Reino Unido: desafios, oportunidades e futuro do mercado de cannabis medicinal

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Para marcar o aniversário de um ano da legalização da cannabis medicinal no Reino Unido, a Prohibition Partners produziu um relatório que examina os desafios e oportunidades que afetarão o setor no país. Confira na tradução pela Smoke Buddies

O UK Cannabis Report provê contexto e informações sobre como, apesar do mercado progredir em um ritmo mais lento do que o esperado, as oportunidades no setor de cannabis no Reino Unido continuam promissoras.

O relatório também faz uma série de previsões importantes sobre o futuro do mercado britânico de cannabis. As questões de acesso de pacientes, que têm atrasado o progresso do mercado até agora, serão abrandadas, prevê o relatório, à medida que o país começar a aumentar as importações em massa de cannabis medicinal e disponibilizar mais recursos para pesquisadores de cannabis e a educação de profissionais médicos sobre cannabis.

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Ambiente regulatório

Em novembro de 2018, o Reino Unido introduziu novos regulamentos que definem e legalizam o uso de ‘produtos à base de cannabis para uso medicinal em humanos’ (CBPMHs). Os produtos que atendam a essa definição seriam transferidos para a Lista 2, conforme os Regulamentos sobre Uso Indevido de Drogas de 2001 e a Ordem do Uso Indevido de Drogas (Designação) de 2015, permitindo que esses produtos à base de cannabis sejam disponibilizados mediante receita médica por certos médicos qualificados.

Como o relatório explica, atualmente não existe uma política governamental referente às condições para as quais esses produtos podem ser prescritos; em teoria, isso deixa aos médicos a liberdade de usar seu julgamento profissional para prescrever os CBPMHs. Na prática, essa falta de orientação, juntamente com uma escassez de educação sobre cannabis para médicos, significa que é mais provável que os médicos simplesmente sigam as orientações publicadas pelo Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE) sobre produtos medicinais à base de cannabis.

As leis que regem os produtos de CBD também são um tanto vagas. Sobre o cânhamo, os regulamentos são claros: cânhamo com níveis de THC abaixo de 0,2% pode ser cultivado legalmente, embora os agricultores só possam usar as fibras e sementes para fins comerciais. Em contraste, há uma grande confusão sobre os limites permitidos de THC nos produtos de CBD derivados do cânhamo.

Além disso, como um estado-membro da União Europeia (UE), o Reino Unido deve considerar alimentos, bebidas e produtos de suplemento alimentar que contenham CBD como ‘novos alimentos’ e seguir as regulamentações relevantes da UE que exigem que esses produtos sejam licenciados. Atualmente, essas regras são levemente aplicadas no Reino Unido, resultando na venda aberta desses produtos nas principais lojas de rua. Não se sabe o que acontecerá com o mercado de comestíveis do Reino Unido em um momento em que o país sair da União Europeia.

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Análise de saúde

No ano seguinte à legalização da cannabis medicinal, apenas 18 prescrições para CBPMHs foram emitidas pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS) na Inglaterra, e outras 135 foram emitidas por clínicas privadas de cannabis medicinal estabelecidas no Reino Unido. Os números exatos do resto do Reino Unido não foram divulgados.

A legalização médica, afirma o relatório, ainda não possui provisões para acesso de pacientes.

No curto prazo, os médicos do Reino Unido estão se concentrando predominantemente nos CBPMHs como tratamento para cinco condições: esclerose múltipla, náusea induzida por quimioterapia, epilepsia infantil resistente ao tratamento, dor crônica e perda de peso associada ao HIV/aids. Em outras geografias, uma variedade muito maior de condições é comumente tratada com cannabis medicinal.

Dados do British Medical Journal sobre o número de pacientes para 52 condições consideradas potencialmente tratáveis ​​com cannabis medicinal indicam uma base potencial de pacientes de mais de 4 milhões de pessoas. A Prohibition Partners estima que até 1% da população do Reino Unido possa ser paciente de cannabis medicinal até 2028, à medida que os ensaios clínicos britânicos avançam e os médicos do Reino Unido se tornam mais informados sobre a cannabis medicinal.

Preparado para o crescimento

Embora o mercado de cannabis medicinal tenha crescido muito lentamente no ano passado, a Prohibition Partners antecipa um aumento significativo na acessibilidade dos pacientes ao longo de 2020, levando a um período de crescimento exponencial nos próximos anos.

Em 2024, o mercado britânico de cannabis medicinal deverá valer quase US$ 1,3 bilhão, atendendo a cerca de 340.000 pacientes ativos.

Espera-se que o mercado total de cannabis legal no Reino Unido suba de um valor estimado de mercado de US$ 190.000 em 2019 para US$ 3 bilhões em 2024. Trabalhando a partir de uma data estimada de legalização recreativa de meados de 2021, o valor do mercado legal de cannabis recreativa para o ano de 2024 será de aproximadamente US$ 1,7 bilhão, com quase 750 mil pessoas sendo clientes regulares de cannabis recreativa.

O setor de investimentos em cannabis que está ganhando força na Europa também está voltando sua atenção para o mercado do Reino Unido, observa o relatório. Inúmeras consultorias, pesquisas de mercado e grupos financeiros focados em cannabis foram abertas em Londres — a cidade também abriga a conferência anual Cannabis Europa.

As principais empresas de cannabis também estão tendo sucesso no Reino Unido. A GW Pharmaceuticals, maior exportador de cannabis medicinal legal do mundo, está sediada na Inglaterra e opera vários locais em todo o sul do país. Juntando-se a eles estão vários gigantes da indústria de cannabis estrangeiros, como a Althea Inc. da Austrália e a Aurora Cannabis do Canadá, que recentemente criaram raízes no Reino Unido através do estabelecimento de subsidiárias para garantir bases competitivas em um mercado britânico que está preparado para expansão.

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#PraCegoVer: a fotografia em destaque mostra, em plano fechado,  uma inflorescência apical de maconha, com pistilos brancos e folhas verdinhas, e um fundo, desfocado, com mais plantas de cannabis e fileiras de luzes brancas que convergem para o ponto de fuga da imagem, em um teto de cor cinza-claro. Foto: Jason Ogulnik | The Boston Globe.

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