Maconha e Problemas da Vagina: a história de Lara Parker, cannabis e endometriose

lara parker Maconha e Problemas da Vagina: a história de Lara Parker, cannabis e endometriose

“Eu estava lutando muito com a minha incapacidade de fazer sexo penetrante como uma mulher heterossexual”, explica Lara Parker, ao discutir sua experiência com endometriose. Agora ela depende apenas de cannabis para o tratamento da dor. As informações são da Forbes e a tradução pela Smoke Buddies

Mas quem é Lara? E por que você deveria se preocupar com os problemas da vagina dela?

Lara é editora do BuzzFeed e influenciadora de mídia social bem conhecida que usou suas plataformas não apenas para promover a positividade do corpo e a liberação feminina, mas também, e talvez mais importante e surpreendentemente, para falar sobre seus problemas da vagina — coincidentemente, o título de seu próximo livro. Além de sua vagina, Lara fala muito sobre como ela usa cannabis e produtos derivados da cannabis para tratar alguns dos sintomas de sua endometriose, que por sua vez é responsável pelos referidos problemas de vagina.

Deseja saber mais sobre isso? Ofendido com o uso excessivo da palavra vagina? Leia! De qualquer maneira, você aprenderá algo.

De problemas da vagina a ‘Problemas da Vagina’

Lara foi oficialmente diagnosticada com endometriose, uma doença em que tecido semelhante ao revestimento do útero (conhecido como endométrio) é encontrado fora do útero — resultando em fortes dores e condições relacionadas ao assoalho pélvico há aproximadamente sete anos.

“Na época, eu não tinha muita certeza do que isso significava para minha vida. Eu meio que ouvia tudo o que os médicos estavam me dizendo, supondo que eles se incomodavam em me dizer alguma coisa ou me ouvir”, revela ela.

Alguns anos após seu diagnóstico original, Lara conseguiu um emprego como redatora no BuzzFeed. Ela teve a sorte de ter editores que lhe permitiram escolher seus próprios tópicos para escrever — talvez haja algum tipo de equilíbrio cármico no universo.

“Eu estava lutando muito com meus novos diagnósticos na época e minha incapacidade de fazer sexo penetrante como uma mulher heterossexual”, explica ela.

Enquanto a maioria das pessoas que ela conhecia não sabia o que era endometriose, Lara tinha certeza de que outras pessoas estavam sofrendo disso. Então, ela decidiu publicar uma história sobre sua experiência e o tópico geral.

“A resposta me surpreendeu, porque havia muitas pessoas que pareciam estar lidando com coisas semelhantes com as quais eu estava lidando”, ela lembra.

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Essa reação a levou a aprofundar o assunto. Ela tinha uma saída para falar sobre o agravamento da dor e sabia que poderia ajudar outras pessoas que se esforçavam para se conectar ao processo.

A escrita persistente e consistente sobre o assunto em questão acabou por levar Lara um contrato de livro com a St. Martin’s Press. O livro, uma coleção de ensaios intitulada “Vagina Problems” [Problemas da Vagina], detalha como é viver com essas condições e como elas afetam todas as facetas da vida de uma pessoa. Ele será lançado em 6 de outubro de 2020.

Endometriose e Endocanabinoides

Para entender como a cannabis se encaixa na história de Lara, precisamos retroceder um pouco. Vamos voltar a 2015, quando Uptown Funk era o assunto da cidade, e mais de 50 mulheres estavam lançando suas histórias de abuso por Bill Cosby.

Na época, Lara estava morando em Los Angeles, Califórnia, procurando alguém que possuísse um cartão de maconha medicinal. Apesar de viver na terra da maconha, Lara nunca havia experimentado cannabis. No entanto, um dia, enquanto experimentava “uma dor horrível da endometriose”, seu parceiro sugeriu que ela tentasse fumar a boa e velha Mary Jane, argumentando que, se isso podia ajudá-lo com suas enxaquecas, poderia ajudar com a dor de Lara.

“Eu não tinha nada a perder, então tentei. Eu imediatamente senti meu corpo relaxar”, ela diz. “Eu estava menos consciente da minha dor. Eu me senti mais leve, mais feliz”.

“E eu também senti fome — uma sensação que eu não experimentava há muito tempo, pois um dos meus maiores sintomas é náusea e inchaço no estômago, o que muitas vezes causa incapacidade de comer”.

