Menino autista zera convulsões, abandona fraldas e volta a andar com óleo de Cannabis

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Samuca foi desacreditado pelo médico, mas sua mãe encontrou na cannabis uma cura para a criança — e chegou a ser presa por isso. As informações são do Cannabis & Saúde

O Samuel era um bebê que se desenvolvia com bastante rapidez. Aos dois anos, já falava e tinha abandonado as fraldas. Só que uma sucessão de acontecimentos trágicos na família Ladário, que vive na pequena cidade de Planura, no interior de MG, fez o menino ficar entre a vida e a morte e desenvolver transtorno de espectro autista. Ele voltou às fraldas e perdeu os movimentos de fala. Contudo, após usar o óleo de Cannabis, Samuca está voltando a se desenvolver. Nesta segunda (1), ele completa 14 anos de vida, metade desse tempo usando a planta.

“Eram 60 convulsões por dia. Hoje é uma a cada mês. Eram crises terríveis de autismo, onde ele quebrava tudo. Hoje ele é uma criança supersociável. Cuida das plantinhas. Ele não segurava nada com as mãos, não andava, usava fraldas, comia por sonda. Agora ele pinta quadros! O óleo de Cannabis transformou a vida do meu filho”, conta emocionada a avó que virou mãe do Samuca, a dona de casa Cleusa Ladário, de 60 anos.

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O autismo do Samuel começou a se desenvolver depois que a mãe biológica dele desapareceu. Ela teve o menino na adolescência, mas sempre foi muito instável psicologicamente e não soube lidar com o término do relacionamento. Fugiu de casa e só voltou 8 anos depois.

“O Samuel era apaixonado por ela. Todo mundo que batia no portão ele achava que era a mãe. E aí não era, e ele foi entristecendo, entristecendo. Um dia ele amanheceu febril. Ele também tinha muita sinusite, os resfriados eram recorrentes. E aí juntou com a imunidade dele que estava baixa essa tristeza. Eu dei dipirona, mas a febre não baixou. Sabendo que febre que não cessa é vírus, eu levei ele no hospital”, lembra a dona Cleusa.

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Desacreditado pelo médico

A avó, que passou a cuidar do menino, lembra que no hospital Samuel ficou agressivo, se chutava, batia a cabeça. O neurologista fez exames e constatou o pior: a criança estava com uma infestação da herpes no cérebro que lhe causou encefalite viral. O médico disse à dona Cleusa que a doença mata 70% das pessoas, e quem sobrevive vira um vegetal. Naquele mesmo dia, a criança entrou num coma de 45 dias.

“Ele tinha que usar capacete por causa das crises. Aconteceram acidentes. Ele vivia dopado de remédios. Eu lembro de uma vez que ele estava internado, minha mãe me ligou chorando achando que ele ia morrer. Mas ele venceu e está aí fortão”, comemora o irmão do Samuca, o Laerte Ladário, de 36 anos.

Foi pesquisando sobre tratamentos possíveis para a condição do filho que a Cleusa descobriu a Cannabis medicinal. Ela viajou até São Paulo (SP) para participar de um curso de autocultivo promovido pela associação de pacientes Cultive. Voltou com sementes e conhecimento na bagagem para iniciar a plantação.

“Eu fui criada pela minha mãe a fugir da maconha e dos maconheiros. Mas aí eu fui conhecer a maconha cientificamente, eu fiz os cursos na Cultive, com os advogados da Rede Reforma, com o Dr. Carlini (professor da Unifesp precursor dos estudos da planta no Brasil). Eu assisti muitos cursos com ele e passei a cuidar do Samuel. E na primeira dose que eu dei pra ele, ele olhou dentro do meu olho. Quando ele me olhou desse jeito eu descobri o caminho das pedras”.

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Dona Cleusa é presa

A engajada mãe não sabia, contudo, que uma injusta prisão aconteceria nesse caminho. Após receber uma denúncia anônima, a polícia foi até a casa dela e a prendeu. Ela foi liberada após convencer o delegado de que aquela plantação era para o tratamento do filho. Mas desde então interrompeu a produção caseira e deu entrada na Justiça para obter um Habeas Corpus que lhe garanta o direito ao plantio — hoje são cerca de 70 autorizações judiciais nesse sentido no Brasil. Até lá, o menino segue o tratamento com um óleo produzido por uma associação de pacientes. Pertencer a uma dessas ONGs tem se mostrado um fator decisivo para sentenças positivas da Justiça.

Outra iniciativa importante é comprovar a melhora clínica do menino, não só através de laudos médicos, mas também por mídias, como fotos e vídeos. Por isso, os avanços do Samuel são compartilhados e podem ser acompanhados na página Cannabis Medical Evolution do Facebook, que é gerenciada pelo irmão Laerte.

“Eu espero que ele (o óleo) alcance a vida de todas as crianças especiais desse mundo, de todo paciente com Alzheimer, Parkinson, com pensamento suicida, com fibromialgia, com insônia. Porque é isso que a Cannabis faz”, deseja a dona Cleusa.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia que mostra um pequeno pote transparente com tampa metálica, contendo uma substância amarela translúcida, ao lado de um ramo de maconha no início da floração, ambos sobre uma superfície de madeira; e um fundo de cor bege. Foto: epickidstoys Smith | Flickr.

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