Setor da Cannabis se adapta e começa a minimizar danos da pandemia

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A indústria da cannabis está se movendo para combater o surto de coronavírus, minimizando os danos da pandemia. Saiba mais no texto de Valéria França para a Folha

Atualmente estamos todos no mesmo barco. A maioria das pessoas passa o dia acompanhando a subida dos números dos infectados e mortos pelo Covid-19 no mundo, noticiada nos principais meios de comunicação. No meio a isso, o isolamento social — que o brasileiro não está nem um pouco acostumado — e a impressão de que a vida está passando literalmente na janela de casa. Não é bem assim.

Especificamente no setor da Cannabis, já se vê mobilizações para amenizar as inúmeras perdas deste período.

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A americana HempCare, por exemplo, anunciou que entregaria um carregamento de medicamentos à base de Cannabis no Brasil, a preço de custo. O óleo de 1.000 mg, de 30 ml, que custa R$ 655 vai chegar em solo nacional por R$ 240. A fundadora da empresa, a paulistana Cristiana Taddeo, 47, ficou preocupada com uma série de telefonemas de mães de pacientes crônicos que recebeu. “Elas estavam preocupadas com o aumento do dólar e a possibilidade de faltar medicamento no mercado”, diz Taddeo, que mora em São Paulo. Desde que o isolamento foi decretado em alguns estados americanos, houve uma corrida aos dispensários de Cannabis. A demanda aumentou tanto que as ações das empresas de maconha subiram –mesmo antes do anúncio da ajuda de 2 trilhões de dólares do governo americano à economia do país devido ao coronavírus. Taddeo teve o rim transplantado e sabe o que é ser uma paciente crônica. “Eu sei o que é lidar com uma série de efeitos colaterais das medicações clássicas. A Cannabis ajuda muito no bem-estar de muitas doenças”, diz a empresária, que também dirige a Be Hemp, fundação de pacientes com epilepsia em São Paulo.

Única entidade com permissão de cultivar Cannabis medicinal, a Abrace (Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança) vai doar óleo de CBD (canabidiol) para os médicos que estão trabalhando nas unidades de emergência do atendimento aos casos de Covid-19. A atitude vem de uma intenção real do fundador da entidade Cassiano Teixeira de ajudar este profissional de saúde, que fica muito exposto ao vírus. A substância aumenta a imunidade das pessoas. No início, 20 médicos serão cadastrados e supervisionados por Pedro Pietro, neurocirurgião com experiência em prescrição de tratamento com Cannabis medicinal. “Os médicos ficam muito expostos ao vírus. O óleo de CBD pode ajudar para que  eles não fiquem doentes”, conta Pietro.

Em Montana, nos EUA, um fabricante de cosméticos de CBD resolveu produzir álcool gel, para compensar a falta do produto no mercado. A Green Ridge Biosolutions começou distribuindo gratuitamente 2 mil garrafas pela cidade de Ronan. Agora colocaram o produto em linha de fábrica e está à venda.Em outras palavras, o mercado está se adaptando às novas necessidades. Ninguém está na janela vendo a vida passar, mas trabalhando e colaborando para atravessarmos um período muito difícil da saúde física, mental e econômica do mundo.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia em vista superior do ramo apical de um pé de maconha no início da floração e um fundo branco. Foto: WildOne | Pixabay.

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