Pot in Rio: confira como foi a 7ª edição da feira canábica no Rio de Janeiro

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Realizada na tradicional Fundição Progresso, no último domingo (26), feira do setor canábico chega a sua sétima edição. Confira, a seguir, os destaques do Pot in Rio

No último domingo (26), a Lapa, no centro do Rio de Janeiro, recebeu milhares de amantes da cannabis, algo fora dos padrões até para o boêmio bairro carioca. Sobre as sombras dos Arcos da Lapa, na esquina da Fundição Progresso, a fumaça subia em ritmo de concentração; à espera da abertura dos portões da casa, prevista para às 14h, visitantes ansiosos soltavam fumaça sem parar, umas mais perfumadas que as outras, à espera do início de mais um Pot in Rio.

Prós

Parodiando um mega evento de música e reunindo grandes nomes da militância, artistas, influenciadores digitais e empresários, além da exposição da cultura e de marcas, com a maconha como tema central, o Pot in Rio vem desde 2012 evoluindo como um dos principais eventos do mercado canábico brasileiro.

E, por falar nisso, a edição de 2020 evoluiu sem dúvidas. Realizado em um dos espaços da antiga fábrica de fogões e cofres, a famosa Fundição Progresso, o maior centro de cultura independente carioca, o Pot In Rio contou com um espaço maior e confortável, com área externa e espaço para alimentação.

Outro ponto que podemos considerar como evolução foram os mais de 54 estandes que foram visitados por três mil pessoas que estiveram presentes, segundo a organização do evento – com destaque para a vasta quantidade de estandes de bancos de sementes presente.

“Foi uma oportunidade única de conhecer mais sobre seeds”, conta Leonardo P., 28 anos, que exibia entre amigos panfletos com informações sobre as variedades de sementes. “Tenho receio de importar sementes, mas em breve espero conseguir as que desejo e de forma legal”.

Para Lúcia Amaro, de 61 anos, foi uma surpresa ver uma prensa de extração ao vivo: “Já acompanhei, pelo insta da própria Smoke Buddies, as extrações durante os eventos internacionais, mas ver essas máquinas ao vivo foi fantástico”.

Na outra ponta, os expositores que conversamos também elogiaram a estrutura do espaço, o evento em si e, é claro, a presença do público.

“A gente veio no Pot in Rio deste ano para comunicar com os clientes finais, trouxemos um jogo de argolas para gerar interação. A feira está bem massa, o lugar cheio, muita gente curtindo o espaço”, conta Felipe Andrade, sócio da Puff Life.

Com nova morada definida, a organização já se prepara para mais um evento este ano: O Pot in Rio Festival Music, que será realizado na  Fundição Progresso, ainda em 2020, com mais detalhes a serem compartilhados pela organização do evento.

Contras

Como diz a famosa frase, “nem tudo são flores”. Apesar do sucesso que foi a edição deste ano, alguns pontos, listados abaixo, merecem cuidado e atenção para garantir a profissionalização cada vez mais forte deste evento que já marca a história da maconha no Brasil.

Data e local

A realização estava marcada, com pouco mais de dois meses de antecedência, para o dia 25 de janeiro, em outra localidade carioca. Contudo, 10 dias antes do evento, começou a ser divulgado o novo local e data desta edição. Pablo Serpa, um dos organizadores do Pot in Rio, disse à Smoke Buddies que questões de segurança os levaram a alterar o evento para a Fundição Progresso, que por sinal é um espaço muito melhor que o anterior.

O que poderia ser um ponto a favor tornou-se um complicador para muitos visitantes e expositores, principalmente os de fora da cidade, que já estavam com suas passagens de ida e volta em mãos e tiveram que se reprogramar ou simplesmente não puderam prestigiar o evento.

“Assim que anunciaram o evento, corri para garantir o melhor pacote de passagem com hospedagem”, conta J.*, que conversou com a Smoke Buddies na porta do evento que não conseguiu prestigiar, pouco antes de pegar seu voo para SP.

Sobre a bilheteria

Nas edições anteriores, o PiR trazia um formato de passaporte, onde o visitante recorria às lojas parceiras para garantir o seu acesso gratuito. Mas, levando em conta toda a estrutura da casa, havia de se imaginar (e entender) que, nesta edição, a entrada fosse paga.

O que não caiu bem foi o curto tempo de aviso sobre uma novidade importante como esta e a falta de informação sobre as vendas e mudanças de preços. Anunciados por R$ 50 a inteira ou meia-entrada a R$ 25, os ingressos chegaram a custar R$ 100 na porta. A falta de comunicação sobre bilheteria social, comum nos eventos da Fundição Progresso, ou sobre os lotes de valores prejudicou quem não estava financeiramente preparado para isso.

Quem não pôde acessar o evento devido o valor do ingresso optou pelo esfumaçado e canábico bloco Planta na Mente, que ensaiava em frente à Sala Cecília Meireles, na mesma Lapa, como também mostramos em nossa cobertura no Instagram.

Protesto e expulsão

Um dos assuntos que repercutiu de forma negativa é a expulsão da ativista Maria Gabriella, que vem há meses protestando nas redes sociais contra uma marca de sedas e, nesta edição do Pot in Rio, foi tirar satisfação com seus representantes ao vivo, no evento patrocinado, inclusive, pela marca.

Ela conta em seu Instagram  que teve êxito ao falar com a responsável pela empresa e destaca que ficou satisfeita com o posicionamento, mas foi retirada do evento ao protestar contra a presença de uma figura pública apontada, por ela, como agressor de mulheres.

Segundo Gabriella, os organizadores do evento alegaram que ela não representava a cena canábica e estava ali para tumultuar. Em vídeos, Maria Gabriella aparece protestando contra Francisco Blau Blau; ela lamenta a morte da sua mãe por violência doméstica.

No Brasil, registra-se 1 caso de agressão a mulher a cada 4 minutos, segundo dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), obtidos pela Folha de S.Paulo, e este é um assunto que não pode ser calado. Somos contra qualquer tipo de violência.

Questionada pela Smoke Buddies sobre o caso, a organização preferiu não se manifestar.

Fique por dentro dos eventos canábicos no Brasil e no mundo, clicando aqui.

#PraCegoVer: em destaque, fotografia de um letreiro com o logo do Pot In Rio, com iluminação nas partes retas das letras e um bong no lugar do último “o”, fixado em uma cerca de madeira com vegetação trepadeira. Foto: Dave Coutinho.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.
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