Moro diz que não lhe interessa a legalização da maconha, já que governo é contra

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“Não me interessa aqui a opinião sobre maconha, legalização… A política do governo é contra a legalização e, enquanto ela é criminalizada, evidentemente esses recursos vão para o crime organizado. E erradicar as plantações afeta as finanças do crime organizado – e isso é bastante importante”, diz o ministro. Informações são do Poder360

O ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) afirmou, na manhã desta quinta-feira (5), que a apreensão de maconha no país teve redução neste ano e evitou comentar sobre uma eventual legalização da planta. De acordo com ele, a queda aconteceu por causa de uma parceria com o Paraguai, de onde a maior parte da mercadoria ilegal vem.

“Maconha: maconha caiu a apreensão, mas isso tem uma explicação relativamente óbvia, porque nós intensificamos a chamada Operação Aliança com o Paraguai para erradicação das plantações de maconha naquele país. Como a maconha consumida no Brasil vem do Paraguai, isso acaba gerando aqui uma diminuição concomitante das apreensões nas estradas e nessas operações [policiais]. E a erradicação da maconha nas plantações é muito mais eficiente”, disse.

Moro acrescentou:

“Não me interessa aqui a opinião sobre maconha, legalização… A política do governo é contra a legalização e, enquanto ela é criminalizada, evidentemente esses recursos vão para o crime organizado. E erradicar as plantações afeta as finanças do crime organizado –e isso é bastante importante.”

Ao mencionar o crime organizado, o ministro citou o PCC (Primeiro Comando da Capital). De acordo com ele, as pessoas costumam ter medo de citar o nome da facção, como em “filmes do Harry Potter de que não pode falar o nome do grande vilão” (nos filmes, Voldemort é citado por personagens na maior parte da história como “Você-Sabe-Quem”).

Disse o ministro: “O governo adotou uma política dura em relação à criminalidade organizada. O que pode ser ilustrado pelo fato de que uma das primeiras medidas adotadas pelo governo federal, do presidente Jair Bolsonaro, juntamente com o governo do estado de São Paulo, foi: retirar de presídios estaduais as lideranças do maior grupo organizado do país. [O] pessoal às vezes tem medo de dizer o nome, [mas] não: é o PCC. Parece aqueles filmes do Harry Potter de que não pode falar o nome do grande vilão. Eu acho que a gente tem que dar o nome às coisas como elas são”, afirmou.

COUNCIL OF THE AMERICAS

As declarações do ministro foram feitas em um discurso de 22 minutos no evento “Brazil’s Agenda for Growth and Development” (Agenda do Brasil para Crescimento Econômico e Desenvolvimento), do Council of the Americas.

Em sua fala, Moro disse que é preciso “melhorar os indicadores de criminalidade no Brasil”. A partir daí, seria possível melhorar a vida das pessoas e criar um ambiente de negócios mais favorável.

“Certamente vários dos senhores e senhoras pensam da dificuldade e obstáculos para investimento no Brasil em termos de política econômica, embora tenhamos todos esses avanços. Mas também os altos índices de criminalidade por vezes geram temor em investidores, turismo… Ou seja, se trabalharmos para melhorar, além de estarmos melhorando a vida das pessoas, estaremos também contribuindo para um crescimento econômico do Brasil de maior qualidade”, afirmou.

Moro disse que desde que aceitou assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública combinou com o presidente Jair Bolsonaro que o foco seria avançar contra a corrupção, crime organizado e criminalidade violenta, “porque os indicadores são muito ruins”. Ele comparou o número de homicídios no Brasil, que superou os 60 mil em 2016, com a taxa em Portugal, onde houve só 78, segundo ele.

“É um número que nos envergonha, digno de uma guerra civil. Estive recentemente num evento em Portugal e, na ocasião, fiz comparativo com os homicídios naquele país. A taxa mal ultrapassa 2 (homicídios) por 100 mil habitantes”, disse ele.

O ministro disse que houve fortalecimento da criminalidade nos últimos 15 anos e, entre os motivos, estaria a “falta de enfrentamento” dos governos federal e estaduais.

No combate à corrupção, ele defendeu a operação Lava-Jato: “Vivenciamos nos últimos anos essa gigantesca investigação, que mudamos a percepção de que a corrupção era grande para revelar suas entranhas.” E, no combate à criminalidade, disse que foi surpreendido no início do ano e precisou agir “reativamente”:

“O problema da criminalidade é que muitas vezes ela não nos permite seguir os passos planejados. A ilustrar: quando o governo tomou posse, imaginava que ia ter algum fôlego para saírem as nomeações de alguns cargos, mas fomos surpreendidos já no dia 4 [de janeiro] com uma crise de segurança no estado do Ceará. Estava acostumado com uma folga em janeiro e, de repente, veio aquela crise de segurança.”

Ele também ressaltou o plano-piloto de segurança lançado nesta semana pelo governo, em cerimônia no Palácio do Planalto, que usa 5 cidades de 5 diferentes regiões do país como testar ações integradas de segurança pública:

“Agora estamos com um plano que foi construído durante um bom tempo pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que é redução da criminalidade em cidades com altos índices de violência. […] A União, em vez de agir reativamente, vai agir preventivamente. Estamos criando forças-tarefas com polícia judiciária, polícia ostensiva, para atuar junto com guardas municipais para que tenhamos atuação integrada contra a criminalidade elevada naqueles municípios.”

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O PACOTE ANTIMACONHEIRO DO MORO

#PraCegoVer: Fotografia (de capa) mostra retrato do ministro da Justiça Sergio Moro durante fala. Parte de um microfone de mesa e o fundo neutro compõem a imagem. Foto: Sergio Lima | Poder360.

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