Próximo grande problema da maconha: os gases de efeito estufa

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Uma investigação do cultivo de maconha indoor nos EUA revelou que cada quilograma de buds secos resulta em 2.283 a 5.184 quilogramas de dióxido de carbono, dependendo da localização geográfica. Saiba mais com as informações da Inverse

Em 2012, quando Colorado e Washington se tornaram os dois primeiros estados americanos a legalizar a maconha para uso adulto, os usuários de cannabis em todos os lugares se regozijaram. A legalização continua a se espalhar pelos Estados Unidos, com a Virgínia se tornando o último estado a abraçar a maconha.

Fãs da legalização listam a perspectiva de taxar a erva legal e gerar novos empregos como motivos para apostar alto na maconha. Em 2019, a indústria de cannabis legal gerou US$ 13,6 bilhões em vendas anuais nos EUA. Esse número pode chegar a impressionantes US$ 130 bilhões em 2024.

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Mas outro aspecto da legalização é esquecido: o efeito negativo da produção de cannabis no meio ambiente.

Em um novo estudo, uma equipe de pesquisa da Universidade Estadual do Colorado examinou a relação entre as emissões de gases de efeito estufa e o cultivo de cannabis. Eles descobriram quantidades chocantemente altas de emissões embutidas no processamento da maconha — um perigoso efeito colateral do Jolly Green.

 Próximo grande problema da maconha: os gases de efeito estufa

O que há de novo

Esta descoberta foi publicada segunda-feira (8) na revista Nature.

Uma investigação do cultivo de cannabis indoor nos EUA revelou que cada quilograma de buds de cannabis secos resulta em 2.283 a 5.184 quilogramas de emissões de dióxido de carbono, dependendo da localização geográfica.

Em comparação, um ano dirigindo um carro que queima 2.000 litros de gasolina libera cerca de 4.600 kg de emissões de dióxido de carbono.

À medida que mais estados legalizam e estabelecem requisitos para o cultivo de maconha, o cultivo de cannabis indoor — ao contrário de uma estufa ou cultivo ao ar livre — se tornou a escolha preferida porque permite o controle da temperatura e outros fatores que apoiam o crescimento.

Esses fatores são o que impulsiona as emissões, sugere o estudo.

A autora principal Hailey Summers, uma estudante graduada da Universidade Estadual do Colorado, disse à Inverse que, conforme a produção de cannabis evoluiu, a indústria desenvolveu algumas práticas comuns que resultam de restrições legais anteriores.

“Nosso estudo investigou essas práticas comuns de cultivo de cannabis indoor, não apenas no Colorado, mas por todo os EUA, para entender as emissões de gases de efeito estufa”, diz Summers.

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Como eles fizeram isso

Summers e seus colegas desenvolveram um modelo de cultivo de cannabis, rastreando as emissões que resultam de todos os diferentes elementos necessários para o cultivar de maconha indoor no ambiente de um armazém.

Por exemplo, a maconha requer condições específicas de temperatura e umidade para crescer adequadamente. Precisamente as instalações indoor exigem equipamentos de resfriamento e iluminação adequados para proteger as safras do clima externo volátil.

A equipe calculou a energia necessária para cultivar maconha nessas condições, usando valores equivalentes a um ano de dados meteorológicos por hora de mais de 1.000 lugares. Os locais abrangem todos os 50 estados dos EUA, independentemente de terem ou não legalizado a cannabis para uso adulto. A esperança, explica Summers, era avaliar os sistemas atuais de cultivo indoor e “prever valores para os estados que ainda não legalizaram”.

O modelo foi projetado para converter a energia dessas instalações — fornecida em grande parte por eletricidade e gás natural — nas emissões de gases de efeito estufa resultantes.

Ao contrário de pesquisas anteriores sobre emissões de gases de efeito estufa, este estudo também considera as emissões de gases de efeito estufa cradle-to-flower (berço à flor). Os cientistas examinaram as emissões relacionadas à água, fertilizantes e dióxido de carbono engarrafado — um suplemento para ajudar as plantas a crescerem de maneira ideal — necessários para o cultivo de maconha, bem como resíduos subsequentes enviados para aterros sanitários.

Explorando os detalhes

Os pesquisadores descobriram que as emissões de gases de efeito estufa variaram amplamente com base na localização geográfica, de um mínimo de 2.283 kg em Long Beach, Califórnia, a um máximo de 5.184 kg na Baía de Kaneohe, no Havaí.

A diferença entre esses dois locais é em grande parte devido à fonte de energia usada para o cultivo. O gás natural e a energia solar — que têm emissões mais baixas — dominam Long Beach, enquanto as fontes de energia à base de petróleo são mais comuns na Baía de Kaneohe.

Com base em suas descobertas, os pesquisadores geraram um mapa que mostra as emissões de gases de efeito estufa por estado. Algumas partes do país enfrentam emissões mais altas devido à quantidade de energia necessária para resfriar e aquecer as instalações como resultado das condições climáticas externas. Essas áreas incluem as Montanhas do Oeste e o Meio-Oeste.

Os pesquisadores também encontraram variações dentro dos estados. Por exemplo, instalações nas regiões montanhosas do Colorado produziram mais emissões do que aquelas em áreas mais baixas, como Denver.

