Produções musicais palosas que normalizam a cultura da maconha

lei di dai Produções musicais palosas que normalizam a cultura da maconha

Confira o trabalho de artistas nacionais que imprimem a expressão da cultura canábica em produções superpalosas, que explicitam o tema e colocam a maconha como grande estrela

Para além das mensagens subliminares nas letras das músicas de artistas com grande repercussão nacional, como a faixa ‘Verdinha’, de Ludmilla, que causou furor, críticas e denúncias, produções musicais independentes, que colocam a maconha no holofote e desconstroem a imagem demonizada de seu consumo, contribuem para a normalização de uma cultura que cresce forte, apesar das incessantes tentativas de poda.

Confira uma seleção de artistas que imprimem a expressão da cultura canábica em produções recentes superpalosas, que explicitam o tema e colocam a maconha como grande estrela.

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Lei di Dai

“É importante normalizar o uso”, diz a cantora, compositora e empreendedora musical Lei di Dai, que define a música 4:20 como seu estilo. Com quinze anos de carreira, quatro álbuns, dez turnês internacionais, a ‘rainha do Dancehall’, nomeada pela revista Rolling Stone, afirma que legalizou todos os seus clipes.
“O que move minha musica é a ganja!”, ela explica. “Faço turnês por diversos países fumando e me conectando com artistas que também tem como inspiração a weed”.

No clipe mais recente, Bonde da Fumaça, Lei di Dai, Charlie B e Indigesto se encontram em Barcelona, na Espanha, para a produção audiovisual do beat produzido por Cabes. O vídeo é uma produção da Amicitia Filmes, com direção, fotografia e edição de Marcelo Simões, câmera de Rodrigo Toledo e still de Guilherme Toledo. 

 

Renzo Gold

Um trap com influências de reggae, com uma letra perspicaz e o nome ‘Dealer’, é o novo som de Renzo Gold, artista de Niterói que toca em um assunto, no mínimo, polêmico.
“Eu acho que nós apreciadores devemos falar de forma explícita e natural do uso, plantio e comércio da ganja”, conta ele.
Com um refrão que é um agradecimento aos “que estão na correria”, Renzo desconstrói a ideia de que quem está na ponta do varejo da cannabis são bandidos perigosos, ou, nas palavras dele, “um cara com a camisa na cara portando um fuzil”.
“Quando a gente trata o tema com naturalidade, aos poucos vamos desmistificando essa narrativa de que a maconha é coisa do mal e de quem mexe com ela é marginal”, ele completa.
Disponível no Spotify, a música com participação de LM Jovem Rude deve ganhar, em breve, um remix do Digitaldubs, além de um clipe, gravado durante o período de isolamento social.

Danny Bond

Resultado de uma parceria com a Bem Bolado Brasil, o clipe ‘Traz o B’ dá movimento, imagem e cor ao som paloso de Danny Bond, uma das principais artistas LGBTQIA+ de Alagoas, que se desvincula do consagrado Brega Funk para trazer a temática canábica em um trap com produção musical de S4TAN.

Tramando Ideia Rap

O single do grupo do ABC Paulista Tramando Ideia Rap, Mary Jane, com participação de MGO, concretiza as aventuras da juventude que busca sua forma de se expressar e viver, quebrando tabus impostos pela sociedade: a relação com o feminino, amor, sexo, e, claro, a maconha.

“O som traz muito essa associação da mulher com a ‘Mary Jane’, mostrando que tudo é uma aventura em um relacionamento de jovens. A mina que tá sempre correndo junto com o mano independente dos problemas e vice-versa“, explica Quimo, um dos participantes do single. “Estão buscando sua forma de se expressar e viver sem que a sociedade proíba o que estão fazendo”, completa.

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#PraCegoVer: imagem (de capa) que mostra a cantora Lei di Dai soltando a fumaça de um trago, com o baseado visível em sua mão direita. Ela usa um colar que faz referência à maconha, e o fundo é uma parede colorida e grafitada. À esquerda, é possível ver uma câmera e, à direita, parte de uma pessoa. Crédito: Guilherme Toledo.

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Sobre Thaís Ritli

Thaís Ritli é jornalista e observadora do feminino no universo da cannabis, que se traduz em colunas mensais sobre o tema na Smoke Buddies.
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