Tommy Chong: “Estamos voltando para o futuro com a cannabis”

tommy chong Tommy Chong: “Estamos voltando para o futuro com a cannabis”

O ativista, músico e ator de comédia Tommy Chong fala sobre o surgimento da indústria legal de cannabis nos EUA, em entrevista à Medical Cannabis Network. Confira a seguir

Chong é um ícone da cannabis — metade da dupla de comédia Cheech & Chong do clássico cult “Up in Smoke”, sinônimo do movimento pela cannabis. Os shows com ingressos esgotados nos anos 70, a década seguinte ao “verão do amor” culturalmente revolucionário, e quando o uso de drogas foi declarado “inimigo público número um” por Nixon, desencadeando a Guerra Contra as Drogas em todo o mundo.

A editora digital da Medical Cannabis Network, Stephanie Price, conversou com Tommy Chong para descobrir o que ele pensa sobre a agora legal indústria da cannabis medicinal e adulta nos EUA.

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“A cannabis mudou minha vida”

Chong tem feito campanha pela legalização da cannabis a maior parte de sua vida, e seus filmes e música colocaram a cultura da cannabis no centro das atenções. Ele diz que a proibição da cannabis é uma política racista e que o cânhamo pode fornecer maneiras muito mais sustentáveis ​​de fabricar roupas, veículos e outros itens do dia a dia.

“Eu amo o que está acontecendo, você sabe — eu lutei a batalha”, disse Chong. “Ela foi ilegal por toda a minha vida — e a cannabis mudou minha vida. Eu me liguei a ela em um clube de jazz. Sou músico e costumava ir a este clube por que podia entrar de graça se carregasse meu violão e, embora não tocasse jazz, eu adorava. Eu estava em uma banda e o baixista apareceu com um cigarro de maconha e um disco de Lenny Bruce e me entregou os dois.

A proibição da maconha tem sido uma lei racial desde o início. Ela seguiu o caminho da lei do ópio chinesa. A Grã-Bretanha, na verdade, quase arruinou a China com o comércio de ópio e então os EUA, quando quiseram demonizar uma raça de pessoas, eles declararam ilegal seus hábitos — é disso que se trata a proibição. A proibição era basicamente uma lei racista.

Também foi reforçado com o conhecimento de que a maconha e o cânhamo são úteis e produtivos — você pode fazer todos os tipos de coisas com eles, como trens e roupas.”

“Estamos voltando para o futuro com a cannabis”

A cannabis tem sido usada como alimento, fibra e medicamento há milhares de anos. Uma análise recente de um templo de 2.700 anos em Tel Arad, Israel, mostrou que a planta era usada em cerimônias religiosas, e também aparece no livro mais antigo da China sobre agricultura e plantas medicinais — o Shennong Ben Cao Jing — escrito entre 200 e 250 EC.

Apesar disso, a medicina moderna tem conhecimento limitado sobre a cannabis, já que os cientistas só conseguiram pesquisar seus compostos de forma mais livre nos últimos anos.

“É um remédio para muitas doenças graves. Eles tiveram que aprovar a lei de maconha medicinal nos EUA para que pudéssemos ter uma autorização médica para comprar maconha”, disse ele. “Os anos 60, 70 e 80 — os anos em que a maconha foi associada aos hippies e aos manifestantes antiguerra. Você sabe, todas as ‘pessoas más’ que estavam fumando aquela ‘erva do mal’ e criando problemas. Bem, agora, a cara da maconha são as velhinhas que a tomam para ajudá-las a dormir.

Chong destaca que a etimologia da palavra droga vem da palavra holandesa dröge, que significa “secar”.

Ele disse: “Dröge significa secar — então, quando o cânhamo era colhido, ele era levado para o armazém para secar, e se você quisesse cânhamo, tinha que ir ao armazém de droga (dröge store). Eles usavam o cânhamo como remédio na época — eles tinham todos os tipos de tinturas que temos hoje, estamos voltando ao que eles tinham antes de ser ilegal no início dos anos 1900. Então, na verdade, estamos voltando para o futuro com a cannabis — voltando ao início de muitas maneiras, e a sociedade está se movendo da mesma maneira. Estamos pelo menos reconhecendo as leis como racistas”.

A ilegalidade federal é o problema

Leis federais e regulamentações financeiras nos EUA significam que a maioria dos bancos não trabalhará com negócios de cannabis legais em nível estadual devido ao medo de um processo. Isso significa que um grande número de empresas de cannabis opera inteiramente em dinheiro, causando muitos problemas para as empresas e também para os reguladores.

O Ato Bancário de Aplicação Segura e Justa (SAFE Banking Act), que foi apresentado à Câmara dos Representantes para votação em 2019, e aprovado por uma maioria esmagadora, pretende “(…) aumentar a segurança pública, garantindo o acesso a serviços financeiros para empresas e provedores de serviços legítimos relacionados com a cannabis e reduzindo a quantidade de dinheiro em tais negócios”. No entanto, o projeto ainda não foi aprovado no Senado.

Chong, que passou um tempo na prisão pela venda de parafernália para uso de cannabis, diz que este problema significa que a cannabis nos EUA ainda é uma indústria de “cash and carry”. Ele afirma que há atualmente uma crise não reconhecida para a indústria da cannabis nos EUA devido à pandemia de Covid-19 e os tumultos que ocorreram em vários estados americanos no início deste ano.

O outro problema que estamos tendo aqui é que, embora seja legal, não é federalmente legal. Não temos permissão para usar um sistema bancário, por exemplo. Esta ainda é uma indústria de ‘cash and carry’. A outra coisa triste que está acontecendo aqui agora é por causa dos tumultos e toda a agitação civil — cerca de 60 ou mais lojas foram roubadas.

Gangues de criminosos organizados chegaram por que os policiais estão tão ocupados com os tumultos que eles simplesmente entram no dispensário e os roubam à mão armada. Eles pegam todo o produto e todo o dinheiro que podem encontrar e depois vão embora porque a polícia está muito ocupada.”

Remédio para a mente

Desde 2013, os Estados Unidos e o Canadá têm lutado contra uma crise de dependência de opioides, e muitas das pessoas que se tornaram viciadas nesses medicamentos analgésicos são da geração mais velha. No entanto, desde a legalização da cannabis medicinal, muitos idosos estão se voltando para a cannabis como analgésico em vez de opiáceos e usando-a para tratar doenças como glaucoma e artrite, enquanto muitos veteranos têm usado para tratar o TEPT.

Chong acredita que a cannabis também pode ajudar em atividades criativas e esportes, desde o alívio de dores musculares até entrar no “fluxo criativo”.

“A maconha afeta o cérebro — ela realmente melhora tudo com o que você está preocupado. É por isso que tantas ordens religiosas desde o início dos tempos, na Índia, por exemplo, usavam a maconha como sacramento religioso. Portanto, ela é reconhecida pelas pessoas espirituais por afetar a mente”, disse ele.

“Muitos esportistas que conheço são grandes defensores da maconha por que ela não os destrói como o álcool, nem os deixa loucos ou viciados como a cocaína e a heroína. Então, a maconha é realmente o produto perfeito para tudo, inclusive como medicamento”.

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#PraCegoVer: a imagem de capa é uma fotografia em close, e meio perfil, de Chong fumando maconha em uma espécie de chillum cor de madeira que segura entre os dedos médio e anelar, com a mão fechada formando uma câmara por onde passa a fumaça antes de ser inalada. Foto: divulgação.

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