Veja sete erros comuns na culinária cannábica e como evitá-los

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Separei uma lista dos erros mais comuns ao cozinhar com maconha. Assim você consegue se beneficiar das vantagens de ingerir comestíveis potentes e saborosos sem cair nos mesmos vacilos que já caí

Eu sei que muita gente tem vontade de se aventurar na culinária cannábica, mas sente receio de errar. Ou por acreditar que a receita não vai ficar gostosa e potente, ou ainda pelo medo de desperdiçar o principal ingrediente: maconha.

Leia também: Saiba como potencializar as suas receitas com concentrados cannábicos

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E como no início eu já cometi vários erros até desenvolver as minhas técnicas, resolvi separar os erros mais comuns quando falamos em cozinhar com erva. Justamente para você não cometer os mesmos vacilos que eu cometi, garantindo sucesso total na sua receita.

Então, sem mais enrolação, vamos lá:

 Veja sete erros comuns na culinária cannábica e como evitá los

1. Dichavar demais a ganja

Como já falei, existem informações controversas sobre o assunto, mas por alguma razão a maioria dos sites orienta que as pessoas moam finamente a maconha para preparar alguma infusão cannábica. Eu sinceramente nunca entendi o conselho de moer bem a erva, já que quanto mais você triturar a maconha, mais sabor de clorofila ela vai ter!

O que você está buscando na planta são os canabinoides, que estão nos tricomas resinosos. Eles ficam em volta das flores e aparas, e não no interior delas. Portanto, se você triturar demais a maconha, vai colocar mais matéria vegetal no produto acabado. Ou seja, vai aumentar a cor verde e os indesejáveis sabores de ervas.

Por isso, sempre que for cozinhar com maconha, lembre-se que não precisa dichavar como se fosse enrolar um baseado. É só cortar a erva com uma tesoura em pedaços maiores.

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2. Cozinhar maconha em uma temperatura muito alta

Na culinária cannábica, as temperaturas de cozimento mais baixas são as melhores. O THC é completamente degradado em temperaturas acima de 200 ºC, embora comece a se converter muito antes disso, a partir dos 112 ºC.

Como a água fervendo nunca fica acima de 100 ºC, eu sempre recomendo usar banho-maria ao fazer infusões de cannabis. Você também precisa prestar atenção às temperaturas de cozimento ao usar a manteiga e óleos infusionados, ou ainda ao cozinhar com concentrados de maconha.

Não use óleos ou manteiga de maconha para refogar ou fritar direto. Se você estiver fazendo algum bolo ou cookie, certifique-se de que a infusão esteja dentro da massa. Você pode cozinhar em temperaturas de forno de até 180 ºC, pois essa é a temperatura da câmara do forno, a massa em si estará crua e não ficará tão quente quando assada.

3. Não descarboxilar a maconha antes de fazer a infusão cannábica

Embora muito calor mate o THC, um pouco de calor é necessário! Como já expliquei no artigo “Como colocar maconha na alimentação?”, a planta in natura não contém THC. Ela contém THCA (ou ácido tetraidrocanabinólico).

Por isso, é necessário o processo de adição de calor (descarboxilação) para fazer a reação química que converte o THCA em THC. Se você estiver fazendo uma manteiga ou óleo cannábico, durante o banho-maria acontece, sim, uma certa descarboxilação. Mas os testes de laboratório mostram que ao descarboxilar você pode potencializar em até 30% a sua infusão, isso é, você consegue converter uma maior quantidade de THCA em THC.

Se você estiver cozinhando com kief, precisará primeiro descarboxilar. Eu recomendo essa etapa ao cozinhar com hash também, por ajudar a maximizar a potência do THC. Para obter mais informações sobre descarboxilação, porque você precisa, e como, fazer isso, consulte o artigo “Saiba como potencializar as suas receitas com concentrados”.

Leia também: Que partes da planta devo utilizar na culinária cannábica?

4. Consumir as infusões de alimentos sem gordura

Sim, você pode colocar maconha em qualquer alimento! Mas devemos considerar que os canabinoides se ligam à gordura, ou seja, ao ingerir um alimento infusionado junto com a gordura, estamos ajudando o nosso organismo a metabolizar melhor esses componentes.

