Racismo Ambiental: Dando a Letra

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“Não gosto desse filme o roteiro nem me liga. Ser uma vítima do crime genocida. Crocodilagem, traição, revolta.” — Sabotage, País da Fome (Parte 2)

Chega a ser bizarra a quantidade de formas diferentes de praticar o racismo, o projeto “Dando a Letra” com curadoria de Levi Kaique (@levikaiquef) surgiu para realmente emancipar os pensamentos. A nossa intenção é auxiliar pessoas brancas a pensarem antes de agir e conhecerem como o racismo pode se disfarçar na sociedade e em suas próprias atitudes, fazê-los entender como o racismo não é só sobre ofensas verbais. Mas o projeto também foi criado para ajudar a dar um norte na luta, para expandir a visão de pessoas negras que não têm oportunidades (graças ao racismo) para compreender por completo a pauta enquanto cidadão.

Falamos em outro texto sobre Racismo Estrutural e como ele é imposto e vem dos primórdios do nosso país e do mundo. A consequência disso é a normalização de atos racistas, as letrinhas miúdas de um contrato forçado ao povo negro. Letrinhas essas que desde sempre estão escancaradas, mesmo que exista a tentativa de escondê-las. O medo de uma retaliação do povo negro e periférico é uma preocupação pequena demais para as grandes empresas e governos. O Racismo Ambiental é a melhor representação dessas letrinhas miúdas do trato de extermínio submetido aos negros.

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Nos anos 70 a expressão Racismo Ambiental foi criada. Um grupo de negros dos E.U.A. percebeu de forma política e racista o descaso de autoridades com bairros de moradores negros periféricos perante a alta poluição provocada por fábricas, deixando claro aos olhos de quem escolhe enxergar que o Estado não dá a mínima para a qualidade de vida negra.

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Arte que traz a foto de Benjamin Chavis junto ao seu texto “Racismo ambiental é a discriminação racial no direcionamento deliberado de comunidades étnicas e minoritárias para exposição a locais e instalações de resíduos tóxicos e perigosos, juntamente com a exclusão sistemática de minorias na formulação, aplicação e remediação de políticas ambientais”.

A partir da criação do termo observamos a seletividade de fabricantes e governantes quanto aos problemas ambientais e como agir em relação a eles de acordo com a população que foi atingida.

O Racismo Ambiental é baseado em como e onde os empreendedores que mais emitem poluição e degradam são alocados. Por qual motivo os problemas ambientais causados por empresas estão sempre conectados a grupos como negros, indígenas, ribeirinhos, e vários outros que se diferenciam do modelo de vida branco?

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Arte que traz a foto de Tania Pacheco junto aos seus dizeres “Ninguém decide fazer um lixão em Ipanema ou Copacabana. A decisão de onde jogar o lixo está ligada à imagem que se tem da população em quem você joga lixo”.

A extrema desigualdade social e racial elimina o direito à cidadania das pessoas. Falta de saneamento básico, o receio de não ter algo para comer, os problemas para acessar assistências médicas, tudo isso faz crescer o risco dos negros periféricos adoecerem e/ou morrerem. Fora isso a maioria entre os trabalhadores mais expostos à Covid-19 são os negros…

É muito complicado lutar contra o Estado e empresas poluentes, seus poderes aquisitivos são enormes. Porém, nenhum deles possui força para resistir ao povo, seus empregados, consumidores, eleitores. Unidos podemos muito e quando somos educados com informações relevantes, dados precisos e absurdos, não podemos e nem devemos nos calar. Fale sobre, questione, não aceite o que não faz bem, somos nós a justiça.

E pra você que acha que racismo não existe no Brasil, pra você que acha assuntos como esse uma besteira, aí vai um conselho bem bolado… Ainda dá tempo de mudar, tô dando a letra!

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Curadoria por: @levikaiquef*

*Levi Kaique é Engenheiro Civil, Diretor do Site de Cultura POP @oretalho, Colunista do @sitemundonegro, apresentador do projeto Influência Negra e colaborador dos portais Mansão Black e Pretitudes.

Texto por: Nico Cordeiro.

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#PraCegoVer: a imagem de capa é uma arte que traz a face do rapper Sabotage com o dedo na boca pedindo silêncio e os prédios de uma cidade refletidos nas lentes de seus óculos e, ao lado, um pedaço de papel rasgado com as palavras “Racismo ambiental”; na parte superior do quadro, algumas casas; no rodapé, as expressões “curadoria Levi Kaique @levikaiquef” e “Dando a Letra”, e o logo da Bem Bolado Brasil. Arte: divulgação.

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