Novo estudo mostra efeitos da cannabis de alta potência na memória

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Pesquisadores da Universidade Estadual de Washington não observaram nenhum impacto negativo nos usuários de cannabis em testes de tomada de decisão, contudo encontraram alguns problemas de memória. Pessoas que vaporizaram concentrados com mais de 60% de THC tiveram desempenho comparável ao daquelas que fumaram maconha in natura menos potente

Mesmo antes de a pandemia tornar o Zoom onipresente, pesquisadores da Universidade Estadual de Washington (WSU) estavam usando o aplicativo de videoconferência para pesquisar um tipo de cannabis que é pouco estudado: o tipo que as pessoas realmente usam.

Para o estudo, publicado na Scientific Reports, os pesquisadores observaram usuários de cannabis durante reuniões via Zoom enquanto fumavam cannabis de alta potência ou concentrados que compraram em dispensários de maconha no estado de Washington, onde o uso social de cannabis é legal. Em seguida, aplicaram aos participantes uma série de testes cognitivos.

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Os pesquisadores não encontraram nenhum impacto no desempenho dos usuários em testes de tomada de decisão em comparação com um grupo de controle sóbrio, mas encontraram alguns problemas de memória relacionados à recordação livre, memória de origem e memórias falsas.

Embora as descobertas estejam de acordo com pesquisas anteriores sobre cannabis de baixa potência, este estudo é um dos poucos a investigar a cannabis que contém muito mais do que 10% de tetraidrocanabinol (THC), o principal ingrediente psicoativo da planta. Este é apenas o segundo estudo conhecido para examinar o efeito dos concentrados de cannabis.

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“Por causa das restrições federais aos pesquisadores, simplesmente não foi possível estudar os efeitos agudos desses produtos de alta potência”, disse Carrie Cuttler, psicóloga da WSU e pesquisadora principal do estudo. “A população em geral nos estados onde a cannabis é legal tem acesso muito fácil a uma ampla gama de produtos de cannabis de alta potência, incluindo concentrados de cannabis de potência extremamente alta que podem exceder 90% de THC, e estamos limitados a estudar a planta in natura com menos de 10% de THC”.

 

 

 

Embora 19 estados americanos, além de Washington D.C., tenham legalizado a cannabis para uso adulto, o governo federal dos EUA ainda a classifica como uma droga de Tabela 1, denotando que ela tem um alto potencial para abuso e nenhum benefício medicinal. Até recentemente, os pesquisadores interessados em estudar a maconha estavam limitados a usar plantas de baixa potência com cerca de 6% de THC fornecidas pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA). Em junho, a US Drug Enforcement Administration (agência antidrogas dos EUA) indicou que pode permitir que algumas empresas comecem a cultivar cannabis para fins de pesquisa.

Para este estudo, que começou em 2018, Cuttler e seus colegas encontraram uma maneira de estudar os efeitos da cannabis de alta potência e ainda cumprir as diretrizes federais. Os participantes do estudo compraram seus próprios produtos e os usaram em suas próprias casas. Eles nunca estiveram em um laboratório de propriedade federal, e os pesquisadores nunca manusearam a maconha eles mesmos. Os participantes não foram reembolsados ​​pela compra. Em vez disso, eles foram compensados ​​por seu tempo com cartões-presente da Amazon. Todos os participantes tinham mais de 21 anos e eram usuários de cannabis experientes que não relataram reações negativas anteriores à cannabis, como ataques de pânico. O método do estudo foi aprovado pela Divisão WSU do Gabinete do Procurador-Geral e pelo conselho de ética em pesquisa da universidade.

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Os 80 participantes foram divididos em quatro grupos: dois grupos usaram buds de cannabis com mais de 20% de THC, mas um contendo canabidiol (CBD), um componente não psicotrópico da cannabis, e outro sem CBD. Outro grupo vaporizou concentrados de cannabis com mais de 60% de THC que incluía CBD. Um quarto grupo permaneceu sóbrio.

Para todos os grupos de usuários de cannabis, os pesquisadores não encontraram nenhum efeito em uma série de testes de tomada de decisão, incluindo percepção de risco e confiança no conhecimento. Em alguns testes de memória também não houve diferenças significativas entre os grupos de usuários de cannabis e sóbrios, incluindo memória prospectiva — a capacidade de lembrar de fazer coisas em um momento posterior, como comparecer a uma consulta. Os participantes usuários de cannabis também se saíram bem na memória de ordem temporal, a capacidade de lembrar a sequência de eventos anteriores.

No entanto, os grupos que fumaram buds de cannabis com CBD se saíram pior em testes de recordação verbal livre — eles foram incapazes de lembrar tantas palavras ou imagens que lhes foram mostradas em comparação com o grupo sóbrio. Esse achado foi contrário a um pequeno número de estudos anteriores indicando que o CBD pode ter um efeito protetor sobre a memória. Os grupos que usaram cannabis sem CBD e concentrados tiveram pior desempenho em uma medida de memória de origem, o que significa ser capaz de distinguir a forma como a informação previamente aprendida foi apresentada.

Finalmente, todos os três grupos de usuários de cannabis se saíram mal em um teste de falsa memória — quando dada uma palavra nova e perguntada se ela havia sido apresentada antes, eles eram mais propensos a dizer que sim quando não foi.

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Houve também uma descoberta inesperada: pessoas que vaporizaram os concentrados de alta potência com mais de 60% de THC tiveram um desempenho comparável ao daquelas que fumaram cannabis in natura. Isso pode ter acontecido por que eles tendiam a se “autotitular” — usando menos da droga para atingir um nível semelhante de comprometimento como as pessoas que fumaram a cannabis menos potente.

Cuttler disse que isso era motivo de otimismo cauteloso sobre os concentrados pouco estudados, mas amplamente disponíveis.

Tem havido muita especulação de que esses concentrados de cannabis realmente de alta potência podem aumentar as consequências prejudiciais, mas não houve quase nenhuma pesquisa sobre concentrados de cannabis que estão disponíveis livremente para as pessoas usarem”, disse Cuttler. “Eu quero ver muito mais pesquisas antes de chegarmos a qualquer conclusão geral, mas é encorajador ver que os concentrados não aumentaram os danos”.

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#PraTodosVerem: foto de uma mão que, com a palma voltada para a câmera, segura um baseado entre os dedos indicador e médio, com uma peça de madeira redonda e folhas de maconha compondo o cenário, no segundo plano, em fundo bege. Fotografia: Nataliya Vaitkevich / Pexels.

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