Como a lei federal impede o transporte de maconha entre os estados, cabe aos estados determinar onde construir instalações que terão o menor impacto nas emissões de carbono, sugere o estudo.

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No entanto, mesmo através de localizações geográficas, algumas variáveis ​​no cultivo de cannabis indoor contribuíram mais para as emissões de gases de efeito estufa, incluindo:

  • Os sistemas de iluminação de alta intensidade usados ​​para o cultivo;
  • Os sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) dentro das instalações.

Os sistemas de AVAC são o contribuinte mais significativo para as emissões de gases de efeito estufa, chegando a uma diferença de 230% nas emissões de uma instalação, dependendo da área geográfica.

Como o cultivo de cannabis pode ser melhor para o meio ambiente?

Summers diz que seu estudo pode ajudar os produtores a desenvolver métodos de cultivo de cannabis “mais verdes”.

“Para sistemas de cultivo indoor, a maneira ‘mais verde’ seria investir em equipamentos de energia limpa e otimizar os sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) das instalações”, explica ela.

As operações de cultivo em estufa e ao ar livre também reduzem significativamente as emissões de gases de efeito estufa em 42% e 96%, respectivamente.

No entanto, as instalações ao ar livre apresentam seus próprios desafios — e os pesquisadores ainda não recomendam mudar totalmente para um modelo externo.

“Além das emissões de gases de efeito estufa, também há muitos fatores ambientais adicionais que precisam ser considerados, incluindo desvio ilegal de água, uso de pesticidas e mudança no uso da terra”, diz Summers.

“A solução mais ideal provavelmente será uma combinação de todos os três principais sistemas de cultivo: indoor, estufa e ao ar livre”.

Por que é importante

No Colorado, os níveis de emissões resultantes do cultivo de cannabis estão no mesmo nível de indústrias poluentes, como mineração de carvão e gestão de resíduos.

De acordo com um artigo anterior desta equipe publicado no The Conversation, uma porção de cannabis está associada a mais emissões de gases de efeito estufa do que uma porção de cerveja, vinho, destilados, cigarros ou café.

À medida que novos estados continuam a legalizar a maconha, esta é uma excelente oportunidade para estabelecer diretrizes para os padrões de emissões relativos ao cultivo indoor de maconha, diz Summers. Ela cita duas políticas recentes concebidas para reduzir as cargas de energia da cannabis indoor:

“A primeira é a proposta do Programa de Melhoria de Códigos e Padrões do Estado da Califórnia, que exigiria que todas as instalações indoor operassem com lâmpadas LED de cultivo até 2023. A segunda, em Illinois, limita as intensidades de iluminação e exige que as instalações de cultivo se comprometam com o uso de equipamento de AVAC de alta eficiência”.

Os pesquisadores também recomendam que os estados que estão considerando a legalização sigam as diretrizes do Colorado, em resposta à questão do estado com práticas poluentes.

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O que vem a seguir

À medida que a indústria da maconha legal continua a crescer, essas descobertas podem informar o futuro do cultivo de cannabis. Será uma indústria ambientalmente sustentável ou insustentável?

Summers afirma que três participantes fornecerão a resposta a essa pergunta: proprietários de empresas, regulamentações governamentais e consumidores.

“Acho que todos os três desempenharão um papel importante no desenvolvimento dessa indústria da maneira mais limpa possível”, diz Summers.

Embora as regulamentações governamentais possam certamente encorajar práticas mais sustentáveis, Summers diz que não devemos nos precipitar em dispensar os proprietários de negócios que têm mais em jogo. Os legisladores devem elaborar políticas tendo os cultivadores de cannabis em mente.

“A realidade é que o cultivo de plantas em ambientes fechados consome muita energia e a restrição excessiva dessas operações pode resultar em perda de qualidade ou do produto total”, diz Summers.

Summers também adverte que não devemos desconsiderar o papel vital que a demanda do consumidor desempenha na definição do futuro da indústria da cannabis, incluindo seus impactos ambientais.

A primeira opção para os consumidores envolve comprar especificamente de produtores de baixa emissão, mas essa opção ainda não é uma realidade, de acordo com Summers.

“Do jeito que está, comprar de produtores que usam métodos de cultivo de baixa emissão ainda não é viável, porque nem todas as instalações conhecem sua pegada de carbono”, diz Summers. “Certamente, vejo isso como uma informação em potencial que os usuários poderiam usar para a tomada de decisões, mas ainda estamos um pouco longe dessa realidade”.

A segunda opção para consumidores que se preocupam com o meio ambiente requer um pouco mais de contenção pessoal: reduzir o uso de maconha.

“Reduzir o consumo é outra ideia interessante e atualmente estamos trabalhando em algumas comparações preliminares com outros consumíveis recreativos para que os consumidores estejam mais informados”, disse Summer.

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#PraCegoVer: foto que mostra o interior de um grow revestido com manta reflexiva, onde duas plantas de cannabis, de caules grossos e cheias de folhas, crescem em caixas de hidroponia cinza, sob uma luminária quadrada de luz branca. Imagem: Plantlady223 | Wikimedia Commons.

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