O VIÉS IDEOLÓGICO NAZISTA DE BOLSONARO

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“Como se não bastassem todas essas evidências, na última segunda-feira, exatamente no mesmo dia da ‘Noite das Facas Longas’, em 1º de julho, o exército brasileiro e o governo Bolsonaro homenagearam um major nazista condecorado por Hitler”. Leia mais no artigo do Dr. André Barros

Bolsonaro frequentemente afirma que várias decisões anteriores ao seu governo continham um “ viés ideológico”, porém, não esclarece qual. Ele fala especificamente dos governos Lula e Dilma, referindo-se aos mesmos como socialistas e comunistas, mas já chegou até a insinuar o mesmo contra o governo FHC. Tais afirmações não têm cabimento, pois algumas medidas tomadas, tais como o programa Bolsa Família e o aumento do salário mínimo, tiveram cunho humanitário, tendo  conseguido reduzir um pouquinho nossa criminosa desigualdade social, onde as seis pessoas mais ricas do país têm mais dinheiro que as cem milhões de pessoas mais pobres.

Com tais afirmações, Bolsonaro quer aparentar que não tem qualquer ideologia. Lembrando as constantes declarações homofóbicas do Presidente da República, eleito com o discurso de combate ao suposto “Kit Gay”, seu viés ideológico fica evidente.

Antes de Hitler, Berlim era uma cidade que respirava ares libertários. Eram famosos os espetáculos com travestis em seus cabarés. O médico e sexólogo Magnus Hirschfeld, pioneiro na defesa dos homossexuais, criou o Instituto para Estudos da Sexualidade e a tese do terceiro sexo, defendendo que todas as pessoas têm variáveis masculinas e femininas. Uma das primeiras medidas dos nazistas, quando chegaram ao poder em 1933, foi destruir o instituto e incendiar sua biblioteca. Antes disso, casais gays, casas noturnas e a comunidade LGBT eram representativas em Berlim.

Em seu livro “Mein Kampf”, Hitler escreveu que o “homossexualismo” era incompatível com o nazismo, pois não permitiria a reprodução da “superior raça pura Ariana”, que era a degeneração da raça e ainda por cima atribuía aos judeus todo esse movimento libertário.

Em 1º de julho de 1934, Hitler comemorou sua ascensão a chanceler da Alemanha, determinando a morte com execuções extrajudiciais de quase cem pessoas. O expurgo ficou conhecido como a “Noite das Facas Longas”. Assim, ganhou o apoio do exército alemão, que exigia inclusive a morte de seu amigo Ernest Rohm, conhecido por sua homossexualidade, líder da milícia de três milhões de camisas pardas, que foi fundamental para a chegada de Hitler ao poder. Rohm foi executado a facadas na cama do seu quarto com outro homem naquela noite.

O Partido Nazista, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, dominou politicamente o país de 1933 a 1945 e mandou para os campos de concentração milhares de homens gays, que eram identificados em suas roupas de prisioneiro com o “triângulo rosa”.

A homofobia do atual Presidente do país que mais mata travestis e transexuais no mundo é gravíssima. Chegou ao ponto de fazer o Supremo Tribunal Federal, por 8 X 3, criminalizar a homotransfobia como racismo, tipificado em várias condutas pela Lei 7716/1989, conhecida como “Lei Caó”.

Como se não bastassem todas essas evidências, na última segunda-feira, exatamente no mesmo dia da “Noite das Facas Longas”, em 1º de julho, o exército brasileiro e o governo Bolsonaro homenagearam um major nazista condecorado por Hitler. Por todo exposto, o viés ideológico de Bolsonaro está mais do que comprovado: é nazista!

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#PraCegoVer: Fotografia (de capa) retrata uma aglomeração de rostos desfocados e, ao centro, uma pessoa com os braços erguidos e um cartaz, com fundo vermelho, uma colagem com metade do rosto de Bolsonaro, metade de Hitler, e a frase “ele não”.  Foto: Euromade.

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Sobre André Barros

ANDRÉ BARROS é advogado da Marcha da Maconha, mestre em Ciências Penais, vice-presidente da Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sociopopular da Ordem dos Advogados do Brasil e membro do Instituto dos Advogados Brasileiros
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