Mais uma marca de CBD chega ao mercado brasileiro

gota oleo frasco Mais uma marca de CBD chega ao mercado brasileiro

A Koba é a primeira marca de canabidiol produzida no Paraguai e comercializada no Brasil. Saiba mais no texto da jornalista Patrícia Buche, a seguir

Na metade de março foi realizado o evento nacional de lançamento da Koba, um produto à base de cannabis rico em CBD, fabricado no Paraguai e que será comercializado no Brasil.

O evento, realizado em Foz do Iguaçu (PR), ofereceu a médicos e profissionais da saúde a oportunidade de receber uma aula de quatro palestrantes especialistas em cannabis medicinal. Foram eles: Dr. Elton Gomes da Silva, Dr. Flávio G. Alves, Dr. Francisney Nascimento e Alex Lucena.

Os profissionais explicaram a importância do uso de CBD para o tratamento de doenças como a ansiedade, depressão, Alzheimer, autismo, epilepsia refratária, dor crônica, entre outras. No final os sócios, Diego Barros e André Kochem, responsáveis pelo desenvolvimento da Koba apresentaram o produto ao mercado e ressaltaram que, mais do que utilizar o canabidiol para tratamento de doenças, o ideal é que a Koba seja vista como um suplemento, um nutriente essencial para o equilíbrio do corpo.

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O uso da cannabis está cada vez mais em alta no mundo, devido às comprovações científicas que demonstram a eficácia no uso para o tratamento de diversas doenças como a ansiedade, depressão, Alzheimer, autismo, epilepsia refratária, dor crônica, entre outras.

Em Foz do Iguaçu, o Dr. Elton Gomes da Silva, neurocirurgião e doutor em neurologia, que prescreve o uso da cannabis desde 2015 e é o Head Doctor da Koba, contextualizou a história da cannabis para uso medicinal e também relatou como iniciou seu trabalho prescrevendo o CBD para pacientes. Segundo ele, foi uma criança que tinha epilepsia refratária e já tinha feito uso de diversos medicamentos. A mãe chegou até ele em 2015 e pediu se ele poderia prescrever o uso de canabidiol para o filho. O doutor não tinha conhecimento sobre o uso, mas foi atrás, pesquisou em artigos científicos e começou a receitar doses pequenas à criança. Em pouco tempo, com o aumento gradativo das doses, a criança apresentou melhora na redução das crises epiléticas. E a partir de então Silva avançou os estudos na área e passou a prescrever para os pacientes que necessitam.

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“Hoje, o uso de canabinoides é indicado em diferentes composições, conforme os estudos clínicos. Para dor e esclerose múltipla, por exemplo, é indicado o uso de CBD junto com THC. Para epilepsia, o CBD sozinho. Para tratamentos paliativos, THC junto com CBD. E para perda de peso, nos casos de câncer, também o CBD com THC. Já estudos com evidência moderada, o uso de canabinoides é indicado para tratamentos de doença de Parkinson, Alzheimer, glaucoma, síndrome do estresse pós-traumático, ansiedade e algumas patologias dermatológicas”, destacou o doutor.

O segundo palestrante, Dr. Flávio G. Alves, médico e diretor científico da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide de São Paulo, comentou sobre o sistema endocanabinoide e destacou que seu estudo, infelizmente, não faz parte da formação dos médicos na academia e que é importante ampliar o conhecimento sobre esse sistema tão importante para o funcionamento do corpo.

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Foto: Agência Levante.

O sistema endocanabinoide é formado pelos receptores canabinoides, pelos endocanabinoides, as enzimas metabolizadoras e pelo transportador membranar. Dentre os mais amplamente pesquisados, existem os receptores CB1, que são encontrados principalmente no cérebro e no sistema nervoso central, e os receptores CB2, que se concentram majoritariamente nos órgãos, tecidos e músculos. Neste sistema, os endocanabinoides (neurotransmissores produzidos pelo próprio organismo) e os fitocanabinoides (produzidos pela planta da cannabis) se ligam aos receptores canabinoides através de proteínas expressas em todo o sistema nervoso central dos vertebrados e sistema nervoso periférico. “O uso do canabidiol ajuda a estimular o sistema endocanabinoide, que é responsável pela busca da homeostase. Ou seja, esse sistema está intimamente ligado com o equilíbrio do organismo, pois ele ajuda a regular diversos outros processos fisiológicos no nosso corpo”.

Além disso, ele reforçou que a Cannabis sativa possui mais de 500 compostos químicos, sendo que mais de 100 são canabinoides, como o CBD e o THC, mas que existem muitos outros compostos com propriedades terapêuticas, como os terpenos, que são moléculas aromáticas e que atuam também na modulação da experiência com a cannabis. Também enfatizou que o canabidiol é ansiolítico, antidepressivo, antipsicótico, anticonvulsivante, tudo isso baseado na regulação do sistema endocanabinoide.

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O terceiro palestrante, Dr. Francisney Nascimento, pós-doutor em neurofarmacologia, especialista em cannabis medicinal e atuante na UNILA, falou sobre o uso clínico do CBD e a importância de utilizar a cannabis para repor o nosso sistema endocanabinoide. “Quando envelhecemos, produzimos menos endocanabinoides, o que nos torna mais suscetíveis a várias doenças. Por isso, penso que no futuro vamos ouvir falar muito sobre a reposição canabinoide, em pacientes acima dos 50, 60 anos, para auxiliar o sistema imunológico e tornar o organismo menos suscetível a doenças”.

