“Só quero viver sem dor”: mulher de SC com tumor raro na medula faz apelo por canabidiol

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A paciente catarinense precisa de sete frascos do medicamento por mês, que totalizam um custo de R$ 18 mil; cultivo caseiro de maconha baratearia em 97% o tratamento. As informações são do NSC Total

Imagine todos os nervos do seu corpo repuxando simultaneamente, causando uma dor indescritível e impossibilitando que você fique em pé ou sentado e tenha uma vida normal. Essa é a dor sentida diariamente pela catarinense Ana Paula Brandão de 41 anos. A moradora de Camboriú, no Vale do Itajaí, descobriu que tem um tumor chamado cisto de Tarlov, que fica ao lado da medula e, quando comprime, causa uma dor insuportável e a deixa acamada.

Depois de cerca de sete anos e inúmeros tratamentos, Ana, os médicos e o marido descobriram que o óleo de canabidiol, derivado da maconha, é o único medicamento que proporciona alívio. No entanto, o medicamento é importado e custa caro. Através de uma campanha, o casal está na busca pelo dinheiro para ajudar nos custos da compra.

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— Só quero viver sem dor — apela.

O tumor é raro no caso de Ana pelo local em que ele está, ao lado da medula. É fazendo a compressão daquela área que ele causa a dor que impossibilita a mulher de ter uma vida normal.

— A dor me incapacita, muda minha vida, me deixa praticamente em estado vegetativo — explica.

Após passar por 28 médicos e anos de estudo do caso raro, eles descobriram que o óleo de canabidiol (CBD) proporciona alívio no sofrimento causado pela compressão do tumor na medula.

O casal conseguiu liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para fazer o uso do medicamento e importá-lo da Inglaterra em agosto de 2020. Desde então eles estão em campanha para arrecadar o valor mensalmente e conseguir fazer a compra do óleo.

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Ana precisa tomar sete mililitros duas vezes ao dia. O frasco do remédio dura cerca de quatro dias para o tratamento. Ela precisa de aproximadamente sete vidros da medicação por mês para conseguir aliviar a dor e viver normalmente.

— Já tentamos de tudo, por enquanto só isso alivia a dor — disse Ana.

Cada vidro custa 450 dólares e, no valor da cotação atual da moeda, em abril de 2021, são necessários cerca de R$ 18 mil por mês para conseguir comprar os frascos. O laboratório que faz a importação arca com os custos e as taxas para trazer o remédio para o Brasil, no entanto, o valor ainda é alto, tendo em vista que o tratamento será para o resto da vida.

Após a compra feita, os frascos de alívio demoram surpreendestes cinco dias para chegar da Inglaterra até a casa de Ana, em Camboriú. São aproximadamente 10 mil quilômetros.

O que é canabidiol (CBD)

O canabidiol, conhecido também como CBD, é um dos princípios ativos da maconha, a Cannabis sativa. A porcentagem do composto na planta é diferente em cada variedade (quimiotar) e quando extraído possui ativos que aliviam a dor, capaz de tratar doenças como a fibromialgia e também epilepsia severa.

A medicação age nos receptores do cérebro e é isto que faz com que a dor seja mais branda ou até desapareça.

Eduardo Jack, 43 anos, marido de Ana, é o responsável pela campanha de arrecadação da quantia para que ela consiga ter uma vida tranquila. É ele também quem cuida de todos os trâmites, documentações e busca alternativas para o tratamento da esposa.

Ele explica que o remédio também passou a ser fabricado por um laboratório no Brasil, mas a forma como ele é produzido no país, segundo ele, não é o mais recomendado para o caso de Ana.

O importado — usado no tratamento de Ana — é chamado de Purodiol e o nacional é o canabidiol isolado. Eduardo explicou que o óleo deu condições normais de vida para a esposa. Com a medicação ela conseguiu se movimentar, sair da cama e viver quase normalmente.

— Melhorou muito a qualidade de vida dela, é impressionante — afirmou.

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Produção caseira é 97% mais barata

Eduardo entrou com um pedido na Justiça para ter liberação do cultivo das plantas de maconha em casa e conseguir produzir o óleo. Segundo ele, dessa forma o custo para ter acesso ao medicamento da esposa seria algo entre R$ 500 e R$ 600 por mês, aproximadamente 97% mais barato, econômico e com valor viável para o casal.

No entanto, segundo ele, a Justiça negou o primeiro pedido alegando que ele não tinha o curso necessário para fazer a produção caseira.

Eduardo conseguiu fazer o curso com o apoio da associação de cannabis medicinal Santa Cannabis, que fica em Florianópolis. A ONG é responsável por acolher pacientes, fazer pesquisa e desenvolvimento de estudos de caso, além de educar a sociedade sobre os benefícios do uso de do canabidiol, promovendo cursos e palestras.

A ONG também é responsável por ofertar cursos que ensinam a produzir o medicamento que ajuda a vida de muitos pacientes, como é o caso de Ana.

Segundo Eduardo, agora ele tentará entrar com um novo pedido na Justiça para conseguir a liberação de cultivo e produção da Cannabis sativa em casa, para posteriormente conseguir extrair o óleo de tratamento da esposa.

— Vamos para uma consulta na quinta-feira (8) e pegaremos todos os laudos necessários para o novo pedido. Não iremos desistir — afirmou.

Outras formas de tratamento

Segundo Eduardo, os médicos explicaram que existe a possibilidade de fazer cirurgia para retirar o tumor, no entanto, é um procedimento muito arriscado, por isso a alternativa foi descartada pelos próprios médicos.

A cirurgia poderia deixar Ana sem os movimentos da cintura para baixo, caso algum nervo fosse atingido no momento da cirurgia. Além disso, com as possíveis complicações após o procedimento, ela poderia também perder movimentos da parte superior do corpo.

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Implantação do neuroestimulador

Ana atualmente possui um neuroestimulador, implantado na barriga, para aliviar as dores causadas pelo tumor quando comprime os nervos da medula. O equipamento funciona dando choques no cisto que são inversamente proporcionais e deveriam anular a dor.

O equipamento custou R$ 250 mil. Na época, os médicos falaram que poderia ser uma solução viável e que aliviaria o sofrimento.

O casal fez a campanha e conseguiu o dinheiro para colocar o neuroestimulador em Ana, mas o resultado surpreendeu os médicos, não de forma positiva.

Como as dores são muito fortes, a potência do equipamento não é suficiente para que Ana tenha alívio por mais tempo. O sofrimento continuou e apenas o óleo de canabidiol, até o momento, é uma solução viável para conseguir diminuir a dor e proporcionar uma vida normal à Ana.

Como você pode ajudar

Ana e o marido estão tentando arrecadar o valor necessário para conseguir comprar os frascos de medicamento para o próximo mês. Os vidros que Ana tinha já acabaram e ainda faltam cerca de R$ 4 mil reais para comprar os “frascos de felicidade e alívio”.

Para contribuir com o tratamento de Ana, você pode entrar em contato de diversas formas. Através de redes sociais, pela Vakinha, por Pix, depósito bancário ou entrando diretamente em contato com Eduardo e Ana pelos telefones (47) 3050-9447 e (47) 9 9150-1445.

Vakinha

Pix: 96573244087 (CPF da Ana)

Depósito bancário: Bradesco, Agência 1406, Conta 10429-9

Instagram: canabidiolparaaana

Facebook: facebook.com/ajudeaana

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#PraCegoVer: foto em visão superior de uma planta de maconha plantada em um vaso marrom, onde um bud em desenvolvimento aparece em seu topo, em foco. Imagem: Willpower Studios | Flickr.

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