Por dentro da organização da Marcha da Maconha de São Paulo

MdMSP Por dentro da organização da Marcha da Maconha de São Paulo

Cinco coisas que você deveria saber sobre o maior ato em prol da legalização da maconha no Brasil

Todo ano, o curto caminho entre a estação Consolação do metrô e o vão do Masp, na Avenida Paulista, fica eletrizado pela energia das pessoas rumo ao maior ato pelo fim da guerra às drogas do país: a Marcha da Maconha de São Paulo (MdMSP), que desde 2003 ocupa espaços da capital paulista e volta às ruas no dia 11 de junho depois de dois anos em formato virtual.

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Com a expectativa de ultrapassar a marca de 100 mil participantes que prestigiaram o ato em 2019, o coletivo da MdMSP se articula desde março para preparar esta manifestação pública, que é autônoma, horizontal, apartidária, antiproibicionista e anticapitalista. Mas, o que isso quer dizer?

Trocamos uma ideia com a psicóloga Malou Brito Amorim, integrante do movimento, para entender os detalhes da organização da Marcha da Maconha de São Paulo, e elencamos cinco pontos que caracterizam o ato. Confira:

Diversidade e horizontalidade

“Acho que a Marcha da Maconha é o movimento mais diverso que existe”, diz Malou. “Há pessoas de militâncias diversas e da sociedade civil contribuindo, e não temos uma liderança, ou seja, tudo é definido por consenso”.

Da data ao trajeto, incluindo o eixo, que este ano será ‘primavera antifascista’, todas as decisões relacionadas à Marcha da Maconha são feitas pelo coletivo através das reuniões abertas — que acolhem qualquer um a fim de participar.

“Sentimos a necessidade de ter mais pessoas, braços, pernas, mais cabeças chapadas, pensantes, criativas, para manter esse movimento além do dia do evento, mas também no momento em que a gente se prepara pra ir às ruas”, explica Malou.

 

 

Movimento autônomo e anticapitalista

Sem apoio financeiro ou patrocínio de organizações externas, a Marcha da Maconha se coloca como um movimento autônomo e anticapitalista, que conta com colaborações da sociedade civil para custear gastos básicos.

“Com as vaquinhas e a venda das camisetas, arrecadamos valores para fazer panfletos, adesivos, faixas”, conta Malou. “Para este ano, conseguimos comprar um megafone”.

Apesar da limitação de recursos, provenientes da campanha de financiamento coletivo e dos produtos vendidos ao longo do ano, a organização compensa em soluções criativas para colocar, literalmente, os blocos na rua.

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Marcha da Maconha São Paulo 2019. Foto: Dave Coutinho | Smoke Buddies.

Comissões e blocos

Comunicação, finanças, direito, segurança, ações e eventos são as comissões formadas pelo coletivo que organiza a MdMSP, onde cada participante pode contribuir efetivamente — seja antes do ato, divulgando e levantando recursos, seja durante a Marcha, garantindo a fluidez e, sobretudo, a segurança dos manifestantes.

“Existe a faixa da frente e de trás da Marcha”, conta Malou. “A polícia não pode intervir entre uma faixa e outra, mas precisamos tomar cuidado com quem está atrás da faixa, porque essas pessoas podem sofrer violência ou abuso policial”.

Dividida em blocos, alguns novos, outros recorrentes, como o terapêutico, o feminista, a frente pelo desencarceramento e as mães de maio, a Marcha da Maconha de São Paulo reúne pautas diversas que encontram na legalização com reparação uma bandeira comum — e combate ainda a ideia estereotipada sobre quem participa do ato.

Muito além da maconha

“Não é só pra fumar que a gente marcha”, diz Malou. “É pelo fim da guerra às drogas: a gente busca a legalização de todas as drogas, porque entendemos que é a única forma de minimizar os danos de quem mora em periferia, quem é preto, pobre, quem mais sofre e paga mais caro por essa guerra insana. Não adianta pedir legalização da maconha e o pessoal da quebrada continuar sofrendo com ações policiais, porque outras drogas vão continuar. Nossa luta é por políticas públicas que abarquem todas as pessoas”.

O caráter amplo da manifestação revela a intenção de aprofundar o debate sobre o proibicionismo no Brasil. “Para o eixo deste ano, primavera antifascista, pensamos muito na questão da anistia, reparação e legalização, justamente para trazer essa questão: que tipo de reparação a gente precisa? Como o Estado vai reparar vidas tiradas pela polícia? Estamos trazendo essas pautas para que as pessoas reflitam”, explica a psicóloga.

Ei, polícia…

“Desconvidamos a polícia para nosso ato, porque a gente entende que consegue fazer nossa própria segurança e se sente muito mais seguro sem a polícia perto”, explica Malou.

Na prática, a organização envia um ofício informando sobre a manifestação, mas não articula com autoridades sobre os detalhes do ato como trajeto, por exemplo. “A rua é nossa, temos o direito de se movimentar como a gente acha que é importante e de forma que contemple quem estiver ali participando do movimento”, diz Malou.

E é assim, livre, autônoma e horizontalmente, que a MdMSP se prepara para ocupar a Avenida Paulista neste sábado, enquanto as marchas periféricas organizam atos nas zonas norte, sul, leste e sudoeste da capital paulista, e outras tantas ocupam espaços importantes Brasil afora.

SERVIÇO

Marcha da Maconha de São Paulo

Sábado, dia 11 de junho, a partir das 14h20 – concentração no vão do Masp, Avenida Paulista (São Paulo).

Manifestação pública e gratuita

Saiba mais em: www.instagram.com/marchadamaconhasp

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#PraTodosVerem: fotografia de capa mostra a ala de frente da Marcha da Maconha de São Paulo de 2019, cuja faixa branca traz o eixo da edição, “Para o povo vivo e livre, legalize”, em verde. Crédito: Dave Coutinho | Smoke Buddies.

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Sobre Smoke Buddies

A Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. https://www.smokebuddies.com.br
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