Necropolítica – Dando a Letra

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Denominado pelo filósofo social camaronês Achille Mbembe, o termo Necropolítica é traduzido, basicamente, pela maneira que o Estado utiliza a morte como um artificio político. Em sua essência, a discussão da Necropolítica é sobre a morte e apropriação dos “corpos” como um objeto de gestão. Entenda mais no texto de Nico Cordeiro

“Do alto do morro, rezam pela minha vida.
Do alto do prédio, pelo meu fim.” — Djonga

Em todas as pautas abordadas no Projeto “Dando a Letra” é possível ver a clara influência do Estado na execução do povo preto e na linha de frente do racismo. Aqueles que detêm o poder possuem em suas mãos o direito à escolha entre a vida e a morte de povos de baixa renda (“curiosamente”, em sua maioria, negros).

O termo Necropolítica foi denominado pelo filósofo social camaronês Achille Mbembe. Esse termo é traduzido, basicamente, pela maneira que o Estado utiliza a morte como um artifício político. Em sua essência, a discussão da Necropolítica é sobre a morte e apropriação dos “corpos” como um objeto de gestão.

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O psicanalista Dr. Fábio Nóbrega Franco, em análise à obra de Mbembe, afirma que o Estado se apropria da vida como um todo e, além de decidir quem deve ou não morrer e quem irá matar, também tem a escolha de como será essa morte, com critérios do próprio Estado. Dessa maneira, fica fácil analisar que em um país como o Brasil, onde a política de gestão se mistura a concepções estruturais de racismo, a Necropolítica tem um público alvo. A gestão Necropolítica está essencialmente ligada a opressões estruturais de raça, classe e gênero e se apropria de ferramentas públicas para se efetivar.

No Brasil, a gestão de segurança pública segue sob comando de mãos violentas e racistas e, como consequência, temos o descaso total com vidas negras nas periferias. Essa péssima administração da segurança pública, que deveria cuidar da vida dessas populações, através de ideais racistas define quem e como essa população deve morrer. Essa é a realidade Necropolítica brasileira, sob o disfarce de uma guerra de combate às drogas nas comunidades periféricas, estados brasileiros promovem o genocídio sem pudor algum. Ainda que digam não direcionar suas políticas dessa forma, os números mostram o contrário.

Além de ser executada com tamanha atrocidade, a Necropolítica não se trata apenas de ações diretas que levam à morte, mas também de forma indireta, ou seja, gerindo as condições de existência de certas populações para que estejam o tempo todo em situações vulneráveis e passíveis de serem mortas. Isso gera manipulação, através do medo, nas comunidades.

A Necropolítica é um projeto e, como todo projeto, possui diversas formas de se efetivar e alcançar seus objetivos. Falamos muito sobre a gestão da segurança pública mas, a partir do momento em que temos um Estado que não se movimenta para fornecer condições básicas de existência a determinados locais, acabamos por ter ambientes que favorecem a morte dessas populações. A falta de investimentos em infraestrutura nas comunidades, bem como a má gestão da saúde pública, funcionam como braços do Estado na Necropolítica. O Racismo Ambiental está totalmente ligado a essa questão!

Mas afinal, por que o Estado brasileiro promove a Necropolítica? O que ganham os governantes promovendo este tipo de gerenciamento da morte? Responder essas questões é simples: Corrupção, desvio de verba pública e o mais óbvio, a “supremacia branca” se mantendo no poder. Além disso, como toda boa “cortina de fumaça” e a criação de um “inimigo”, o Estado consegue justificar suas atuações desumanas e racistas sem que as atenções estejam direcionadas a ele.

A sociedade brasileira possui uma sensibilidade muito baixa a injustiças direcionadas a populações negras. Como herança da escravidão nossa sociedade construiu uma “empatia seletiva” e com isso o Estado mantém a Necropolítica direcionada ao povo preto e periférico, já que as chances de reação popular são menores por conta do medo.

Em resumo, pensar a Necropolítica é enxergar como o Estado, seus braços e suas ferramentas exercem poder político social que administra a vida e a morte de grupos marginalizados, promovendo assim ainda mais opressão e reafirmando um projeto de genocídio de populações negras no Brasil.

E você, sabia que a Necropolítica existe!? Já ouviu esse termo? 

Se essa pauta do Projeto “Dando a Letra” fez você aprender e refletir, compartilhe ela com algum amigo, conhecido ou parente e nos diga sua opinião nos comentários! 

Vamos gerar debates e boas ideias em rumo ao fim de todo ódio!

Curadoria por  @levikaiquef

#PraCegoVer: a imagem de capa é uma colagem que traz um recorte da capa do quarto álbum do rapper Djonga, com a foto rasgada ao meio, onde aparecem partes dos corpos de pessoas negras baleadas no chão, além do logo da Bem Bolado Brasil, do nome do projeto ‘Dando a Letra’, um bilhete onde se lê ‘curadoria Levi Kaique @levikaiquef’ e o nome do texto, “NECROPOLÍTICA”. Crédito: Bem Bolado Brasil.

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