O mercado antiproibicionista e seus preconceitos

capa O mercado antiproibicionista e seus preconceitos

O atual desgoverno que temos é totalmente proibicionista e preconceituoso e, a meu ver, nosso mercado deveria ser o oposto, mas não é

Quando comecei a fumar um, o preconceito contra a maconha era imperativo! Éramos chamados de maconheiros de uma forma muito pejorativa, como se estivéssemos sendo chamados de assassinos ou algo do tipo, o preconceito era tão grande que as pessoas que não fumavam achavam que éramos capazes de matar após ter fumado, típico de quem não entende ou não quer entender.

O atual desgoverno que temos é totalmente proibicionista e preconceituoso e, a meu ver, nosso mercado deveria ser o oposto, mas não é.

Percebo que, hoje em dia, ao invés de lutarmos contra os proibicionistas e nos unirmos uns com os outros para fazer essa luta ter mais força, vejo uma desunião e muito preconceito que gerará cada vez mais dificuldade na nossa luta pela regulamentação da maconha.

Aprendi, ainda quando pequena, que ao defender meu ponto de vista precisaria fazer de forma calma e inteligente, porque no momento que eu gritasse, brigasse ou perdesse a cabeça, junto, perderia minha razão e o propósito da defesa de qualquer questão.

Baseada em meu aprendizado de vida quero levantar a questão do preconceito que não deveria existir em um mercado antiproibicionista.

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Vejo quase que diariamente empresários do setor, vendedores, assim como clientes que julgam e afastam pessoas que não fumam ou até quem fuma menos. Aí está o grande problema! Quando se começa uma luta e se tem menos pessoas juntas de nós, precisamos abrir a cabeça e espaço para quem apoia, mesmo sem usar, pois essa batalha só será vencida se houver união real. Fingir que apoia quem é de fora e formar panelinha sem incluir esses lutadores faz com que a luta já esteja perdida, e isso é o que acontece nesse mercado onde só importa se você é quem aperta o baseado mais bonito ou se você tem os melhores fumos. Tudo errado!

Sustentar uma possível segregação é péssimo em todos os aspectos, aos hempreendedores isso significa menos vendas, já que, se o cliente não é um(a) maconheiro(a) com M maiúsculo, não merece estar naquele meio, automaticamente afasta-se possíveis clientes — afinal, bongs, sedas, vaporizadores, roupas e outros acessórios ligados à cultura são opções certeiras mesmo para quem não consome presentear consumidores da erva. E que consequentemente deixa uma experiência negativa para esses possíveis clientes “que não são usuários(as) master, usuários intensos ou diários”, por não receberem o mesmo tratamento dos clientes que fumam mais que Rihanna e Snoop Dogg.

Se nos mantermos nesse caminho, continuaremos seguindo na direção do fracasso!

Além da perda de possíveis clientes — afinal todo mundo conhece alguém que fuma um — segregar é prejudicial à luta pela regulação da maconha. Deveríamos nos espelhar no movimento LGBTQIA+, onde pessoas que não possuem uma relação homoafetiva também apoiam, defendem a diversidade, buscam mais representatividade e direitos para esta comunidade, e assim poderia ser com a maconha, levando às ruas muito mais gente e não só os consumidores da planta, mas sim todos que apoiam uma mudança na política de drogas.

Sonho com o dia em que teremos amigos, vizinhos e parentes ‘caretas’, todos juntos sem medo de serem julgados, lado a lado de seus maconheiros favoritos nas Marchas da Maconha. Sendo assim, te convido a abrir sua cabeça e começar a conversar com as outras pessoas para poder aprender mais a como fazer uma luta justa e que tenha possibilidade de sucesso.

Caso concorde em dar uma chance real ao sucesso da nossa luta, gostaria de te estimular a estudar o assunto, lendo matérias científicas, conversando com médicos e advogados para saber a melhor forma de agir e, principalmente, a encontrar uma forma de fazer com que o mercado se una de verdade, deixando de lado as birras da concorrência e principalmente o preconceito com quem não fuma, mas apoia a causa.

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#PraTodosVerem: macrofotografia detalha uma planta de maconha, com os tricomas translúcidos saltando da superfície verde e se encontrando no centro da foto, cujo fundo é preto. Foto: THCamera Cannabis Art.

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Sobre Maria Flor

Empresária, maconheira, PhD em críticas e desconstrução de pensamentos.
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