Mães se unem por tratamento com a cannabis no Cariri cearense

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A Associação das Mães Escolhidas (Ame) é formada por um grupo de mulheres que têm o propósito de acolher, apoiar e dar suporte às famílias de deficientes da região. Saiba mais com as informações do Jornal do Cariri

Um encontro virtual, realizado pela Associação das Mães Escolhidas (Ame), reuniu ativistas, professores, pesquisadores, políticos, além da sociedade civil, via plataforma do Google Meet. Na pauta, foi discutida a busca por garantir que o tratamento terapêutico por meio da cannabis medicinal seja alcançado por todos na região do Cariri, no interior do Ceará. O óleo da planta auxilia no tratamento de doenças como epilepsia refratária de difícil controle, transtorno do espectro autista (TEA), Alzheimer, Parkinson, glaucoma, câncer, doenças crônicas, entre outros problemas de saúde.

Criada em janeiro de 2016, a Ame é formada por um grupo de mulheres que têm o propósito de acolher, apoiar e dar suporte às famílias de deficientes da região do Cariri. A entidade já atua à frente de pautas como o direito das crianças com deficiência à educação e à assistência social, bem como oferece atendimento médico e jurídico às famílias. Agora, as mães irão buscar junto ao Legislativo de Juazeiro do Norte um Projeto de Lei de apoio aos pacientes que fazem uso do tratamento à base de cannabis, e parcerias com universidades para testar o óleo extraído da planta. A doação de um terreno para ser a sede da Ame, local que servirá de reabilitação e centro de pesquisa, também foi debatida na reunião.

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A juazeirense Arleth Almeida tem um filho de 20 anos com paralisia cerebral que faz uso da cannabis há três anos. Ela conta que, antes da cannabis, ele tinha muitos espasmos incontroláveis, usava vários medicamentos alopáticos, mas, após a introdução da cannabis, as dores da alma e do corpo vêm sendo amenizadas. “A maconha foi a decisão mais acertada que tomei”, afirma a mãe, que hoje é a única na região do Cariri a possuir um HC, ou habeas corpus, uma espécie de ferramenta jurídica em que a Justiça autoriza o cultivo e a extração da maconha, sem o risco de apreensão. “Comecei a ver um cenário caótico aqui na região, então vi que era hora do Cariri cearense chegar ao cenário nacional para preencher a grave lacuna provocada pelo estado de ilegalidade da cannabis, fato pelo qual grande número de pacientes em potencial encontra-se privado de seus benefícios terapêuticos”, conta.

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Arleth explica que um dos seus objetivos era que, mais tarde, outras crianças pudessem fazer uso do mesmo benefício, mas identificou que a demanda era muito maior. “Com o passar do tempo, percebi que a demanda não era mais só crianças, pois recebia diariamente mensagem para o tratamento e os pacientes aumentando. Hoje, temos pacientes adultos, com várias patologias, e os relatos são impressionantes”, ressalta.

Ao todo, a entidade tem 120 associados das cidades do Cariri, e também fora dele. A maioria dos pacientes é de Juazeiro do Norte, mas também têm pessoas do Crato, Barbalha, Iguatu, Nova Olinda, Santana do Cariri e Piquet Carneiro. Uma das urgências da associação é um maior diálogo com o poder público e o Legislativo, para conseguir um Projeto de Lei que institua um dia de conscientização sobre a importância da cannabis medicinal em Juazeiro do Norte, dada a dificuldade de acesso ao tratamento no Brasil, em virtude do alto custo. Em sua observação, o melhor caminho é que as mães possam cultivar e extrair o óleo, já que muitas não têm recursos suficientes para comprar o medicamento na indústria farmacêutica. “A nossa intenção é fazer a produção do óleo de forma coletiva para distribuir às famílias associadas que não têm condições. Para isso precisamos de apoio, colocar em pauta o tema. Nunca o direito à vida é polêmico, como a maioria das autoridades às quais procuramos pedir apoio nos disse”, relata.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra uma mulher com os olhos fechados e as mãos apoiadas nos joelhos em meio a várias plantas de cannabis cultivadas em grandes baldes pretos. Foto: acervo pessoal.

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