“Não considerar a cannabis como parte integrante do tratamento do câncer significa omissão terapêutica”, diz médico italiano

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Em entrevista ao portal CannabisTerapeutica, o Dr. Attilio Calvanese, dos Cuidados Paliativos e Terapia da Dor do Hospital San Gennaro e especialista em medicina canábica, fala sobre o uso de cannabis no tratamento de pacientes com câncer. Confira, a seguir

“Hoje, não levar a cannabis medicinal em consideração como parte integrante do tratamento de vários tipos de câncer significa ser culpado de omissão terapêutica que não admite ignorância. Há muita literatura de colegas oncologistas no PubMed, não apenas experimental, mas também clínica. Se você esperar que um representante médico lhe proponha em sua clínica entre uma visita e outra, isso não acontecerá porque não se trata de um medicamento comercializado pela indústria farmacêutica, e isso talvez não seja um defeito, mas sim uma virtude. Na medicina é preciso mais coração do que química, nas farmácias mais galênica que indústria” — Dr. Attilio Calvanese, Cuidados Paliativos e Terapia da Dor do Hospital San Gennaro, em Nápoles, Itália.

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Para saber mais sobre o uso de cannabis medicinal como parte integrante do tratamento de pacientes com câncer, o CannabisTerapeutica.info entrevistou o Dr. Attilio Calvanese, dos Cuidados Paliativos e Terapia da Dor do Hospital San Gennaro, em Nápoles, e especialista em terapia com cannabis medicinal.

Quais são os principais benefícios da terapia com cannabis para pacientes com câncer?

Uma terapia à base de cannabis tem vários benefícios, por exemplo, ajuda a reduzir a dor e a fadiga e estimula e restaura o apetite perdido devido à doença e à quimioterapia. Além disso, pode, em associação com a quimio, favorecer também a redução da proliferação em algumas linhagens de células neoplásicas, principalmente por potencializar a apoptose, ou seja, a morte celular programada. Todos efeitos benéficos que são muito importantes e não devem ser subestimados.

Como a terapia é desenvolvida? É combinada com tratamentos tradicionais?

Infelizmente, no momento a terapia está subdesenvolvida e isso acontece principalmente por que ainda não existem diretrizes oficialmente aprovadas que prevejam o uso de cannabis ao lado da quimioterapia tradicional. Para a dor oncológica em si, por exemplo, a cannabis não é a primeira opção, mas sim uma opção de reserva que é considerada apenas após o fracasso dos tratamentos analgésicos tradicionais à base de opioides. É necessária uma mudança.

Por que, sempre que possível, é melhor priorizar um tratamento à base de cannabis a uma droga opioide?

Os tratamentos à base de opioides podem causar danos ao corpo em longo prazo e, em alguns casos, levar ao vício. Além disso, eles devem ser evitados em particular no caso de sintomas e efeitos colaterais como depressão respiratória, constipação ou náuseas, preferindo-se outras terapias.

Como está a situação na Itália? Quais são as principais dificuldades em ativar esse tipo de tratamento alternativo?

Infelizmente, em território nacional, os centros prescritores, que então prescrevem terapias à base de cannabis, ainda são poucos e muitas vezes até a cannabis como matéria-prima encontra oferta escassa em farmácias magistrais autorizadas, ou seja, aquelas que preparam medicamentos diretamente. Precisamos de mais difusão em todas as frentes.

Pesquisas, algumas datadas de 1974, revelaram uma capacidade particular da cannabis e, especificamente, do THC de desencadear mecanismos capazes de matar células cancerosas sem danificar as saudáveis. Em que ponto estão seus estudos? Como são explorados, se são explorados?

Na realidade, enquanto em experimentos com animais os estudos dedicados a identificar os alvos específicos do CBD e do THC em células cancerosas — por exemplo, o gpr55 em adenocarcinoma pancreático que se liga ao CBD de alta afinidade — são bastante avançados, os experimentos em humanos ainda estão em sua infância, infelizmente.

E por que, em sua opinião, os estudos sobre o uso de cannabis e canabinoides em pacientes com câncer estão avançando lentamente ou não estão sendo autorizados ou incentivados como deveriam?

A situação deve-se principalmente à falta de fundos e de autorizações. Em particular, há falta de apoio das empresas farmacêuticas e de fundações científicas. Os interesses e os fundos são transferidos para outra coisa.

A nível nacional, notou alguma melhoria em relação aos anos anteriores em termos de informação, aceitação ou uso de cannabis medicinal por médicos de clínica geral e profissionais de saúde?

Nos últimos dois anos, notei uma maior abertura, também por que o feedback positivo de pacientes que se submeteram a tratamentos com cannabis convenceu muitos médicos a rever suas posições originais. Infelizmente, no entanto, ainda existem muitos focos de resistência ao conhecimento, em minha opinião a farmacologia do sistema endocanabinoide deveria ser mais popularizada. É importante informar.

Leia mais:

Como a cannabis pode ajudar no tratamento do câncer?

#PraTodosVerem: fotografia mostra parte do corpo de uma pessoa que, vestida com jaleco branco, segura um ramo de cannabis e um frasco âmbar de rótulo verde, diante da câmera. Foto: Fundación Daya.

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