Paraguai: o cânhamo entre a burocracia para camponeses e o fomento governamental dos oligopólios

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Juan Carlos Fisher, presidente da Câmara Paraguaia de Cannabis Industrial, detalhou a situação atual para o Industria Cannabis: apesar dos decretos que colocam o cânhamo como cultura de interesse nacional, os pequenos produtores se veem condicionados por entraves burocráticos e empresas que controlam toda a cadeia produtiva

A situação do cânhamo para os agricultores no Paraguai parece estar longe de mudar no curto prazo e encontra um lamentável novo capítulo. Há meses, o desenvolvimento do cânhamo está em xeque e sob tensão, com fortes reclamações sobre os privilégios que as grandes empresas têm por parte do governo, enquanto os pequenos agricultores não conseguem iniciar a fase de cultivo por que os órgãos reguladores colocam freios burocráticos.

Juan Carlos Fisher, presidente da Câmara Paraguaia de Cannabis Industrial (Cannapy), disse em conversa com o Industria Cannabis que “já estamos na fase final do cultivo, que é o que temos insistido desde o primeiro ciclo do ano passado. Este é mais um ano do qual possivelmente perderemos esse ciclo, com o máximo de burocracias”.

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Embora as sementes de cânhamo estejam na alfândega e a mercadoria tenha completado todo o processo de despacho, será possível retirá-las assim que a Cooperativa AgroNorte, que representa os agricultores familiares, assinar um convênio com o Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrária (IPTA) para realizar um teste dessas sementes e ser capaz de cultivar em paralelo. Tudo isso, disse Fisher, “apesar de o ministro em seu discurso ter dito que essas sementes já têm seu terceiro ciclo de testes”.

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Enquanto isso, um fato que acrescenta maior indignação entre os que defendem a entrada e a consolidação na produção de cânhamo dos agricultores familiares, é o conluio entre o governo paraguaio e três empresas que eles caracterizam como “privilegiadas”. Na publicação feita, indicam que percorreram seus campos de cânhamo com o Presidente da República do Paraguai, Mario Abdo Benítez. No entanto, as terras que definem como próprias são instalações do IPTA, isto é, do Estado.

“Obviamente, se nossas autoridades não negam, é por que o admitem”, disse Fisher. “É como alimentar um grande monopólio ou um oligopólio bem entrelaçado, para que eles tenham o controle das sementes, o controle dos pequenos agricultores, porque eles dão as sementes aos pequenos agricultores para trabalharem para eles”, acrescentou. O presidente da Cannapy, por sua vez, frisou: “o Ministério da Agricultura vai distribuir sementes, mas elas estão condicionadas a serem sementes das empresas beneficiárias e a produzir para elas”.

 

 

 

Fisher disse que ao conversar com o Ministério da Agricultura, as autoridades indicaram que entrar no cultivo de cânhamo “é fácil”. No entanto, afirmou que de fevereiro até hoje nenhuma empresa entrou no mercado devido às condições e que “não há empresa plenamente qualificada além das empresas privilegiadas e uma última que conseguimos, que só pode importar sementes, sem semear”. Na verdade, essas três empresas foram autorizadas antes do decreto que coloca o cânhamo como cultura de interesse nacional.

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“Vamos continuar insistindo para que os produtores que compraram essas sementes possam fazer sua experiência e realmente tenham os resultados que o próprio Ministério precisa para implementar. Não creio que o Ministério precise da experiência em lavouras mecanizadas que estão fazendo agora, quando o beneficiário é o pequeno agricultor”, disse o presidente da Cannapy. “Acho que é um ótimo alimento por parte do governo, o de beneficiar e promover futuros oligopólios”, disse.

Sobre a assinatura do acordo entre a Cooperativa AgroNorte e o IPTA, Fisher disse que não acredita que será rápido, por mais vontade e impulso que os setores camponeses liderados por esta cooperativa e Cannapy podem proporcionar. “Com o passar do tempo, fica cada vez mais difícil plantar uma safra onde as datas estão praticamente vencidas”, disse Fisher. Por fim, o referente da Câmara da Cannabis Industrial observou que continuarão lutando para reverter a situação: “queremos um agricultor camponês livre para vender seus produtos ao preço que melhor lhe convier”.

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#PraCegoVer: fotografia que mostra dois top buds bem desenvolvidos na parte direita do quadro, sendo que o mais próximo da margem é menor e aparece no segundo plano com menos nitidez, em fundo desfocado. Crédito: Freepik | jcomp.

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