Mulher recebe até mil dólares canadenses por mês pra fumar maconha

 Mulher recebe até mil dólares canadenses por mês pra fumar maconha

Já pensou ter um emprego deste e por cima receber mais de $1 mil dólares canadenses? É isso mesmo e o melhor é tão legal quanto parece. Saiba mais no artigo da Vice.

Ano passado, Gerber, 27 anos, respondeu um anúncio da empresa de Toronto AHLOT, que estava procurando “connoisseurs com nível de especialista” para fumar e avaliar cepas de maconha, e receber $50 por hora fazendo isso.

Gerber foi marcada em vários posts do Instagram sobre o trabalho e no começo pensou “isso não existe”.

“Mas não custava nada tentar”, Gerber disse a VICE. “Então me inscrevi, mas levou meses para me mandarem notícia.” A empresa recebeu mais de 25 mil inscrições de pessoas esperando ser parte do Cannabis Curation Committee – um grupo que deveria relatar os efeitos de produtos de cannabis para ajudar a AHLOT a juntar uma amostra de cepas legais.

Eles chegaram a 25 finalistas, incluindo Gerber, que aí tiveram que fazer um vídeo dizendo por que deveriam ser contratados.

No final, oito pessoas foram escolhidas para formar o Cannabis Curation Committee da AHLOT. Os membros do comitê podem ganhar até $1 mil por mês avaliando produtos de cannabis, incluindo flores secas e óleos, além de fazendo marketing e posts nas redes sociais para a AHLOT.

Gerber disse que começou a fumar maconha quando tinha 15 anos e logo percebeu que a droga aliviava seus sintomas de fibromialgia e síndrome do intestino irritável, incluindo dores musculares e nos nervos, problemas com consumo de certos alimentos e problemas de sono. Mas só aos 20 e poucos anos ela começou a experimentar cepas diferentes e mais tarde CBD.

A VICE falou recentemente com Gerber para saber como ela conseguiu esse emprego e se ganhar dinheiro pra fumar maconha é tão daora quanto parece.

VICE: Por que você acha que tantas pessoas acharam que você merecia esse trabalho?

Kayla Gerber: Acho que se resuma ao seguinte: não sou só uma pessoa educada no espaço de cannabis, mas também uma educadora paciente com muito conhecimento sobre os produtos mais diversos. Venho de uma família muito artística e politizada. Dez anos atrás você nunca veria uma mulher negra sentada em algum tipo de equipe de criação da cannabis. Uma vez quatro anos atrás, me prenderam e tentaram me acusar de uso de cannabis. E isso já aconteceu com muitos amigos também. Sabemos que a comunidade não-branca foi estigmatizada e colocada atrás das grades por uso de cannabis. Então, para a AHLOT, era uma oportunidade de mostrar quão diverso o Canadá e a equipe da AHLOT podem ser em termos dos membros do seu comitê.

Como era o vídeo que você fez quando estava entre os 25 finalistas?

O que era importante para mim era mostrar Guelph, então fiz uma pequena tomada da prefeitura ao fundo, comigo fumando e bolando, usando os produtos deles, dichavando e bolando. E depois algumas coisas divertidas. Tem uma cena comigo rindo e chupando um pirulito. E depois falando sobre por que eles deveriam me escolher.

Como você reagiu quando disseram que você tinha sido escolhida?

Honestamente, eu estava esperando ouvir um “não”. Mas ele disseram sim e perdi a cabeça. Fiquei gritando e pulando, e acho que balancei a bunda na frente da câmera pra eles, o que não é necessariamente a coisa mais apropriada para responder a uma oferta de trabalho.

Quais são suas tarefas?

O papel consiste principalmente de testar, avaliar as cepas por cheiro, densidade, visual, gosto e sabor. Eles até nos mandaram microscópios para vermos os terpenos e tricomas dentro da planta. É muito legal. Gosto de me sentir tipo uma cientista em casa. E depois educar as pessoas sobre isso. E isso também se aplica aos óleos – conseguir as informações, entender a microdosagem e garantir que eles saibam dos efeitos colaterais e tudo mais. Espero que quando sair a legalização para concentrados e comestíveis, também possamos analisar esses produtos.

Até agora, o que você realmente pode avaliar?

No momento estamos na nossa Série de Descobertas Volume 1, que é algo que já está sendo vendido pela AHLOT. É um pacote com cinco gramas, um grama de cada tipo de cepa. Você recebe um pouco de tudo, uma híbrida, uma sativa, uma indica e uma cepa de alto CBD.

Sei que o anúncio dizia $50 por hora e que os membros do Cannabis Curation Committee podem receber mais de $1 mil por mês. Você faz ideia de onde você vai cair nessa escala?

Depende. São com certeza 12 a 15 horas por mês. Mas por exemplo, esta semana eu fiz três entrevistas. É uma coisa de meio expediente.

Você tem uma quantidade certa para consumir para o trabalho diária ou semanalmente?

É meio difícil dizer. Para alguns como eu é importante experimentar tudo semanalmente, pelo menos, se não diariamente, o que pode ser demais quando você está testando muitas cepas. Então você tem que trabalhar com isso. Somos connoisseurs de cannabis muito inteligentes, então para nós é muito importante repetir e experimentar de novo, para ver se tem alguma diferença no efeito e dar uma avaliação completa.

Consumir cannabis não é necessariamente algo que toma muito tempo, então acho que a coisa mais demorada é escrever suas opiniões.

Com certeza. Porque é algo muito descritivo, com profundidade. Estamos falando do cheiro, da sensação, do visual, e tudo mais entre isso. É uma avaliação bastante extensa que damos sobre uma planta em particular. E também tem as nossas redes sociais.

Você em parte faz testes e avaliações, mas também tem a parte do marketing, certo?

Sim, adoramos nos chamar de avaliadores. Estamos constantemente acessando a qualidade da substância.

Vocês estão testando cepas que já estão disponíveis no mercado? Ou algo que vocês estão testando são produtos de produtores licenciados que ainda não estão à venda?

As duas coisas. Tem muitos produtores licenciados que podem não ter lançado nada oficialmente ainda. Eles querem saber se a qualidade é boa o suficiente, querem nossas opiniões e agora que temos acesso a esses educadores, isso pode acontecer.

Certeza que muita gente está pensado “caramba, esse é meu trabalho dos sonhos. Quero ser pago pra fumar maconha”. É tão legal quanto parece? Dá mais trabalho do que as pessoas imaginam?

É tão legal quanto parece mesmo. Esse é um trabalho dos sonhos. Sei que muita gente usa cannabis para relaxar, mas não estamos só sentados lá fumando e relaxando, temos que pensar sobre todos os efeitos acontecendo conosco do minuto em que abrimos o pacote, vemos, sentimos e cheiramos o produto, até os efeitos no final e talvez os efeitos depois de uma hora. É um trabalho tedioso e diligente, mas pra nós é divertido. Mas não é a mesma coisa que acender um beck de boa em casa.

#PraCegoVer: Fotografia de capa traz a weed influencer Kayla sorrindo com um dos braços para o ar enquanto folhas de maconha desenhadas saltam a tela.

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Sobre Smoke Buddies

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