K2, spice ou maconha sintética: conheça os riscos dessa droga e fuja dela

maconha sintetica k2 spice legal high fuja dessa K2, spice ou maconha sintética: conheça os riscos dessa droga e fuja dela

Com efeitos semelhantes aos da erva natural, porém causando convulsões e danos irreparáveis ao cérebro, a maconha sintética é uma droga perigosa e o risco de perder a vida não vale a brisa. Fica o alerta, informação também é redução de danos.

Recentemente a droga K2, spice ou mais conhecida como “maconha sintética” ganhou destaque nos noticiários do mundo por conta de uma overdose em massa, no bairro do Brooklyn, em Nova York. O caso ocorreu na última terça-feira (12). Mais de trinta pessoas foram encontradas com sinais da droga e precisaram ser socorridas.

“Era como uma cena de The Walking Dead, as pessoas estavam cambaleando em todos os cantos”, afirmou um dos moradores da região, Brian Arthur, enquanto transmitia o desespero dos usuários em um vídeo ao vivo no seu Facebook.

site sb K2, spice ou maconha sintética: conheça os riscos dessa droga e fuja dela

De acordo com o jornal The New York Times, os usuários da droga na região são conhecidos como “zumbis” e uma nova legislação, de 2015, proibiu a comercialização da droga sintética em estabelecimentos comerciais, reduzindo o consumo do K2 em até 85% — no entanto, o problema continua, em especial entre os sem-teto.

Apesar da sua comercialização ser proibida, em Nova York, a “maconha sintética” não possui um fabricante específico. São muitos fornecedores, o acesso é relativamente fácil e custa cerca de US$ 1. Em uma pesquisa rápida pela internet você consegue encontrar vendas de pacotes individuais e até lotes da substância, inclusive no Brasil.

Um novo estudo, o Global Drug Survey 2015, detectou pela primeira vez que a versão sintética da maconha vem sendo usada no Brasil. No país, o levantamento é coordenado pela Unifesp e divulgado na Folha de S.Paulo.

Disfarçada de incenso e ervas aromatizadoras, através dos tradicionais nomes Spice, K2, High Legal, Black Mamba, Cannabis Blends e entre outros, o importante é destacar o que realmente é essa tal de “maconha sintética”, o que não tem nada a ver com a maconha natural, seus malefícios e através desta informação evitar o uso, a fim de reduzir os danos que podem levar à morte.

– O QUE É “MACONHA SINTÉTICA”?

Na sua essência, maconha sintética é uma mistura de produtos químicos industriais com moléculas sintéticas de THC pulverizada sobre qualquer erva seca, como capim, envolta em brilhantes e chamativos pacotes coloridos, que são vendidos sob uma variedade de nomes — sendo K2 e Spice os mais conhecidos, embora centenas de outras marcas terem sido encontradas.

spice K2, spice ou maconha sintética: conheça os riscos dessa droga e fuja dela

Enquanto ela é projetada para se parecer com maconha, mesmo não possuindo o aroma e aparência da mesma, o seu consumo afeta o cérebro de forma diferente do que a droga natural e, de acordo com o NIDA (Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA), os usuários podem experimentar ansiedade, agitação, náuseas, vômitos, hipertensão arterial, convulsões, alucinações, pânico, incapacidade de comunicação, paranoia, além de levar o usuário a agir com violência.

– COMO SURGIU?

Nos anos 90, na Carolina do Sul, o químico americano John W. Huffman começou a sintetizar canabinoides, na busca de medicamentos para o alívio do sofrimento de pacientes de aids e câncer, que acabaram por fim se tornando uma droga perigosa.

Anos depois, Huffman, que não gosta de falar sobre o assunto, declarou a uma rádio da Carolina do Norte: “Você não pode ser responsabilizado pelo que idiotas (usuários) fazem”.

Para Dartiu Xavier da Silveira, psiquiatra e pesquisador da Unifesp, a maconha sintética surgiu por conta da proibição das drogas, como declarou à Folha. “Toda medida proibicionista leva a novas modalidades de uso das drogas, muitas vezes mais perigosas”, afirma.

Dartiu considera a maconha natural uma droga segura. “Se você levar em conta o número de pessoas que usam maconha e os problemas decorrentes, a porcentagem é muito pequena, mesmo em comparação ao uso de drogas lícitas, como álcool e tabaco”.

– POR QUE É TÃO POPULAR?

Primeiro, o preço. Enquanto nos EUA o preço da maconha real pode variar de estado para estado, a droga sintética custa muito menos, sendo vendida em algumas lojas como incenso, e na sombra da lei se torna um hit para as crianças e moradores de rua. Segundo, exames toxicológicos, a “maconha sintética” não aparece nos testes de drogas, tornando-se a primeira escolha para as pessoas que enfrentam exames frequentes, como os militares ou quem tiver sob supervisão judicial.

Vale ressaltar que a popularidade da droga também se dá em razão da mesma conter versões sintéticas de THC e da maconha verdadeira ser proibida, levando os usuários a utilizarem a fim de burlar a proibição.

Países como Hungria, Polônia e Nova Zelândia proibiram a comercialização da substância desde meados de 2014.

1092360 800x450 K2, spice ou maconha sintética: conheça os riscos dessa droga e fuja dela

– É ILEGAL?

Nos primeiros anos de existência, os fabricantes tiveram pouca preocupação com a fiscalização, já que eles comercializavam a substância como incenso, em embalagens que traziam o aviso “não é para consumo humano”. Como o uso e a doença atingiram níveis preocupantes, estados como New Hampshire, Nebraska e Nova York começaram a reprimir. Regulamentar ajuda a reduzir a disponibilidade e o uso, mas isso não tem sido a melhor forma, especialmente por que os compostos estão constantemente sendo alterados para contornar a regulamentação e a proibição. Em entrevista à NBC New York, um adicto disse que depois que as lojas de conveniência foram proibidas de vender a substância ele acabou indo morar na rua. “Eles (fabricantes) possuem caras que andam por aí vendendo porque estão cientes que a polícia está de olho nas lojas”, disse o usuário.

– SERÁ QUE A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA PODE EVITAR O USO DESSA DROGA SINTÉTICA?

Educação, prevenção e investigação sobre a droga são naturalmente parte da solução. Mas os defensores, incluindo Huffman, o químico que inventou os compostos, acreditam que regulamentar a maconha reduziria a demanda pela droga química, citando que a maconha verdadeira é muito menos perigosa que o sintético homólogo.

Se mesmo após ler tudo isso acima você ainda considera que não há riscos associados ao consumo de “maconha sintética”, assista a Spice Boys, um trabalho da Vice em que o repórter Ben Ferguson vai a Manchester conhecer usuários que se tornaram dependentes da substância. Assista (se o vídeo não iniciar legendado configure para português):

Com efeitos semelhantes aos da erva natural, porém causando convulsões e danos irreparáveis ao cérebro, a maconha sintética é uma droga perigosa e o risco de perder a vida não vale a brisa. Fica o alerta, informação também é redução de danos.

Artigo publicado originalmente em inglês pela Rolling Stone. Tradução e adaptação Smoke Buddies.

 K2, spice ou maconha sintética: conheça os riscos dessa droga e fuja dela

Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.
Deixe seu comentário
Assine a nossa newsletter e receba as melhores matérias diretamente no seu email!