Rede de Feministas Antiproibicionistas realiza segundo encontro internacional

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O II Encontro Internacional da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA) acontece nos dias 9, 10 e 11 de setembro de 2021, com o tema “50 Anos da Guerra às Drogas – Mulheres Usuárias resistindo a democracias proibicionistas”

A Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA) nasce do amplo encontro de mulheres cis e trans usuárias de drogas e ativistas por uma política de drogas no Brasil, com foco principal na defesa dos direitos humanos dos grupos de mulheres atingidas pelo modelo proibicionista — a exemplo das mulheres negras, encarceradas, profissionais do sexo, usuárias de drogas, mulheres em situação de rua, mães vitimas da violência e sobreviventes do sistema. A RENFA está presente em 12 estados do Brasil (Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Roraima, Pará e Brasília) organizando e fortalecendo a luta das mulheres por democracias sem racismo, machismo e proibicionismo pautado no controle e extermínio.

A RENFA atua para fortalecer a participação das mulheres como protagonistas na luta por uma sociedade antiproibicionista, uma sociedade que construa políticas e culturas que respeitem a autonomia dos corpos, mentes e ação política das mulheres. Sabemos do evidente impacto que a legislação atual de drogas (Lei 11.343/2006) tem na vida das mulheres — que são as principais atingidas pela guerra, seja quando são encarceradas, quando perdem seus filhos e filhas em razão da violência brutal do Estado dentro das periferias de todo país ou, ainda, quando são estigmatizadas e impossibilitadas de permanecerem com seus filhos pelo fato de serem usuárias de drogas. O atual modelo de guerra às drogas se transformou numa guerra perversa dirigida às pessoas pobres e negras e é impossível não reconhecer a política de drogas como uma questão de mulheres!

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Diante dessa realidade a RENFA realiza nos dias 9, 10 e 11 de setembro através do Youtube seu 2º Encontro Internacional com o tema “50 Anos da Guerra às Drogas – Mulheres Usuárias resistindo a democracias proibicionistas”, reunindo mulheres feministas antiproibicionistas do Brasil, Chile, Colômbia, Argentina, EUA e México com objetivo de contribuir na fundação de novos marcos democráticos, que influenciam ambientes de avanço político, garantia de autonomia e participação das mulheres nos processos de construção da sociedade.

A chegada do proibicionismo em países da América Latina e Caribe significou para nós um movimento de recolonização, fortalecendo estruturas de poder colonial e políticas repressivas, racistas e sexistas orientadas pelas grandes nações coloniais imperialistas. Ao longo desses 50 anos de guerra temos em nosso continente a intensificação do estado de guerra, o genocídio e o etnocídio, marcando a tentativa de extermínio de nossas culturas ancestrais.

No Brasil a chegada da proibição significou, nos anos 30, a perseguição da cultura negra e indígena, com uma lei que não por acaso proíbe a maconha, o candomblé e o samba. Em todo o nosso continente o proibicionismo importou uma máquina de morte, fortaleceu o militarismo, ampliou o alcance do autoritarismo das ditaduras militares e interferiu nos processos de redemocratização ao construir políticas de segurança de ideologia proibicionista.

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No ano de 1971, o governo do então presidente dos EUA Richard Nixon faz uma declaração pública de guerra às drogas, estabelecendo o abuso de drogas como o inimigo número 1 dos EUA. Representando a articulação de elites conservadoras, de tradição cristã, e da supremacia branca, o campo politico representado por Nixon estava naquele ano empenhado em fortalecer politicas de segregação racial, a partir do aumento da criminalização do povo negro, além da retirada de diversos direitos sociais da população negra e latina. A estratégia bélica de “guerra às drogas” se coloca mundialmente, a partir da construção do pacto proibicionista que une globalmente nações inteiras, sob o jugo imperialista dos EUA, ampliando assim o poder e a dominação de homens brancos, aliados a grupos de extrema-direita como, por exemplo, o KKK, e criando uma estrutura de dominação global chamada de proibicionismo.

A RENFA prioriza o diálogo e a incidência interseccional para reduzir as vulnerabilidades criadas pela atual política de drogas, demandando que todos os setores da sociedade se responsabilizem pelos danos sociais desencadeados pela política proibicionista de drogas. E tem como desafio influenciar outros movimentos mistos e de mulheres a acolherem a agenda da reforma da política de drogas como estruturante na luta por democracia e pelo fim das opressões, pautando outras pessoas na construção desse processo, através do empoderamento das mulheres antiproibicionistas para ocupar esses espaços de diálogo sobre: Direitos Humanos, Direitos Sexuais e Reprodutivos, Antirracismo, Controle Social (Conselhos), Segurança Pública, Democracia, Acesso à Justiça, Comunicação, Direito à Cidade, Agroecologia e Feminismo.

Essa realidade torna urgente o fortalecimento das mulheres em rede, possibilitando o intercâmbio das boas experiências desenvolvidas, para multiplicá-las através da formação política com as mulheres, aperfeiçoando essas metodologias, aumentando a integração para a atuação junto ao movimento misto de reforma da política de drogas e dentro dos movimentos sociais na construção de estratégias que visem a redução das vulnerabilidades das mulheres nesse processo, efetivando cada vez mais as mulheres como protagonistas nesse processo de mudança.

(texto de Ingrid Farias e Luana Malheiro)

Informações sobre o evento

O II Encontro Internacional da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA) será transmitido ao público através do YouTube e terá tradução simultânea de idiomas e libras.

Entre as presenças confirmadas para o evento estão a pesquisadora brasileira Dandara Rudsan (ONG Artigo 19), a antropóloga mexicana Polita Pepper (Cannativa AC), a advogada e ativista negra Deborah Small (EUA), a antropóloga dominicana Ochy Curiel (GLEFAS), a jornalista e política chilena Beatriz Sánchez, a ativista de direitos humanos argentina Veronica Russo (Lanpud) e a advogada brasileira Brisa Lima (Reforma e IDPN).

Programação

9/9 (quinta)

– 19h – Abertura do Encontro: homenagem a Leilane Assunção e Danielle Vassalo

– 20h – Mulheres e reconstruções das democracias no mundo

10/9 (sexta)

– 15h – 50 Anos da Guerra às Drogas, racismo, sexismo e resistências das mulheres

– 19h – Mulheres Usuárias Enfrentando Democracias Proibicionistas

11/9 (sábado)

– 16h – Feminismo Antiproibicionista e Decolonial por novos mundos possíveis

– 19h – Festa on-line: A arte celebra as liberdades

Serviço

II Encontro Internacional da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA)

Tema: 50 Anos da Guerra às Drogas – Mulheres Usuárias resistindo a democracias proibicionistas

Quando: 9, 10 e 11 de setembro

Onde: YouTube

Mais informações: renfa.org e @renfantiproibicionista

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#PraTodasVerem: arte, em fundo rosa-choque, traz o tema do encontro em letras brancas, acima das datas, escritas em preto num pedaço de crepe, e ao lado do nome do evento e o logo da RENFA (que mostra o rosto de uma mulher com máscara preta), que aparece sobre um mapa da América Latina, desenhado invertido dentro de um círculo amarelo. Imagem: Divulgação.

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