Psicodélicos podem ser alternativa para pessoas com depressão?

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Pesquisadores nos EUA e na Europa mostraram que uma dose única de psilocibina, o composto psicoativo dos chamados “cogumelos mágicos”, tem efeitos antidepressivos de ação rápida — geralmente em poucas horas. Com informações da Virginia Commonwealth University, e tradução pela Smoke Buddies

Depois de serem relegados à margem da investigação científica legítima por quase cinco décadas, parece que os psicodélicos estão de volta. Um número crescente de pesquisadores, incluindo Javier González-Maeso, PhD, e Mario de la Fuente Revenga, PhD, ambos do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Faculdade de Medicina da Virginia Commonwealth University, estão explorando se os psicodélicos ou compostos relacionados podem ser uma nova opção de tratamento para pessoas com depressão.

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A depressão maior é um dos problemas de saúde mental mais comuns nos Estados Unidos, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental, afetando cerca de 17,3 milhões de adultos. O tratamento geralmente envolve aconselhamento/terapia, medicação ou uma combinação de ambos. No entanto, essas opções levam tempo para produzir resultados significativos e têm altas taxas de falhas.

“Pacientes com depressão precisam receber antidepressivos por semanas ou até meses para começar a ver os primeiros efeitos terapêuticos. Não é só isso — nesse período de tempo, o risco de suicídio aumenta”, disse González-Maeso, professor associado.

Efeitos antidepressivos de ação rápida

Pesquisadores nos EUA e na Europa mostraram que uma dose única de psilocibina, o composto psicoativo dos chamados “cogumelos mágicos”, tem efeitos antidepressivos de ação rápida — geralmente em poucas horas. Esses efeitos também parecem durar muito mais tempo do que os antidepressivos tradicionais.

Em um estudo citado por González-Maeso, 80% das pessoas diagnosticadas com câncer terminal e depressão que receberam uma dose única de psilocibina continuaram mostrando melhorias no humor após seis meses.

“Isso não significa que o mediano Joe, depressivo, poderá ir à farmácia mais próxima para receber sua dose de cogumelos terapêuticos em breve”, disse De la Fuente, pós-doutorando no laboratório de González-Maeso.

Isso ocorre porque, apesar de mostrarem-se promissores como tratamento para transtornos de humor e abuso de substâncias nas décadas de 50 e 60, a Drug Enforcement Administration reprimiu psicodélicos como LSD e psilocibina em 1970, tornando-as algumas das substâncias mais fortemente controladas no país.

Demorou até o ano 2000 para a Food and Drug Administration conceder permissão para a pesquisa com psilocibina ser retomada, e só recentemente os resultados positivos desses estudos chegaram às manchetes.

Ainda assim, os psicodélicos são considerados substâncias controladas que “atualmente não têm uso médico aceito e têm alto potencial de abuso” e são classificadas como drogas da Lista I.

Como resultado, “serão necessárias evidências científicas duras para que possam ser usadas pelos médicos”, disse De la Fuente.

Um componente importante dessa evidência virá da descoberta de como os compostos psicodélicos produzem efeitos antidepressivos. É exatamente isso que De la Fuente e González-Maeso estão tentando descobrir — as mudanças subjacentes que os psicodélicos promovem no cérebro, tanto em nível molecular quanto estrutural.

Reestruturando o cérebro

Um possível mecanismo por trás da atividade antidepressiva observada nos psicodélicos que os pesquisadores estão investigando envolve mudanças na maneira como o cérebro é conectado — um processo que envolve a criação de novas sinapses.

As sinapses são as estruturas mais básicas que os neurônios usam para se comunicar. Pesquisas anteriores mostraram que pessoas que sofrem de depressão geralmente têm menos conexões sinápticas, especialmente em áreas do cérebro responsáveis ​​por regular o humor e a cognição, como o córtex frontal.

Como parte de sua pesquisa pré-clínica, González-Maeso e De la Fuente descobriram que, quando os ratos recebem uma dose única de um composto psicodélico, ele não apenas reduz os comportamentos associados à depressão, mas também aumenta o número de sinapses em seus córtex frontal. González-Maeso apresentou essas descobertas na reunião inaugural da Sociedade Internacional de Pesquisa em Psicodélicos em Nova Orleans, em outubro.

Alívio sem a “viagem”

González-Maeso e De la Fuente esperam que, ao identificar as mudanças duradouras que os psicodélicos desencadeiam no cérebro, eles possam desenvolver versões puramente clínicas desses medicamentos.

“Se entendermos em nível molecular como os psicodélicos induzem a atividade antidepressiva, podemos projetar medicamentos terapêuticos muito melhores do que atualmente temos na clínica“, disse González-Maeso. “O objetivo final é encontrar drogas que induzam efeitos antidepressivos sem induzir efeitos do tipo psicose”.

González-Maeso e De la Fuente já possuem patentes provisórias nos EUA para dois desses compostos, para os quais planejam testar seu potencial antidepressivo.

“Os psicodélicos são um campo proibido há décadas”, disse De la Fuente. “Agora, com uma atitude mais aberta, temos todos os avanços tecnológicos que acumulamos ao longo desse tempo para aplicar a um campo crescente que quase ninguém havia explorado antes. Do ponto de vista científico, é essencialmente a ‘terra prometida’ e, esperançosamente, produzirá resultados que farão uma diferença real na prática clínica”.

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