Pacientes deixam de tomar benzodiazepínicos após uso de maconha medicinal, revela estudo

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Quase metade dos pacientes que usaram maconha para ajudar em suas respectivas condições médicas parou de tomar benzodiazepínicos prescritos, segundo um novo estudo. Com informações da Marijuana Moment

“Dentro de uma coorte de 146 pacientes iniciados em terapia médica com cannabis, 45,2% dos pacientes interromperam com sucesso a terapia pré-existente com benzodiazepina”, escrevem os autores do estudo. “Esta observação merece uma investigação mais aprofundada sobre os riscos e benefícios do uso terapêutico da cannabis medicinal e seu papel relacionado ao uso de benzodiazepínicos”.

Embora muita pesquisa tenha sido dedicada à compreensão de como a cannabis medicinal poderia potencialmente substituir os opioides em pacientes que lidam com dor crônica e outras doenças, o novo estudo sugere que pacientes que tomam Valium, Xanax e outros tranquilizantes populares para condições neurológicas (como ansiedade, insônia e convulsões) podem encontrar alívio através da maconha. Os resultados foram publicados no mês passado na revista Cannabis and Cannabinoid Research.

Pesquisadores no Canadá conduziram uma análise retrospectiva dos dados coletados de um grupo de pacientes que foram encaminhados à Canabo Medical Clinic para obter cannabis medicinal para tratar uma variedade de condições médicas. Eles identificaram 146 pacientes que relataram tomar benzodiazepínicos regularmente no início de seu tratamento com cannabis.

De acordo com suas descobertas, 44 pacientes (30%) haviam descontinuado seus benzodiazepínicos na primeira consulta de acompanhamento. Outros 21 interromperam o tratamento com benzodiazepina na segunda visita de acompanhamento e mais uma pessoa relatou fazê-lo na terceira visita. No total, 66 pacientes, ou 45% da amostra, pararam de tomar benzodiazepínicos após iniciar um regime de maconha medicinal.

“Os pacientes iniciados em terapia com cannabis medicinal apresentaram taxas significativas de descontinuação da benzodiazepina após a primeira visita de acompanhamento ao prescritor de cannabis medicinal e continuaram a mostrar taxas significativas de descontinuação posteriormente”, afirma o estudo. “A descontinuação não foi associada a nenhuma característica demográfica medida. Os pacientes também relataram diminuição do estresse diário devido às suas condições médicas após prescrição dos canabinoides”.

A quantidade de conteúdo de CBD e THC não pareceu desempenhar um papel em quem continuou ou descontinuou o uso dos tranquilizantes.

O desenho do estudo, no entanto, limitou a capacidade dos autores de especular sobre os mecanismos que sublinhavam seus resultados. Além disso, como eles não tiveram acesso a informações sobre quais strains de maconha os pacientes usavam ou como consumiam, os autores alertam que seus resultados não podem ser generalizados para o que está disponível nos mercados comerciais legais hoje.

“Os resultados do estudo são encorajadores, e este trabalho é paralelo ao crescente interesse público em um mercado canadense de cannabis em rápido desenvolvimento”, disse o principal autor Chad Purcell em comunicado. “Estamos aconselhando o público a observar cautela. Os resultados não sugerem que a cannabis seja uma alternativa às terapias convencionais. Nosso objetivo é inspirar outras pessoas a avançar no entendimento atual da cannabis, à medida que coletamos dados mais fortes sobre eficácia e segurança que levarão a políticas responsáveis ​​e práticas recomendadas de uso”.

O estudo também serve como uma oportunidade para chamar mais atenção para os riscos potenciais associados aos benzodiazepínicos, disse Purcell ao PsyPost. “Eu estava interessado neste projeto porque ele apresentava uma oportunidade de abordar o uso de benzodiazepínicos e cannabis, os quais estão se tornando cada vez mais socialmente relevantes. Os benzodiazepínicos podem ser eficazes no tratamento de muitas condições médicas, mas, diferentemente dos opioides, parece haver pouca conscientização do público sobre os riscos associados a esses medicamentos prescritos comumente usados”.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, as mortes por overdose relacionadas aos benzodiazepínicos aumentaram 830% entre 1999 e 2017.

Tradução: Joel Rodrigues | Smoke Buddies.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) em plano fechado que mostra uma porção de buds de maconha verdinhos, sobre uma superfície branca. Foto: Ndispensable | Unsplash.

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