Mulher, sexo e maconha: uma questão de empoderamento

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Para além das questões onde a fitoterapia encontra nas plantas algumas soluções, a relação entre as mulheres, o sexo e a maconha, que varia em nuances entre amor, ódio e indiferença, assim como é a diversidade do gênero, pode ser unida em uma palavra: empoderamento

A associação da cannabis com o sexo é tema de pesquisas e, na opinião popular, existe a crença de que a erva contribua para apimentar as coisas entre quatro paredes. Segundo um estudo de 2017 conduzido por uma equipe de urologistas da Universidade de Standford, na Califórnia, o uso de cannabis é associado, ainda que sem conexão causal, ao aumento da frequência sexual – sem prejudicar a função de quem a consome. “A tendência geral que vimos se aplicava a pessoas de ambos os sexos e todas as etnias, idades, níveis de educação, grupos de renda e religiões, todos os estados de saúde, fossem eles casados ou solteiros e tivessem ou não filhos”, explica, em comunicado oficial, Michael Eisenberg, professor assistente de urologia e autor sênior do estudo.

Bem, se as evidências sugerem que entusiastas da maconha possam ter a libido potencializada pelo uso adulto da planta, me pergunto como colocar não apenas a cannabis, mas as plantas, ou a fitoterapia, em um contexto de busca pelo empoderamento sexual feminino – que passa por questões, é claro, além do corpo e da mente.

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PraCegoVer: Ilustração da artista brasileira Débora Mello mostra, em fundo branco, o desenho de uma mulher nua em uma pose de semi-ponte. Divulgação: Xapa Xana

Plantas e a libido

“A perda de libido é denominada Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), que acomete, aproximadamente, 20% das mulheres”, explica a nutricionista funcional Jacquelize Crozara. O quadro, que atinge principalmente mulheres no período pré ou pós-menopausa, necessita, de acordo com suas variações, desde orientações até auxílio com psicoterapia, medicamentos e reposição hormonal.

“Sob o ponto de vista hormonal, a testosterona, principal hormônio masculino, é fisiologicamente importante também para as mulheres para a melhora da libido”, conta a nutricionista, que explica que o uso de determinadas plantas, como a Maca peruana (Lepidium meyenii) pode ser eficaz em trazer doses gradativas do hormônio ao organismo, evitando efeitos indesejáveis. “Esta estratégia reduz significativamente o risco de ações masculinizantes indesejáveis da testosterona como, por exemplo, crescimento de pelos, aumento da oleosidade da pele, acne, alterações da voz, entre outros”, explica Jacqueline.

Outras plantas que podem, neste caso, fazer o papel da Maca peruana são o Yam mexicano (Dioscorea villosa) que, segundo a especialista, além de ser precursor da testosterona, regula o ciclo menstrual, a Eurycoma longifólia e a Tribulus terrestre, que melhora ainda a lubrificação vaginal.

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#PraCegoVer: ilustração da artista uruguaia Polyester retrata, em traços em vermelho, uma mulher de cabelos longos se tocando. Divulgação Xapa Xana

Para não entrar ainda mais em nomes confusos, o fato é que o viagra fitoterápico feminino reside não apenas em uma planta, mas talvez na junção entre uma fórmula certa de plantas, no acompanhamento certo de um médico, ou especialista capacitado, e ainda em um contexto que exige muito mais do que “aquele pega para relaxar”.

“É preciso levar sempre em consideração, além dos físicos, os fatores emocionais. Quanto mais alteração dos hormônios do estresse (cortisol), maior a chance de toda a cascata hormonal estar desequilibrada, levando a diminuição da libido”, explica a nutricionista. Por isso, medidas como manter uma alimentação equilibrada, com comida de verdade, praticar atividades físicas e lidar com o estresse são importantes para manter os hormônios no lugar.

Tá, mas e onde entra a cannabis nessa história?

Empoderamento sexual feminino e a cannabis

Para além das questões onde a fitoterapia encontra nas plantas algumas soluções, a relação entre as mulheres, o sexo e a maconha, que varia em nuances entre amor, ódio e indiferença, assim como é a diversidade do gênero, pode ser unida em uma palavra: empoderamento.

