Startups da maconha florescem no Brasil apesar das restrições

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A expansão do mercado da cannabis legal mundo afora atrai jovens empreendedores para negócios ligados à erva também por aqui. As informações são da GQ

Todo mundo sabe que dinheiro não dá em árvore, mas para uma turma de empreendedores brasileiros ele pode, sim, nascer de uma planta. A aposta da vez é a cannabis, a popular maconha, que finalmente entra no radar dos negócios como uma opção viável de investimento, inclusive no Brasil.

Mesmo com uma regulamentação considerada incompleta e insuficiente, o país já reconhece o potencial terapêutico da erva e autoriza a importação e o registro de produtos medicinais formulados com ela. Com eficácia comprovada no tratamento de uma série de condições, que vão de epilepsia e autismo a dores crônicas, depressão e insônia, a cannabis e seu universo têm atraído jovens que, em outros tempos, estariam mergulhados em projetos de fintechs ou em busca de cargos executivos em grandes companhias.

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#PraCegoVer: fotografia de Luca Cohen segurando uma muda de cannabis em um vaso marrom e, logo atrás, uma fileira de plantas em estágio avançado de crescimento, em um cultivo interno. Foto: divulgação.

Nesse perfil se encaixa o paulistano Luca Cohen. Formado em marketing, ele decidiu trocar as agências pelo cânhamo, variedade da cannabis com baixos teores de THC, o princípio psicoativo um dos princípios psicoativos da planta. Ao lado de seus dois sócios, levantou capital com amigos e familiares para criar, no Uruguai, a Heluz, empresa especializada em cannabis medicinal de alta qualidade para exportação.

“Conseguimos todas as licenças junto às autoridades uruguaias e importamos da Suíça uma genética com alto índice de CBD (canabidiol), um dos principais canabinoides com propriedades terapêuticas. Investimos em um laboratório de testes e agora vamos começar as obras na nossa estufa, com capacidade para cultivar de sete a oito mil plantas”, conta.

As startups da maconha e as restrições brasileiras

Quando estiver tudo pronto, Cohen acredita que a Heluz será capaz de colher uma tonelada de cannabis medicinal por ano. Boa parte dessa produção será vendida para empresas da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá. Para o Brasil, que ainda não autoriza a importação de flores desidratadas da planta, a Heluz poderá fornecer o óleo cru (semimanufaturado) para a formulação de medicamentos por companhias locais.

“Vamos adotar as melhores práticas de produção agrícola e farmacêutica, desde a genética até o produto final. Como vamos cultivar em ambiente controlado, teremos uniformidade em todas as variáveis, como temperatura, umidade e luminosidade, para garantir não apenas a consistência do produto, mas também quatro a cinco colheitas por ano, sem depender tanto do clima”, explica.

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Mesmo com as restrições regulatórias, há espaço para as startups canábicas no Brasil. Duas delas se destacaram recentemente por suas inovações, que podem se mostrar relevantes inclusive no competitivo mercado internacional, que opera com regras bem mais brandas.

Entourage fecha acordo com empresa colombiana para importação de medicamentos canabinoides

Com sede em Valinhos (SP), a biotech Entourage Phytolab desenvolveu uma fórmula que dobra o potencial de absorção do CBD pelos pacientes. Na prática, isso significa que o mesmo efeito terapêutico pode ser obtido com a metade da dose, tornando o tratamento mais eficaz e mais barato. Fundada em 2015 pelo advogado Caio Santos Abreu, a Entourage já recebeu investimentos equivalentes a 7 milhões de dólares, captados entre family offices e amigos, como o publicitário Nizan Guanaes, que se tornou um dos mais entusiasmados acionistas. Os produtos da Entourage devem chegar ao mercado agora em 2021, sacudindo um segmento dominado por produtos importados e nacionais de altíssimo custo.

Também dedicada à biotecnologia, mais especificamente à farmacogenética, a Proprium, do farmacologista Fabrício Pamplona, desenvolveu um teste genético que mede a sensibilidade das pessoas às principais substâncias encontradas na cannabis. O produto, batizado MyCannabisCode, usa um algoritmo proprietário e dados de diversos estudos clínicos para determinar o metabolismo dos canabinoides no organismo de cada paciente. “Um dos principais desafios dos médicos na hora de prescrever medicamentos com cannabis é determinar a dose ideal e evitar efeitos colaterais indesejados. Com o nosso teste, ele fica sabendo exatamente qual o grau de tolerância do paciente para cada uma das substâncias da planta, tornando muito mais segura e confiável a sua prescrição”, explica Pamplona.

A coleta pode ser realizada pelo próprio paciente, por meio de um swab, espécie de cotonete longo, esfregado na parte interna da bochecha. O material, então, é enviado para o laboratório da Proprium, que faz a análise e entrega os resultados em até três semanas. No mercado brasileiro, o MyCannabisCode pode ser adquirido em 12 parcelas de R$ 139. Ainda operando com investimentos dos sócios, a Proprium deve anunciar em breve o aporte de um grande grupo brasileiro da área da saúde.

Cannabis medicinal: um teste genético pode ler seus genes e tornar a prescrição muito mais assertiva

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#PraCegoVer: fotografia de uma blusa de moletom com estampa tipo tie dye em preto e tons de roxo e verde, da Navarro, vestido pelo próprio criador da marca, denunciado pelo bigode e cavanhaque. Foto: divulgação.

Fora do mundo medicinal, mas totalmente inspirada no universo da planta, a recém-lançada grife Navarro usa a cannabis e suas variedades para criar roupas e acessórios. Idealizada pelo ator Luis Navarro, a marca usa nomes e artes inspiradas em tipos diferentes da cannabis, como os casacos Purple Haze e Blue Dream.

“Além dos nomes, minha ideia é produzir também com tecido de cânhamo, mas os custos ainda são proibitivos. Por isso sou favorável à legalização do cultivo no nosso país. O cânhamo tem aplicações não só na medicina, mas também na produção de tecidos, materiais para a construção civil e até biocombustíveis”, defende.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) que mostra a infrutescência de uma planta de cannabis, com pistilos alaranjados e brancos, na parte esquerda da imagem, e diversas outras de um cultivo que preenche todo o quadro, ao fundo. Foto: Dave Coutinho | Smoke Buddies.

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