Maconha pode ajudar na cura da AIDS?

Maconha pode impedir que o v  rus HIV se espalhe Maconha pode ajudar na cura da AIDS?

Um estudo conduzido em Louisiana (EUA) mostra que o THC presente na erva pode ajudar na proteção das células que a doença destrói. Apesar dos avanços, as leis impedem que a pesquisa dê o próximo passo em seus testes. O texto original é do Merry Jane e a tradução é do Smoke Buddies.

Por décadas, ficou bem claro à pacientes com AIDS, seus médicos e suas famílias que a maconha é uma ferramenta poderosa no arsenal médico muito usada para combater a doença. A erva não só estimula o apetite como também ajuda a prevenir à devastadora subnutrição que normalmente atinge os pacientes. Isso é notícia antiga. Mas uma novidade na área de pesquisas médicas da cannabis sugere que nela está a real chave para brecar o HIV.

Trabalhando com chimpanzés infectados, pesquisadores da LSU (Universidade do Estado de Louisiana, EUA) descobriram em fevereiro de 2014 que doses diárias de THC durante um período de 17 meses se mostraram capazes que diminuir os danos causados ao tecido do sistema imunológico no estômago, uma das áreas mais comuns a serem afetadas no corpo dos pacientes. Já que o HIV se espalha afetando as células saudáveis, a habilidade do THC de proteger estas células em cobaias com HIV positivo pode ser uma mudança drástica na forma com que tratamos uma das mais devastadoras doenças do mundo.

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Somando ao estudo de 2007 da Universidade de Columbia (EUA) que relaciona uma dose diária (4x/dia) de maconha com o aumento do apetite e robustez dos movimentos e da aparência, e também ao estudo de 2011 da Dra. Patricia Molina (LSU) que pavimentou o caminho até os testes de 2014 com os chimpanzés, os recentes avanços mostram que a amplitude do escopo da maconha medicinal possui limites que nós ainda não entendemos por completo. O problema é que, apesar da importância do trabalho da Dra. Molina na LSU, ainda é impossível para ela testar estas descobertas memoráveis em humanos, mesmo após ter resultados positivos com nosso parente primata mais próximo.

Isto é particularmente frustrante, já que seu trabalho com os chimpanzés sugere o que o THC pode fazer à um órgão cujas células foram devastadas pelo HIV: reparar estas células ao ativar receptores no intestino dos pacientes conhecidos como Receptores CB2, que são capazes de criar novas e saudáveis células que poderiam barrar o vírus com sucesso.

Enquanto o estudo da Dra. Molina fica nesta espécie de limbo, outros médicos estão se assumindo contra a ideia da maconha como medicamento. O cético Dr. Kevin Sabet disse palavras contundentes ao The Daily Beast sobre o assunto: “Este estudo fala sobre o THC – não sobre a maconha em si – e não devemos confundir estes dois aspectos. Isto não é sobre maconha – e qualquer caracterização como tal é falsa. Seria como se falássemos que as pessoas deveriam fumar ópio porque a morfina ajuda em X condição”, disse.

Além do mais, concordando ou não com Sabet, mesmo nos Estados onde a maconha é regulamentada se faria o tipo de teste necessário para descobrir o efeito que dar “um dois” pode ter sobre o HIV, algo quase impossível.

Independente do quanto o THC possa ajudar os pacientes com AIDS uma vez que pesquisas em larga-escala com eles forem possíveis, é certo que a erva é uma das poucas opções medicinais para aumentar o apetite e para driblar a subnutrição daqueles que são afetadas por estas condições debilitantes. Pacientes nos estados do país onde a maconha medicinal é legal são capazes de tirar vantagem deste aumento na qualidade de vida – a qual, décadas atrás, a AIDS oferecia apenas sofrimento. No longo caminho da descoberta dos mistérios da AIDS, a maconha pode parecer um estranho parceiro da ciência médica, e juntos eles podem ter a chave para estas respostas.

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