“Muitas mulheres não possuem orgasmos por uma série de questões sociais impostas pela educação patriarcal que recebemos. Por exemplo, para os caras, o assunto masturbação sempre foi normal, mas para as mulheres sempre foi tabu. O nosso órgão sexual é muito mais complexo, e se você não se conhece e não sabe seus pontos de prazer, fica difícil sentir prazer e ter um orgasmo com um parceiro(a) que tampouco conhece seu corpo. Acredito que seja por isso que 80% das mulheres tem dificuldades de sentir um orgasmo”, afirma Débora Mello, idealizadora do projeto Xapa Xana, que mistura arte, empoderamento sexual feminino e cannabis de uma forma única.

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Imagem em P&B da artista Mônica Marques traz, no topo, a frase “Xapa Xana Arte & Prazer” e um abdômen feminino, com parte da calça aberta e, na região pubiana, uma folha de maconha. Divulgação Xapa Xana

“Possuo o projeto da Galeria Lúdica desde 2005, onde trabalho economia criativa e curadoria de artistas emergentes. Quando me mudei para o Uruguai, direcionei o projeto da galeria em artistas latino-americanas. No Uruguai, existe uma legislação aberta para o mercado da cannabis, então a fusão de arte e prazer aconteceu naturalmente. Esta história é contada na primeira página do fanzine, que traz de brinde o lub ‘mágico’ que elaborei e virou este projeto polêmico”, conta Débora.

Com o intuito de explicar como usar o “lub ‘mágico’” nasceu o Xapa Xana. “Era preciso explicar o uso do produto, mencionar ingredientes e principalmente informar as mulheres sobre a importância do empoderamento sexual feminino”, detalha a idealizadora.

O lubrificante em si, resultado de uma série de alquimias diferentes, segundo Débora, é feito com flores de cannabis e, dependendo da cepa utilizada, pode variar nos efeitos. Mas, basicamente, após 15 minutos de absorção do produto na região vaginal, espera-se que ele deixe a região mais sensível, e aumente a libido. “Recebo muitos relatos de mulheres que tiveram seu primeiro orgasmo ou recuperaram a libido após utilizarem o Xapa Xana. Fico muito feliz com estes resultados, pois o projeto passou a ter seu lado medicinal também”, afirma. Depoimentos sobre o assunto estão disponíveis nos destaques do Instagram do Xapa Xana, perfil acima (@xapaxana).

E os zines, pequenas revistas impressas, se relacionam com o produto ao reunir os trabalhos de artistas “que já possuem um trabalho mais sexual”, ou são convidadas por Débora a pensar sobre a temática do empoderamento sexual feminino. “Desta forma, as pessoas podem comprar outras edições dos fanzines, colecionar as artes e desfrutar de novas ‘experiências orgásmicas’”, conta ela. Com avisos de que a agenda de entregas está cheia, o Xapa Xana mostra que a busca pela ampliação do prazer sexual feminino veio para ficar.

Nessa demanda surgem, ainda, as opções de receitas caseiras disponíveis na internet, que podem até ser alternativas, porém desde que consideradas algumas observações, como “muita higiene ao manipular tudo, produzir em um local limpo e jamais usar maconha prensada (o famoso Paraguaio), pois além de ser fruto do tráfico, possui muita sujeira e fungos. Tem que ser com flores específicas de Cannabis plantada e cuidada com amor”, lista Débora.

E, enquanto flores específicas são difíceis de encontrar por aqui, ficam algumas dicas de como podemos começar a nos empoderar desde já: “Primeiramente se amar, se autoconhecer e se tocar, antes de se entregarem a outra pessoa. Meninas, marquem um “date” consigo mesmas”, conclui ela.

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#PraCegoVer: Ilustração da artista uruguaia Nena Rosa mostra, em fundo rosa, finas linhas em tom mais escuro que delineiam as formas de uma mulher sentindo prazer. Divulgação: Xapa Xana.

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