Por fim, Alex Lucena, diretor de inovação e sócio do The Green Hub, falou sobre como a aceleradora de startups auxilia no avanço do setor canábico no Brasil e no mundo através da inovação e tecnologia.

Ele ressaltou que, apesar de no Brasil existirem aproximadamente 500 mil médicos, apenas cerca de 1.200 prescrevem o uso da cannabis. Ele destacou a importância da acessibilidade do produto no Brasil, para que famílias que necessitam do tratamento possam ter acesso, e também trouxe um olhar para além do âmbito medicinal, reiterando a importância que o setor da cannabis tem para o desenvolvimento sustentável e para causas sociais.

Sobre os efeitos colaterais e dependência do uso de canabidiol, questão levantada pelos profissionais presentes no evento, o Dr. Flávio destacou que, ao contrário do que a gente imagina, “o uso de canabidiol promove a diminuição do apetite, pois o aumento do apetite está relacionado ao uso de THC. E como as doses geralmente são muito pequenas é muito difícil ter efeitos colaterais. É um uso bastante seguro e, com relação à dependência, sabemos que é um composto dos que menos produzem dependência, diferentemente do álcool ou da nicotina, por exemplo”.

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Foto: Agência Levante.

Conhecendo a Koba

Após a explanação dos palestrantes e de uma apresentação cultural da Cia do Corpo, os sócios responsáveis por desenvolver a Koba, Diego Barros e André Kochem, fizeram a apresentação da marca.

Os empresários destacaram como foi o processo de criação da Koba, que iniciou em julho de 2021, onde eles analisaram e testaram mais de 200 marcas internacionais para encontrar a formulação correta. Fizeram análises durante três meses até chegar ao produto final. Também utilizaram a estrutura e know-how de uma empresa estadunidense que já atua no mercado, e estruturaram o laboratório em Assunção no Paraguai, onde o produto é fabricado e produzido, para depois ser distribuído no Brasil. Assim, além dos dois sócios, a Koba conta com um sócio no Paraguai, Dr. Marcelo Demp, que é presidente da CCIP (Câmara de Cânhamo Industrial do Paraguai) e pioneiro canábico no país, e também com a expertise de Chris Hammer, que cuida das formulações nos EUA.

“Através da ciência e da natureza, estamos aqui para promover a sustentabilidade, o consumo consciente, o equilíbrio e um estilo de vida mais saudável para todos”, destacou Diego.

A produção da cannabis é toda feita no Paraguai, por meio de um trabalho de responsabilidade social onde, em associação à CCIP, a Koba faz parte do projeto Hemp Guarani, que auxilia o desenvolvimento de famílias camponesas e indígenas por meio da cannabis industrial. Também fazem parte da LAIHA, associação que unifica e fortalece a indústria de cânhamo da América Latina, conectando o cânhamo industrial a vários setores como a indústria têxtil, de papel e celulose, bicombustíveis e outros.

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A Koba também disponibiliza, diretamente na embalagem do produto, o COA, um certificado de análises que mostra as concentrações das substâncias presentes no produto, garantindo a transparência na qualidade e eficácia.

Com relação à regulamentação brasileira que permite a comercialização do produto no Brasil, a Koba já tem autorização para a importação direta por pacientes com prescrição médica. “De acordo com essa regulamentação não é permitido ter estoque do produto Koba no Brasil. Assim, quem precisa fazer uso do produto realiza uma consulta com um médico prescritor e, logo após, entra em contato conosco, pelos nossos canais. Então, a Koba dá todo o suporte para obter a autorização da Anvisa, que é emitida automaticamente após ter a prescrição médica. Com isso o paciente está autorizado a fazer a compra pelo nosso site e o produto importado chega entre 7 a 10 dias”.

Além de iniciar a venda da Koba pelo e-commerce nos próximos dias, um dos principais objetivos dos sócios é começar um trabalho de suporte a atletas olímpicos da canoagem, atletismo, ginástica, entre outros, pois são atividades que demandam esforço e concentração e o uso do óleo de CBD ajudará esses atletas.

Os sócios também farão, em breve, o lançamento de novos produtos da marca e esperam que em 2023 a Koba esteja disponível para a venda em todas as farmácias do Brasil. Além disso, estão desenvolvendo o aplicativo Koba+ que reunirá informações sobre o uso da cannabis, e estão trabalhando para que, até julho deste ano, tenham 500 médicos cadastrados na plataforma do site, para prestarem serviço de telemedicina aos pacientes, proporcionando um maior acesso à informação sobre o uso de canabidiol.

Eles também ressaltaram o desejo de realizar mais eventos informativos sobre a importância do uso de CBD para a melhora da qualidade de vida. “O que nós queremos destacar é que o uso de CBD não precisa ser a ação final, pode e deveria ser a primeira. Não gostamos de chamar de medicamento, o Koba CBD é um suplemento, um nutriente essencial para o equilíbrio do corpo. E nós queremos despertar o essencial que vive em cada pessoa”, reforça André.

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#PraTodosVerem: fotografia em destaque mostra a ponta de uma cânula com óleo de onde sai uma gota, a parte de cima de um frasco de cor âmbar e um fundo desfocado de folhas de cannabis. Foto: Cannabis Radar.

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