Principais executivos das maiores empresas de cannabis são predominantemente homens brancos

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Executivos seniores das maiores empresas de maconha de capital aberto são predominantemente brancos e homens, descobriu uma análise da Insider

Os homens brancos representam 70% dos cargos executivos de alto nível nas 14 maiores empresas de cannabis de capital aberto por valor de mercado nos EUA e Canadá. Dos 75 executivos pesquisados, cinco — ou 7% — são identificados como negros.

Como em muitos outros setores, a indústria da cannabis tem um longo caminho a percorrer para garantir que seus executivos sejam representativos da população em geral, apesar de suas tentativas de colocar a diversidade e a inclusão em primeiro plano, disse Amber Littlejohn, advogada e diretora executiva do Minority Cannabis Business Association.

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“É um mau negócio”, disse Littlejohn, acrescentando que as empresas têm o dever fiduciário de “cavar mais fundo” e ajudar seus investidores a compreender o valor que a diversidade traz.

Littlejohn disse que o problema é particularmente agudo na indústria da cannabis, uma vez que os negros e outras populações minoritárias suportaram o impacto da proibição da cannabis e da “guerra às drogas” de décadas, enquanto os benefícios econômicos da legalização foram principalmente para os homens brancos.

O mercado de cannabis dos EUA atualmente gira em torno de US$ 65 bilhões em receita anual, de acordo com analistas do banco de investimento Cowen. Em 2030, espera-se que esse número suba para US$ 100 bilhões se a maconha for legalizada federalmente.

Um relatório recente da ACLU descobriu que os negros americanos tinham quase quatro vezes mais probabilidade de serem presos por maconha do que os brancos, apesar das taxas de uso semelhantes. Prisões e registros criminais podem afetar as oportunidades de emprego das pessoas para o resto de suas vidas.

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Mais diversidade beneficiaria os resultados financeiros

Littlejohn disse que ter executivos mais diversificados beneficiaria a indústria.

“Diversidade é uma das melhores coisas para se adaptar a mudanças e riscos e gerenciar suas externalidades e inovar”, disse ela.

A Insider alcançou as 14 maiores empresas dos EUA e Canadá por valor de mercado e pediu às empresas que divulgassem a distribuição racial e de gênero de seus executivos.

Das 14 empresas, 11 ofereceram as informações (Tilray, Aphria e MedMen não quiseram comentar). Tilray e Aphria concluíram sua fusão em maio, mantendo o nome Tilray. Para as empresas que se recusaram a comentar, a Insider usou registros de títulos e outras informações públicas.

Nossa avaliação mostrou que 22% dos cargos executivos das empresas são preenchidos por mulheres. Noventa por cento são brancos, incluindo mulheres e homens.

Canopy Growth, Curaleaf e Cresco Labs disseram à Insider que reconhecem a falta de diversidade dentro de suas empresas e estão buscando iniciativas como aumentar a contratação e estabelecer forças-tarefa de diversidade e inclusão para resolver o problema.

A diretora de recursos humanos da Canopy Growth, Holly Lukavsky, disse à Insider que a empresa implementou iniciativas como treinamento sobre preconceito inconsciente e treinamento de diversidade e inclusão, entre outros movimentos para garantir a construção de “um ambiente diverso, equitativo e inclusivo para nossos funcionários”, o que reflete melhor as comunidades que atende.

Lukavsky acrescentou que a Canopy estava priorizando a contratação de um vice-presidente de diversidade, equidade e inclusão para promover essa estratégia.

Um porta-voz da Curaleaf disse à Insider que ela havia estabelecido uma força-tarefa interna de diversidade, equidade e inclusão para promover esforços semelhantes.

O diretor de comunicações da Cresco Labs, Jason Erkes, disse que a empresa estava “buscando ativamente diversificar nossa empresa em todos os níveis” para garantir que sua representação refletisse “a diversidade das pessoas impactadas pela cannabis”.

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Menos de 2% dos empresários da cannabis são negros

Embora a análise da Insider tenha se concentrado em grandes empresas de cannabis, a história é semelhante para as pequenas empresas.

Menos de 2% dos empresários ou CEOs de empresas de cannabis são negros, de acordo com um relatório do Leafly, um site de informações sobre a cannabis, que cita a Cannaclusive, uma organização que luta pela inclusão de minorias na indústria da cannabis.

Os executivos das principais empresas de cannabis podem ser bem pagos. O CEO da Canopy, David Klein, recebeu US$ 33,8 milhões em compensação total em 2020, de acordo com os documentos da SEC (comissão de valores mobiliários dos EUA), enquanto Joe Lusardi, que era CEO da Curaleaf antes de deixar o cargo no ano passado, ganhou cerca de US$ 1 milhão em 2019. Kim Rivers, a CEO da Trulieve, ganhou US$ 443.750 em 2019.

As principais fontes de financiamento para as empresas de cannabis são indivíduos ricos, family offices e empresas de private equity e capital de risco dispostos a assumir o risco, mostrou o relatório da Insider.

“Esses são historicamente os tipos de capital aos quais as pessoas de cor não têm acesso”, disse Littlejohn.

Recentemente, alguns investidores, incluindo Jay-Z e o ex-All-Star da NBA Chris Webber, criaram fundos para investir em negros e outros empreendedores de cannabis minoritários.

Como a cannabis é federalmente ilegal nos EUA, na maioria dos casos, os empresários não podem ir à Small Business Administration* ou ao seu banco local para obter um empréstimo comercial.

Saiba mais: EUA: estados que legalizaram uso adulto da maconha geraram quase US$ 8 bi em impostos

Processos de licenciamento onerosos e a falta de capital mantêm as pessoas longe da cannabis

Em estados onde a cannabis é legal, como Califórnia e Massachusetts, pode ser difícil e caro obter uma licença para abrir um dispensário. Em alguns estados, pode custar mais de US$ 150.000 contratar os advogados e consultores necessários para montar um requerimento bem-sucedido, disse Littlejohn.

Isso pode criar barreiras para as solicitações de minorias, embora os estados reservem uma parte das licenças para os candidatos de “equidade”, definidos como aqueles das comunidades mais afetadas pela guerra contra as drogas, disse ela.

O SAFE Banking Act — um projeto de lei que está tramitando em ambas as câmaras do Congresso estadunidense, e que os especialistas dizem ter uma grande chance de ser aprovado nesta sessão — está procurando resolver questões em torno do acesso a bancos e empréstimos para empresários de maconha. Mas é improvável que seja uma solução rápida.

Littlejohn acrescentou: “Se eu acho que o SAFE Banking sozinho pode consertar séculos de racismo sistêmico quando se trata de finanças em nosso país? Não”.

*A Small Business Administration, ou SBA, é uma agência independente do governo dos EUA que tem o objetivo de auxiliar, aconselhar, assistir e proteger os interesses dos empreendimentos de pequeno porte no país.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra colaboradora com luvas e touca descartável brancas que maneja uma das várias plantas de maconha dependuradas num varal, em uma instalação da Terre di Cannabis, na cidade maltesa de Birkirkara. Foto: Andrea Porziella | Unsplash.

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