Depois daquela experiência extremamente agradável, conseguir seu próprio cartão de maconha medicinal não era demais. E assim, começou o processo de educação sobre diversos produtos e compostos de cannabis, suas propriedades, seus efeitos e seus benefícios.

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Oh, um privilégio que poucas mulheres em todo o mundo desfrutam: descobrir cannabis medicinal e poder adquiri-la legalmente.

“Desde aquele dia eu uso alguma forma de cannabis todos os dias da minha vida, seja fumando realmente, vaporizando, dabeando, (aplicando) bálsamos na parte inferior das costas e no abdômen, [usando] sais de banho, comestíveis ou cápsulas de CBD”, Lara fala. “Eu confio muito nisso para o controle da dor e é a única forma de analgésico que eu uso”.

Mas Lara não apenas reconhece que seu acesso à cannabis é um privilégio. Ela também se sente assim em relação ao seu ativismo.

“Tenho sorte que, vivendo na Califórnia como uma mulher branca, a maioria das pessoas na minha vida entende e não ‘pisca um olho’ no meu uso diário”, diz ela. “Mas eu cresci em uma cidade muito pequena em Indiana, onde a maconha ainda é altamente criminalizada. Então, havia algumas pessoas na minha vida, e ainda existem até hoje, que me chamavam de ‘má influência’ ou sugeriam que eu era algum tipo de viciada em drogas”.

“Mas eu sempre achei isso estranho, porque suponho que se eu tomasse uma quantidade enorme de analgésicos todos os dias, eles realmente não ‘piscariam o olho’”, acrescenta ela, observando que ela tem atualmente uma receita médica para maconha.

“Se eu tivesse uma receita para outro analgésico, seria chamada de má influência? Eu duvido. Mas esse tipo de reação só me leva a falar mais sobre isso. Acredito na capacidade da maconha de ajudar muitas pessoas com muitas coisas diferentes.”

Dito isto, Lara acrescenta uma nota de rodapé. A cannabis não é de forma alguma uma droga milagrosa que será uma cura para todos. Mas isso a ajuda e muitas outras pessoas que ela conhece.

“Acredito que cada pessoa deve ter a oportunidade de experimentar e ver por si mesma se é para elas. Não deve ser criminalizado”, diz ela, exigindo a legalização federal e extinção de registros criminais.

“A maconha é meu remédio, ponto final. Realmente não consigo imaginar minha vida sem ela e não quero. Imaginar uma vida sem cannabis me dá uma grande ansiedade. Eu não seria capaz de ter muita vida sexual sem ela, pois o orgasmo pode ser doloroso para mim por causa de minhas condições — o lubrificante com infusão de cannabis ajuda com isso. Eu não seria capaz de comer sem a ajuda de CBD ou THC direto, porque estou sempre enjoada.”

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Produtos de cannabis para endometriose

Por fim, Lara compartilhou algumas ideias sobre alguns dos melhores tipos de produtos para ajudar na endo.

Em dias de muito sofrimento, a coisa mais fácil para ela é fumar um baseado pré-enrolado de Indica. Ele proporciona alívio e muitas vezes a ajuda a adormecer, o que realmente a ajuda a lidar com a situação de maneira eficaz.

“O aspecto do pré-enrolado é mais fácil para mim, porque em dias muito ruins, triturar minha própria flor ou preparar o meu Puffco para um dab é demais — quando eu nem consigo sair da cama”, ela explica. “Eu sempre  mantenho um baseado pré-enrolado na minha cama e no sofá, para o caso de ser atingida de dor de repente”.

Para uso diário, Lara depende fortemente de cápsulas de CBD. Ela toma cerca de oito cápsulas (contendo de 25 a 30 mg de CBD cada) por dia, quando no trabalho, e adiciona bálsamos de THC e esfrega na parte inferior das costas e no abdômen para alívio adicional da dor.

Em dias de muita dor, naqueles em que ela não está acamada, mas ainda “se sente péssima”, ela usa dabs concentrados ou comestíveis.

Depois do trabalho, quando a dor se espalha por todo o corpo, ela volta a usar bombas ou sais de banho em um banho quente.

“É o paraíso”, ela comenta.

Finalmente, ela menciona supositórios vaginais de CBD e THC. “Eu uso muito THC e CBD lubrificante, não apenas durante a intimidade, mas também no dia a dia para a minha dor vulvar”, finaliza.

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#PraCegoVer: fotografia (em destaque) de busto de Lara Parker, olhando para a câmera e segurando um baseado aceso à sua direita, e um fundo em cor violeta. Foto: Jon Premosch.

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