Ministra britânica diz que falta de prescrições de cannabis é uma questão clínica, não política

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Em debate realizado no Parlamento britânico sobre o acesso à cannabis medicinal, a ministra da Saúde Maria Caulfield argumentou que o problema da falta de prescrições é uma questão clínica, uma vez que o governo não pode obrigar os médicos a prescreverem os medicamentos. As informações são do BusinessCann, com tradução Smoke Buddies

Apesar de estar sob crescente pressão para desbloquear o impasse da prescrição de cannabis medicinal, o governo do Reino Unido nesta semana continuou a se distanciar do problema.

Três anos atrás, o secretário de Saúde, Sajid Javid, mudou a lei — mas apenas três prescrições de medicamentos de cannabis não licenciados para crianças com epilepsia resistente ao tratamento foram aprovadas pelo NHS (serviço nacional de saúde do Reino Unido).

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Para marcar o aniversário de 1º de novembro, muitos membros do parlamento (MPs) assinaram uma petição End Our Pain (termine nossa dor) exigindo ação — e na quarta-feira os parlamentares realizaram um debate intitulado “Cannabis medicinal sob prescrição para crianças com epilepsia”.

Na quinta-feira, na Câmara dos Comuns, um novo debate foi realizado sobre o “uso de cannabis medicinal para o alívio das condições de saúde”.

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Clínica, não política

Em ambos os debates, os MPs falaram apaixonadamente em nome dos constituintes sobre a necessidade de melhorar o acesso à cannabis medicinal usando dados de ensaios observacionais, obtidos a partir de experiências vividas.

O debate de quarta-feira foi aberto por Alberto Costa, MP do Partido Conservador de South Leicestershire, e em um poderoso discurso ele pediu ao NHS para cobrir os custos — em mais de £ 1.000 (R$ 7.400) por mês — para famílias que atualmente usam remédios não licenciados de receita privada.

No entanto, a ministra da Saúde, Maria Caulfield, no debate de quarta-feira no Westminster Hall ilustrou a atitude de bloqueio do governo — isso também se repetiu na quinta-feira.

A Sra. Caulfield, MP conservadora de Lewes e ministra da Segurança do Paciente e Atenção Primária no Departamento de Saúde e Assistência Social, disse que “a prescrição agora está nas mãos dos médicos”.

Eu aprecio totalmente a força de sentimento sobre isso e o impacto que está tendo em muitas vidas… é por isso que o governo mudou a lei para permitir que produtos de cannabis medicinal não licenciados sejam prescritos por médicos.

O governo apoia, mas essa é uma questão clínica, não política.

Os médicos não estão preparados para prescrever por que esses produtos não são licenciados e faltam pesquisas significativas, não apenas sobre sua eficácia, mas também sobre os efeitos adversos… os médicos se responsabilizam por quaisquer impactos.

Ninguém está dizendo que não são seguros, simplesmente não há evidências suficientes para se obter uma licença”, disse ela.

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Preocupações em torno do THC

Ela prosseguiu dizendo que para a MHRA (Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde) aprovar medicamentos de cannabis não licenciados — que são frequentemente prescritos na forma de inflorescências com diferentes teores de THC e CBD — são necessárias evidências de testes clínicos.

Ela disse que a MHRA, como um organismo independente, faz isso para todos os medicamentos, acrescentando que nenhum país do mundo, “incluindo a Administração de Alimentos e Drogas dos EUA e a Agência Europeia de Medicamentos, licenciou esses tipos de medicamentos para crianças”.

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Quando pressionada por um MP sobre a abundância de evidências do mundo real para mostrar que a cannabis funciona, ela disse: “Há preocupações particularmente em torno do elemento THC de que poderia haver algum efeito no desenvolvimento do cérebro e nas doenças cardíacas”.

Ela então continuou: “Quero tranquilizar os membros de que entendo perfeitamente a questão, o governo mudou a lei para permitir seu uso, mas a menos que demos aos médicos a confiança de que essas drogas funcionam primeiro — e há um consenso na sala de que existe uma sensação disso — e um perfil de segurança com o qual eles se sintam confiantes, eles não vão prescrevê-los.

