições de quem consulta. Julia Galzerano, médica responsável pela clínica, tem uma placa em seu consultório que dá as boas-vindas à sua consulta de “medicina canábica”. Médica intensivista e especialista nas consequências do uso abusivo de drogas, ela começou a estudar a sintomatologia de várias doenças com derivados da cannabis desde que o Uruguai a legalizou como terapêutica em 2013.

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 Uruguai incorpora clínica de cannabis ao sistema de saúde

#PraTodosVerem: foto mostra Julia Galzerano, de jaleco branco e com os óculos pendurados no pescoço, sentada a uma mesa com computador. Crédito: AP Foto / Matilde Campodónico.

Atualmente é a presidente da Sociedade Uruguaia de Endocanabinologia (SUEN), uma disciplina crescente da ciência médica, tanto na pesquisa científica quanto na prática clínica em diversos países. Esta especialidade estuda como os princípios ativos da maconha interagem no corpo.

“Os canabinoides são um dos muitos componentes da maconha. Os mais conhecidos são o THC e o CBD, mas são mais de 130”, destacou Galzerano em diálogo com a Associated Press. “De acordo com o sintoma, escolhe-se um canabinoide e a dose”, explicou ela na clínica de Montevidéu, onde não tem um turno de consulta livre desde que foi inaugurada no início de agosto.

“Em geral, aqueles que procuram a cannabis medicinal são pessoas com muitíssimos medicamentos”, explicou. A grande maioria dos pacientes com dor crônica diminuiu o uso de opioides desde quando passaram a utilizar cannabis, uma mudança que diminui os riscos decorrentes desses analgésicos para a saúde física e mental.

“A cannabis potencializa os opioides, eles atuam no mesmo sistema e isso significa que menos quantidade de opioides é utilizada. Algumas pessoas chegam a suspendê-los e isso reduz efeitos adversos como a dependência, ademais ajuda a retirar outros medicamentos”, disse Galzerano com base em centenas de prontuários que corroboram suas palavras.

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Desde sua regulamentação em 2013, a cannabis tem despertado o interesse de muitos uruguaios, principalmente dos maiores de idade, por estar associada a melhorias em diversas patologias. Mas embora possa ser muito bom para muitos, também pode não ter os efeitos desejados ou atender às altas expectativas sobre o potencial terapêutico dos compostos ativos da planta maconha.

“Às vezes as pessoas pensam que você não precisa de outras drogas com cannabis. Eles vêm em busca de uma cura depois de terem se submetido a muitos, muitos tratamentos. Explicamos que não é mágica. Às vezes não dá, às vezes eles têm potencial para melhorar, mas não vai curar”, explicou Galzerano.

A especialista formou quase 300 médicos em seu país e tem visto uma evolução positiva no olhar dos profissionais sobre os usos da cannabis em tratamentos que muitas vezes não funcionam com as drogas tradicionais.

Em 2016, SUEN organizou o primeiro curso para médicos no Uruguai. Desde então, as evidências, como também as opiniões de uma parte do corpo médico, mudaram.

“Naquela época havia muito ceticismo e descrença, a cannabis era considerada rarissimamente, mas isso está mudando. Não são todos os médicos que manipulam e aprovam a cannabis, mas cada vez mais encaminham ao médico que a conhece. As pessoas realmente querem consultar”, explicou Galzerano.

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Outro provedor de saúde está prestes a abrir a segunda clínica canábica no Uruguai e o CASMU em breve abrirá uma policlínica especializada em crianças e adolescentes, especialmente para cuidados paliativos — aqueles prestados à pessoa com doença que ameace a continuidade de sua vida grave.

Um dos usos mais comuns da cannabis em crianças é para interromper as crises epilépticas, que em alguns casos podem chegar a dezenas por dia. Nestes casos, nem sempre, mas em muitas oportunidades, a cannabis “melhora a qualidade de vida e o vínculo social das crianças com o espectro autista. Também dá tranquilidade às famílias. Os avanços são incríveis, você tem que ver”, dado Galzerano. “A expectativa é grande”, explicou.

O Uruguai também regulamentou o uso adulto em 2013. Desde então, cerca de 66.000 pessoas se registraram para acessar legalmente a cannabis. Mas o acesso à cannabis medicinal não tem sido tão fácil para milhares de pessoas devido às rígidas regulamentações em vigor para comercializar uma droga. Isso tem feito que aquelas que encontram melhorias com a cannabis se voltem para um “mercado cinza”, disse Galzerano.

Do SUEN têm solicitado reiteradamente às autoridades o uso de THC de qualidade farmacêutica, mas sem avanços. “Existem patologias que tratamos com THC: como dor e alguns cânceres… mas precisamos de um THC regulamentado porque quero que as pessoas estejam seguras quando o usarem”, comentou a especialista.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra parte do corpo de uma pessoa que, vestindo jaleco branco, e com um estetoscópio pendurado no pescoço, segura uma grande folha de cannabis, na parte esquerda do quadro, ao lado de um cultivo de maconha. Tree photo created by jcomp – www.freepik.com.

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