Oregon, nos EUA, quer conter produção de maconha

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Desde que a maconha foi legalizada no estado americano, há cinco anos, Oregon enfrenta uma situação peculiar: o excesso na oferta já fez os preços da cannabis caírem por lá e, agora, um projeto de lei estuda barrar novas licenças de cultivo com base na oferta e na demanda. Informações da agência de notícias Associated Press via G1

O estado do Oregon, no noroeste dos Estados Unidos, aprovou, na última quinta-feira (30), um projeto de lei que dá à comissão de controle de destilados do estado mais liberdade para negar novas licenças de cultivo de maconha com base na oferta e na demanda. A substância foi legalizada no estado há cinco anos.

O objetivo não é apenas diminuir a quantidade da substância no mercado, mas também impedir o desvio de maconha legal não vendida para o mercado paralelo, além de evitar a repressão da Justiça, diz a Associated Press.

“A dura realidade é que temos muito produto no mercado”, disse a governadora democrata Kate Brown, que pretende assinar o projeto. Em janeiro deste ano, o mercado de maconha no Oregon tinha um estoque de fornecimento estimado de seis anos e meio, de acordo com um estudo da comissão de controle de destilados.

A oferta está sendo duas vezes maior que a demanda — o que significa que o excedente da colheita do ano passado, por si só, pode chegar a cerca de uma tonelada de maconha, pelos números da comissão. A quantidade é equivalente a mais de um bilhão de cigarros.

O estado não limita o número de licenças que podem ser emitidas. Em junho do ano passado, a comissão de destilados parou de aceitar novos pedidos para processar um acúmulo de solicitações que já durava meses. Mas, sob a lei atual, a entidade não tem autoridade específica para dizer não a candidatos qualificados, disse Mark Pettinger, porta-voz da organização.

Tradição

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#PraCegoVer: Fotografia mostra em plano fechado uma mão masculina de pele clara segurando um pote de vidro, com rótulo, recheado de cannabis. Foto: Richard Vogel | AP

O Oregon tem um dos maiores desequilíbrios desse tipo entre os 10 estados que legalizaram a maconha recreativa desde 2012 — em parte porque teve uma grande vantagem inicial no negócio. Com clima úmido e solo rico, o Oregon tem uma longa história de cultivo de maconha. Quando a erva foi legalizada, muitos produtores clandestinos foram legitimados e outros entraram no ramo.

Eles agora cultivam a planta em uma infinidade de campos, estufas e fábricas convertidas. Nos últimos três anos, 1.123 licenças de produtores ativos foram emitidas. A legislação aprovada na quinta-feira pode ser uma tábua de salvação para algumas empresas que estão sendo espremidas pelas forças do mercado.

Os preços de varejo para a maconha legal no estado despencaram de mais de 10 dólares por grama (cerca de R$ 40) em outubro de 2016 para menos de 5 dólares (cerca de R$ 20) em dezembro passado. Ao mesmo tempo, as empresas menores estão sentindo a concorrência de outras, maiores e mais ricas — algumas de fora do estado.

As autoridades temem que alguns detentores de licenças desviem seus produtos para o mercado paralelo, em vez de vê-los não serem vendidos.

“Somos uma indústria muito jovem”, disse Margo Lucas, que planta e vende maconha no Vale do Willamette. Ela espera que a medida lhe dê espaço para os negócios.

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#PraCegoVer: Fotografia mostra, em primeiro plano, o top bud de uma planta fêmea de maconha em floração, quase como que enfeitado por suas próprias folhas de cinco pontas. Foto: Don Ryan | AP

Margo observou que os produtores não podem buscar proteção federal contra falência — a maconha ainda é ilegal sob a lei federal, e os bancos evitam a indústria — e que muitos proprietários fizeram empréstimos pessoais para financiar seus negócios.

Opositores dizem que o projeto de lei levará os produtores a quem as licenças são negadas para o mercado ilegal, se já não estiverem lá.

“Essa trilha atual parece um passo gigante em direção à proibição, que sempre foi um desastre”, disse Blake Runckel, de Portland, a parlamentares em um depoimento escrito.
Para evitar que o excesso de maconha que ainda está em forma de folha se estrague, processadores estão convertendo partes da erva em produtos concentrados e comestíveis, que têm vida útil mais longa, disse o porta-voz da comissão de destilados.

O projeto de lei para reduzir a produção poderia “manter os federais fora de nossas costas”, disse Rob Bovett, advogado da Associação dos Condados do Oregon, aos parlamentares do estado.

Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA disseram que não interferirão nos negócios de maconha legal dos estados, desde que a erva não seja contrabandeada para outros estados e que outros padrões sejam cumpridos. A esperança é que, a longo prazo, o governo federal permita o comércio interestadual de maconha, o que proporcionaria uma saída para a maconha do Oregon.

#PraCegoVer: Fotografia de destaque mostra, em primeiro plano, brotos de maconha sendo colocados em uma máquina de aparar. Nas mãos da pessoa que manipula as plantas, luvas cirúrgicas e uma tesoura. Foto AP | Andrew Selsky

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