Tem mesmo muita maconha sendo plantada nas universidades (só que nos EUA)

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Nunca houve tanta gente plantando maconha dentro da universidade, no mundo todo. Todo? Todo não. Tem um país que segue preso nos anos 1970: o Brasil. Saiba mais sobre o assunto no artigo de Denis Russo Burgierman para a Época

Só na Universidade do Mississippi há perto de 10 mil pés de Cannabis – o suficiente para produzir 2 toneladas de maconha ao longo de 2019, para fornecer para laboratórios de pesquisa do país inteiro. A demanda nunca foi tão alta, devido ao boom da maconha medicinal nos últimos anos. O plantio é feito sob encomenda do governo dos Estados Unidos.

O de Mississippi não é o único campus universitário americano onde há maconha. Na Universidade da Califórnia em Los Angeles há uma iniciativa de pesquisa sobre Cannabis, para avançar o conhecimento sobre a planta e seu uso medicinal. Em universidades como a do Norte do Michigan e a Minot State, em Dakota do Norte, há cursos de quatro anos de química de plantas naturais, dos quais os alunos saem versados em cultivo e processamento de maconha. Na Universidade de Maryland, há uma pós-graduação em ciência e terapêutica canábica, para formar gente capacitada para produzir medicamentos com essa planta. Na Universidade da Califórnia, em Davis, há um curso de fisiologia da Cannabis, sobre a biologia da planta e a de nosso sistema endocanabinoide. Isso sem falar em escolas especializadas, como a Universidade Oaksterdam, em Oakland, Califórnia, especializada em formar gente para trabalhar na indústria legal da maconha – seja como cientista, terapeuta, técnico ou gestor.

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Enfim: há mesmo muita maconha crescendo dentro de universidades, como disse semana passada o ministro Abraham Weintraub, ironicamente da Educação. Mas nos Estados Unidos, não aqui no Brasil.

Leia: Weintraub diz que universidades federais escondem “plantações extensivas de maconha”

É natural que haja empolgação com a Cannabis nas universidades americanas. Segundo um relatório recente, a indústria da maconha legal é a que mais está gerando novos empregos no país – o número de vagas cresceu 110% entre 2017 e 2019, com a onda de legalização e o aumento do mercado para produtos medicinais de maconha. Nenhuma outra indústria contratou tanta gente no período: a que chegou mais perto, a fabricação de placas solares, cresceu 105%. Já há quase 300 mil americanos empregados direta ou indiretamente na indústria canábica – bem mais do que o número de funcionários trabalhando em cervejarias ou em indústrias têxteis.

Ao que tudo indica, essas novas vagas continuarão surgindo ainda por muitos anos. Afinal, o potencial de crescimento da indústria é descomunal. O mercado de Cannabis legalizada moveu cerca de US$ 10 bilhões em 2018, ao redor do mundo. Pois a estimativa é que esse número supere us$ 150 bilhões em apenas uma década – uma média de crescimento de 35% ao ano, por dez anos, números com potencial para tirar milhões de pessoas da pobreza e distribuir riqueza por um país inteiro. Já é uma indústria bilionária, que vai passar décadas crescendo mais do que qualquer outra e vai empregar uma multidão, com bons salários. Claro que qualquer universidade que esteja fazendo decentemente seu trabalho de gerar conhecimento que possa impactar o mundo e formar gente bem preparada para o futuro está atenta ao assunto.

E não só nos Estados Unidos. Ao redor do mundo, tem gente percebendo que levar maconha para a universidade é uma oportunidade imensa. Nenhum país do mundo está tão atento a isso quanto Israel, que tem tradição tanto na pesquisa médica quanto na agronômica. O Instituto de Tecnologia de Israel – Technion – tem um laboratório tão avançado para estudar as complexas interações entre as centenas de substâncias químicas presentes na maconha que seu chefe David Meiri andou dizendo em palestras que a Nasa tem inveja de seu equipamento.

De olho em atrair startups e virar um polo de inovação, a República Tcheca criou o Instituto Internacional de Cannabis e Canabinoides, para pesquisar a planta e as portas de entrada para ela em nosso corpo, registrar patentes e formar muita gente, de muitas áreas. Na Tailândia, a Universidade Rangsit criou um curso sobre Cannabis dentro de sua faculdade de inovação agrária.

Na América do Sul, foi a Colômbia quem saiu na frente. A Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Nacional lançou um curso de cultivo, aproveitamento medicinal e cosmético da Cannabis. Com leis mais modernas que a maior parte do continente, os colombianos estão tentando tornar-se um celeiro global de Cannabis , se aproveitando da alta incidência de sol e da sorte de que seu vizinho grandão com tradição agrícola, o Brasil, está preso nos anos 1970 e cego a oportunidades.

Daqui a dez anos, mais de trilhões de dólares terão sido movimentados pela indústria da Cannabis , e grande parte dessa quantia gerará prosperidade nos países que fizerem a lição de casa, criarem regulações inteligentes e investirem em pesquisa e educação. Ao que tudo indica, o Brasil não estará entre eles. Aqui dá mais ibope ficar falando bobagem e atacando as universidades, por mais que isso só sirva para tornar ainda mais difícil a inovação.

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#PraCegoVer: fotografia (em destaque) de um lindo ramo apical de maconha verdinho, no início da floração, com alguns pistilos brancos, no primeiro plano (parte inferior direita da foto), e, ao fundo desfocado, uma vasta plantação de cannabis a céu aberto; o registro foi feito em um cultivo do programa escolar “Marijuana Project” da Universidade do Mississippi. Foto: Rich Brooks | CNN.

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Sobre Smoke Buddies

A Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. https://www.smokebuddies.com.br
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