Podemos debater isso para sempre nesta câmara, mas são os médicos que precisam ser convencidos e a maneira de fazer isso é obter esse produto licenciado, e a maneira de fazer isso é obtendo pesquisa de boa qualidade; pesquisa que a MHRA pode observar e sentir-se confiante no licenciamento e no desenvolvimento dessa droga.

A visão do governo é que há financiamento para essas pesquisas. Meu compromisso com os membros é trabalhar com colegas para ver se podemos acelerar esse trabalho.

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Não deveria ser um problema

Tentaremos usar todas as alavancas para fazer com que isso passe, e o processo de licenciamento, para que os médicos se sintam confiantes em prescrever este medicamento que faz uma diferença tão grande na vida dos jovens”.

Falando na quinta-feira, o proponente do debate Ronnie Cowan, MP do Partido Nacional Escocês em Inverclyde, disse: “Os políticos e médicos fizeram vista grossa a esta questão, no entanto, garantir que os medicamentos sejam dados aos doentes não deveria ser um problema”.

Ele disse que embora mais pesquisas sejam necessárias para mostrar a eficácia desses medicamentos, as pessoas estão convivendo com isso “no dia a dia” e essa evidência também precisa ser levada em consideração.

Ele destacou que os principais problemas eram a falta de treinamento para médicos e as diretrizes do NICE (Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados), que tratam a cannabis como um medicamento farmacêutico.

Crispin Blunt, MP conservador por Reigate e copresidente do Grupo Parlamentar de Todos os Partidos para a Reforma das Políticas de Drogas, destacou os benefícios financeiros e de saúde que uma redução na dependência de opioides traria.

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Projeto de lei iminente

Ele continuou: “Devemos cumprir nosso dever e garantir que os doentes não precisem recorrer aos mercados do crime para tratar suas próprias doenças. As pessoas não querem que os doentes sejam processados, isso vai contra a opinião pública”.

Jeff Smith, MP do Partido Trabalhista de Withington, no sul de Manchester, disse que era “incomum ter debates sobre a cannabis medicinal em dias sucessivos”.

Ele elaborou como a epilepsia resistente ao tratamento toma conta das vidas das famílias, mas também destacou a transformação positiva na vida das famílias, como no caso de Hannah Deacon e seu filho Alfie.

Ele destacou como a cannabis medicinal pode ajudar em uma série de condições, incluindo esclerose múltipla, dor, ansiedade e náuseas.

Sobre a questão dos ensaios controlados randomizados, ele disse que mais de 70 medicamentos foram licenciados em tais circunstâncias e que a cannabis, com seus mais de 100 compostos, é uma “planta única e, como tal, os ministros precisam ser flexíveis e criativos ao olhar para novas maneiras de por fim ao impasse”.

“Precisamos de uma nova tentativa concertada com alguns com um novo pensamento… em vez de ver as pessoas pagando uma fortuna para traficantes ou deixando as pessoas condenadas a uma vida de dor”, disse ele.

Em resposta, a Sra. Caulfield disse mais uma vez que era “inapropriado para o governo forçar os médicos” e com “a segurança sendo tão importante quanto a eficácia, os médicos permanecerão reticentes até que haja mais evidências”.

No entanto, ela prosseguiu dizendo que o governo está empenhado em encontrar um caminho a seguir quando “as evidências estiverem lá”.

A data para uma segunda leitura de um projeto de lei de membros privados apresentado pelo Sr. Smith — o projeto de lei sobre a cannabis medicinal (acesso) — será ouvida em 10 de dezembro.

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#PraTodosVerem: fotografia do Palácio de Westminster, uma construção de arquitetura gótica formada por diversas torres, com destaque para a Torre de Vitória, onde uma bandeira britânica flamula no topo, e a Torre do Relógio, à direita. Imagem: Max Pixel.

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