O que é que tinha no cachimbo do Popeye?

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‘Mano vou ali plantar um chá’ é o recém-lançado single do rapper Sombra MC, que completa a trilogia musical do artista com um novo olhar para a questão da maconha

Um refrão-chiclete, um feat pesado, um beat envolvente, uma mensagem poderosa. Essa é a fórmula do rapper Sombra para versar, com contundência e criatividade, sobre o estado de proibição que criminaliza o cultivo da erva no Brasil – e sobre o caminho para enfrentar a situação. Lançado no Dia Mundial da Maconha (20), o single do MC, em parceria com Funk Buia e produzido pelo BiD, completa uma trilogia sonora que começou em 2014, com a faixa ‘Mano eu vou ali comprar um chá’ e que, em 2019, ganhou a versão ‘Part 2’, com participação de Rael e Jorge du Peixe (Nação Zumbi).

“É um assunto pertinente, entre tantos que a gente trata, pela galera que está sendo presa e morrendo por causa de um pé de planta”, explica o músico, cuja caminhada no rap brasileiro vem de “longínquas distâncias”, como ele mesmo costuma dizer: em 1996, Sombra fundou o Somos Nós a Justiça (SNJ), icônico grupo que marcou uma geração com faixas como ‘Se Tu Lutas, Tu Conquistas’ e ‘Pensamentos’.

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Em um papo reto com a Smoke Buddies, o músico contou sobre a motivação por trás do lançamento do novo single, a simbologia na troca do verbo ‘comprar’ por ‘plantar’ e a importância de tratar o assunto através da música. Confira:

Smoke Buddies – O que te motivou a completar essa trilogia sonora trazendo uma releitura sobre o tema? Por que trocar o verbo do título?

Sombra – Eu já vinha de duas músicas que tratam desse assunto. Para completar a trilogia, montamos um outro laboratório, com uma outra galera. E dessa vez, não fizemos a ‘Part 3’, mas ‘Mano eu vou ali plantar um chá’. Porque se a gente briga, luta reivindica esse direito de ter acesso ao plantio, não pode ficar falando que vai comprar, tem que falar que vai plantar essa parada e, dentro da nossa legislação, ter uma brecha para que isso venha a se suceder.

Um laboratório com pessoas adentradas, específicas no assunto, deu a chance de abordar o tema de uma forma ao mesmo tempo radical, irônica e satírica, que possa trazer um estado de humor e bem-estar e de informação, de conhecimento.

Qual a sua relação com a maconha?

Eu não comecei a fumar molecão, igual os caras na minha quebrada. Eu comecei a fumar com quase trinta anos, e eu sou intenso naquilo que faço quando vejo que aquilo é bom, que não vai tomar de mim o que me pertence. Na minha visão, maconha não é droga, é uma planta que se a gente souber cultivar, tratar, colher e cuidar com muito carinho, vamos ter a soma do bem-estar quando tiver queimando, né?

Como você vê a importância de tratar o assunto do cultivo e do uso social de maconha no rap?

O fato de inserir como trilha sonora o assunto, ficar batendo na tecla de diversas formas para fazer com que as pessoas compreendam, a gente fez isso porque é o certo. A gente quer que a sociedade nos veja como alguém que saca um cigarro e fuma, em casa, na rua, nos lugares onde é permitido.

Do jeito que está, eu vou falar para você, está ruim. Por causa disso, eu já fui esculachado, quase já fui preso, e se pá já quase morri. Outros parceiros meus não tiveram a oportunidade que eu tive para estar aqui servindo de exemplo e falando sobre, do jeito que eu entendo, tentando ser mais um militante, usando isso como ferramenta para trazer esse assunto à tona.

Como você enxerga a questão da legalização no Brasil?

Acredito que nos meios medicinais e de pesquisa, há um avanço nesse sentido. Mas o modo de cultivar e do consumo recreativo no Brasil continental é marginalizado, tratado com negatividade.

O futuro é agora, no momento que estamos falando. Essa parada já tinha que ter sido legalizada. Mas, como a gente sabe, as leis são regidas por pessoas que não estão a favor do interesse comum da população, mas em interesses econômicos e lucrativos para os fins deles. Falta uma atitude mais elevada de quem pensa nas nossas leis. Eles não são cegos, não são burros, estão vendo o que está acontecendo no mundo.
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O single ‘Mano vou ali plantar um chá’ conta com produção executiva da Zulusoljah Nibiru Recordz BR, produção musical de BiD (que também assina a composição com Sombra e Funk Buia), mixagem de Evaldo Luna, beat de Pancho Trackman, teclado de Rafael Senegal e trombone de Andres Hynes, e está disponível nos principais canais de streaming da internet. A fotografia é assinada por Paola Vianna, ilustração por Markone e a direção de arte é de Rafael Terpins.

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#PraCegoVer: Foto (de capa) mostra à esquerda o músico Funk Buia, vestido em alusão ao marinheiro Popeye, com um chapéu, camiseta listrada e um cachimbo na boca. Ao seu lado, o rapper Sombra veste uma boina vermelha, em alusão ao Saci, e também leva um cachimbo à boca. Foto: Paola Vianna.

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