Vende-se maconha

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A proibição da canábis prejudica a economia e deixa o mercado bilionário na mão de criminosos

Numa sociedade que vende venenos e armas dentro da lei, curiosamente o comércio de maconha é proibido por oferecer suposto risco à saúde e à vida das pessoas. Essa mutreta cognitiva fica ainda mais explícita numa economia de mercado como a nossa, em que a negociação de produtos e serviços é a base da organização social. Num país governado por cabeças empreendedoras a repressão à droga seria inaceitável, tamanho o estrago econômico que o proibicionismo provoca.

A proibição é sobretudo uma violenta intervenção estatal no mercado. Para desencorajar a produção, o comércio e o consumo de certa substância, criam-se penas de multa, confisco e prisão. É uma política de redução de oferta, que torna difícil e arriscado para os vendedores fornecer o produto ao cliente. Mas quanto maior o risco, melhor o lucro, e o que não falta é gente interessada em grana alta e suja. A expectativa de vida de chefes do tráfico nas favelas brasileiras não chega aos 30 anos, ainda assim muitos jovens se matam para ser o próximo dono do morro.

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Na outra ponta, preços altos levam o consumidor a substituir uma mercadoria proibida por um produto mais barato e perigoso. No mercado clandestino, o comprador fica à mercê do que for oferecido, geralmente em leque limitado e sem qualquer controle de qualidade, o que aumenta muito o risco de overdose e outras complicações decorrentes do uso. À míngua de regulamentação, trapaça e pilantragem fazem parte do negócio dos traficantes. Quem se ferra é o consumidor, que vai à festa do cacete vestido de bunda.

Do ponto de vista econômico, a proibição é uma tragédia. O Brasil é um país proibicionista que tem cerca de 163 mil presos por tráfico de drogas. Esses comerciantes de substâncias psicotrópicas — ofício semelhante ao do farmacêutico — custam ao país por volta de R$ 5 bilhões a cada ano. Uma fortuna para encarcerar vendedores de mercadorias e lhes desovar na mesma vala comum de ladrões, assassinos e estupradores.

Por outro lado, o Canadá gerou no primeiro semestre de 2021 uma receita de um bilhão de dólares com a venda de canábis. Na cotação atual, o montante beira os R$ 6 bilhões. Nesse contexto de emprego e renda, criminalizar é empobrecer, deliberadamente. Mas é possível tirar o nariz de palhaço e construir um novo caminho para um país melhor e mais próspero.

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A maconha é remédio, lazer e entretenimento. Não há motivo razoável para banir a planta do mercado formal. Ela não causa doenças no fígado, como a bebida, nem nos pulmões, como o cigarro. Também não provoca ataque cardíaco, como um combo de fast-food. Fácil perceber que a proibição não tem inteligência nem respaldo científico, mas foi tirada do sovaco de burocratas trabalhados no racismo e no moralismo de goela.

Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados. Além de causar mortes, prisões e injustiças de toda ordem, a proibição da maconha e de outras drogas tem um custo insustentável à sociedade. É uma medida extremamente burra, em que perdem os empresários, os clientes e os cofres públicos. Os únicos beneficiados pela criminalização são os traficantes.

Se Deus criou limites à inteligência humana, os proibicionistas comprovam que para a burrice não há barreiras.

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#PraTodosVerem: fotografia que mostra a ponta de um baseado, ao centro e na vertical, onde vê-se o bud, em tons de laranja e roxo, transbordando a seda, e um fundo amarelo. Foto: THCamera Cannabis Art.

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Sobre Leonardo Padilha

Leonardo Padilha é advogado canabista, jornalista e especialista em educação. leonardopadilha.advogado@gmail.com
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