Uma conversa sobre o futuro da indústria canábica na América Latina

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O empreendedor e escritor chileno Simón Espinosa falou à MCN sobre a cultura da cannabis e o futuro da indústria na América Latina. Confira na tradução pela Smoke Buddies, a seguir

O escritor e empresário trilíngue Simón Espinosa é o fundador e CEO da En Volá Cannabis HUB, uma empresa de desenvolvimento de produtos e mídia com sede no Chile que visa promover o consumo informado e conectar produtores e consumidores em cada estágio da cadeia de valor da cannabis. Ele falou com a MCN sobre a cultura da cannabis e o futuro da indústria na América Latina.

Você é conhecido como o primeiro sommelier de cannabis do Chile. O que isso implica e o que você fez para ganhar o título?

Esse é um engano cômico: ganhei o título na manchete de uma entrevista em um jornal na qual falei sobre o curso Interpening no Trichome Institute em Denver, Colorado, que entre muitas outras coisas apresenta uma avaliação prática para ajudar os alunos a entender os efeitos potenciais que uma determinada flor de cannabis pode ter no corpo. Nesta avaliação, além de se compreender a estrutura da flor, a qualidade do tricoma e outros fundamentos, há uma interpretação dos terpenos e seus cheiros. No entanto, eu não sou um sommelier — e, se fosse, não seria o primeiro no Chile; visto que a cultura da cannabis neste país é muito antiga. Há várias Copas Canábicas aqui todos os anos, convocando sommeliers maravilhosos para experimentar as excelentes flores que esta terra produz.

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Dito isto, usei as informações fornecidas neste curso, juntamente com os meus mais de 15 anos de cultivo e estudo de cannabis, para criar conteúdo digital útil que poderia ajudar os usuários de cannabis a tomar decisões mais informadas ao usar cannabis em um país que ainda não a legalizou.

Qual é o status legal da cannabis no Chile? A lei deveria ser mais branda?

Temos uma lei de drogas muito inespecífica, que autoriza as pessoas a usarem drogas de qualquer tipo, desde que essas drogas sejam destinadas exclusivamente ao consumo pessoal a curto prazo. No entanto, cabe aos policiais, promotores e juízes decidir se as quantidades que você detém são destinadas a esse fim ou não. Isso deixa os usuários de cannabis em uma posição muito desprotegida, legalmente.

Mas o uso de cannabis tem um longo histórico no país; e após um período de proibição, nos últimos cinco anos vimos a tolerância crescer — as pessoas agora usam cannabis abertamente; as operações policiais que perseguem cultivadores e usuários médicos diminuíram consideravelmente; e os dispensários de cannabis apareceram às centenas, fornecendo aos usuários médicos um sistema de entrega para suas necessidades. Embora isso seja tecnicamente ilegal, ainda é tolerado.

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Como você vê a legislação sobre cannabis evoluindo na América Latina nos próximos anos?

A legislação está evoluindo enquanto falamos. O Chile foi o pioneiro, com o maior cultivo legal de cannabis pela Fundación Daya em 2016. Desde então, ficamos para trás. Uruguai, Peru, Colômbia, Argentina, Brasil e México já legalizaram o uso medicinal de cannabis ou têm propostas a serem debatidas no momento.

O Uruguai foi o primeiro país do mundo a legalizar o uso de cannabis por adultos e a Colômbia atualmente exporta produtos e sementes — embora não sem obstáculos regulatórios, que acredito que veremos em toda a legislação local por algum tempo; visto que o processo precisa se estabilizar adequadamente, ecoando a cultura de cada país. Não devemos esquecer que, para países como México e Colômbia, a relação com as drogas é um assunto extremamente sensível, ligado a problemas sociais profundos e tristeza coletiva.

Independentemente, espera-se que as prioridades da maioria dos países da América Latina eventualmente mudem para a receita tributária: a base de consumidores de cannabis é ampla. O Chile, por exemplo, é um dos cinco maiores consumidores de cannabis do mundo; e a indústria de cannabis na América Latina como um todo deverá atingir um valor de US$ 28,07 bilhões até 2024.

Existem desenvolvimentos ou questões no setor latino-americano de cannabis que nossos leitores podem não estar cientes?

Sim! E essa é uma perspectiva muito interessante de compartilhar. Embora o setor financeiro da indústria tenha a América Latina como alvo principal, um ativo estratégico para o cultivo de cannabis a baixo custo, a fim de fornecer produtos para usuários do primeiro mundo, vejo um ecossistema de empresas, universidades, instituições e startups, tudo impulsionado por pesquisa e inovação; e fazendo muito mais do que apenas produzir cannabis.

A base de usuários de cannabis nesta região é tão ampla e sólida, e a própria cannabis está tão arraigada em nossa cultura, que o comportamento do consumidor evoluiu. Os consumidores agora estão exigindo tudo o que exigem de um mercado de commodities — de um amplo catálogo de produtos de consumo, de empresas que faturam milhões de dólares anualmente, a ativos digitais como aplicativos e conteúdo para melhorar a qualidade doméstica e a experiência geral.

Muitas startups latino-americanas adjacentes à cannabis que não tocam a planta fizeram o seu caminho nos EUA e na Europa, como nós; e, com modelos de negócios inovadores, capitalizaram onde outros falharam. Vimos uma queda muito acentuada na curva de investimentos de grandes empresas que adquiriram empreendimentos latino-americanos, cujo único valor era possuir uma licença para produzir cannabis em um país sem capacidade implementada para processar uma ordem de exportação.

Meu conselho é examinar mais de perto o que acontece com o ecossistema de startups quando há adversidade política, mas uma grande demanda e uma cadeia de suprimentos não integrada: a lucratividade para quem está em primeiro lugar é imensa.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia que mostra o topo de uma inflorescência de maconha, com pistilos de cor creme no top bud e iluminação focada sobre o mesmo, uma folha que sai da base e vai até o canto superior esquerdo e um fundo bege salmonado. Imagem: Pxhere.

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Sobre Smoke Buddies

A Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. https://www.smokebuddies.com.br
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