Em geral os efeitos dos alimentos sem gordura tendem a aparecer rapidamente, o que é um ponto positivo. Mas normalmente essa onda não dura muito tempo. Claro que cada pessoa reage de uma maneira diferente, mas como a gordura é metabolizada mais lentamente pelo nosso corpo, esses efeitos são bem comuns.

O ideal é que mesmo que a sua dieta tenha restrição na ingestão de gorduras, você consuma a infusão cannábica com algum alimento que contenha gordura, como abacate, castanhas, café com creme.

5. Adicionar cannabis em excesso

Já falei diversas vezes: a maneira mais fácil de ingerir maconha em excesso é através da ingestão dos comestíveis.

Às vezes, as pessoas ficam impacientes e pensam: “Não está funcionando”, e aí comem mais. No momento em que os efeitos começam a aparecer já é tarde demais, a pessoa passou da dose.

Embora as “overdoses” de maconha não sejam perigosas porque nunca são fatais, elas podem ter sintomas bem desagradáveis, como fazer você se sentir paranoico, ansioso e desorientado.

Dosar os alimentos é quase uma arte, muitos fatores precisam ser levados em consideração e as tolerâncias das pessoas variam muito. Uma pessoa pode comer uma quantidade que não faça sentir nada fisicamente, enquanto outra consumindo a mesma quantia pode ficar presa no sofá por horas.

Se você for cozinhar com maconha, é importante saber a potência da planta, por isso é uma boa ideia vaporizar ou fumar um pouco para ter uma ideia geral de sua potência.

Lembre-se de que cozinhar pode intensificar um pouco a potência. Se você achar que a sua infusão ficou mais potente do que você pretendia, a solução é simples: adicione menos infusão na preparação das receitas!

6. Adicionar pouca maconha ou maconha com pouca potência

É lógico que se você achar que sua infusão ficou pouco potente, você pode e deve adicionar mais maconha até encontrar a dose ideal.

Uma alternativa, se você fizer uma manteiga ou extrato cannábico que seja menos potente do que gostaria, é incrementar depois, aquecendo suavemente para dissolver um pouco de kief ou hash descarboxilado antes de usar nas receitas.

Eu sei que a maconha é um ingrediente caro e que o desejo natural é usar o menos possível. Mas pense assim, você sempre pode comer porções menores, mas se a tua infusão não tiver a potência adequada, não há como evitar decepções.

Não vou dizer que você “desperdiçou” a erva porque ainda vai receber benefícios medicinais, mesmo que não sinta a brisa. Mas muitas vezes quando a pessoa não sente os efeitos psicoativos esperados ou é porque usou pouca erva ou uma erva pouco potente.

7. Acreditar que comestíveis cannábicos se resumem a balas, brownies, biscoitos e brisadeiros

O número de pessoas que pensam que os doces são o único tipo de comida que você pode fazer com a maconha sempre me surpreende.

O fato é que você pode adicionar maconha em qualquer alimento, mas os doces são queridinhos por que, além de ser mais fácil esconder o sabor herbal da planta, as receitas em geral pedem uma dose extra de gordura na preparação.

O céu é o limite quando se fala em culinária cannábica. Você pode ter uma ideia das possibilidades acessando o meu Instagram (@lilica.420) e no meu canal do Youtube (youtube.com/lilica420), onde disponibilizei várias receitas doces e salgadas, além de drinques e outros preparos. Também tem várias lives pra você descobrir ainda mais detalhes da culinária cannábica.

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#PraCegoVer: fotografia em destaque mostra a vista superior de uma planta de maconha em um vaso, à esquerda, e de uma forma de metal, à direita, cheia de buds e aparas da erva. Imagem: Divulgação | Lilica.

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Sobre Lilica 420

A Lilica cresceu dentro da cozinha do restaurante de sua família. São 40 anos de experiência culinária, aprendendo ao lado de diferentes cozinheiros várias técnicas, receitas e preparos. Quando ela descobriu que conseguia unir todo esse conhecimento à outra paixão de sua vida - a maconha - começou a cultivar, viajou para países legalizados, fez cursos, leu livros e aprendeu, na teoria e na prática, tudo sobre culinária cannabica. Agora, ela compartilha seu conhecimento, conquistado em anos de estudo, para que outras pessoas também passem a colocar maconha na alimentação. Principalmente, de maneira segura e saudável.
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