A Planta Negra

Se puxarmos o bonde da história pra trás, começamos a desvendar alguns mistérios em torno da proibição da maconha e, sem muita surpresa, encontramos o racismo.

Eu tenho tendência a desacreditar bastante dos livros de história, mas dizem que a cannabis chegou inicialmente ao Brasil através dos portugueses. O tecido de suas velas – dos barcos – seria composto de cânhamo. Realmente não sei dizer se os índios já tinham a planta antes dos bigodes chegarem.

Os primeiros a trazerem ela já bolada foram os escravos negros. Daí inicia-se o processo de criminalização. As primeiras autoações se datam do começo do século 20, quem era pego fumando maconha podia ser autuado por ‘vadiagem’; um ‘artigo’ – sei lá o nome disso – extremamente subjetivo e absurdo.

Uma tendência do preconceito é não atacar apenas a pessoa foco, mas também seus costumes e sua cultura. Daí o modo como a macumba é tratada por parte dos ‘cristãos’. Daí o modo como o funk é visto pela elite. Daí a proibição da maconha.

A expressão ‘maconheiro’ ainda é pejorativa, geralmente é direcionada ao ditos ‘vagabundos’ ou nóias.

Por melhor que sejam – e são – as novas discussões sobre cannabis, saibamos que o papo, de fato, só começou por um motivo: nós brancos gostamos do fuminho. Aí demos um jeito de – mesmo que moralmente – descriminalizar.

Agora falta respeitar a umbanda/candomblé, o funk e demais expressões de origem no povo negro.

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