Estudo mostra que maconha melhora déficit de memória em idosos

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Publicado na revista Nature Medicine, o estudo feito com ratos mostra relação entre o uso da maconha e uma melhora significativa na capacidade de aprendizado e memorização, além de mostrar mais evidências da eficácia da erva no tratamento de doenças como o Alzheimer. As informações são do UOL.

O uso terapêutico da maconha (Cannabis sativa) tem ganhado um espaço em diversos países do mundo. Em maio deste ano (2017) um novo estudo foi publicado na revista Nature Medicine, mostrando que doses baixas de THC (tetrahidrocanabinol) – substância da maconha responsável por “dar barato”, mas que também tem propriedades medicinais – podem melhorar déficit de aprendizagem e de memória relacionados à idade.

Realizado por pesquisadores alemães e israelenses, sob a coordenação de Andreas Zimmer, diretor do Instituto de Psiquiatria Molecular da Universidade de Bonn, na Alemanha, o estudo foi feito com ratos e três idades distintas: de 2, 12 e 18 meses. A eles, foram administradas, por 28 dias, baixas doses de THC, observando-se, então, seu refeito sobre o comportamento neurocognitivo e os padrões de expressão gênica.

Embora o tratamento tenha prejudicado o desempenho comportamental em tarefas de aprendizado e memória em ratos jovens, a mesma experiência realizada com ratos adultos e idosos se mostrou positiva, fazendo com que a capacidade de aprendizado e de memorização fosse melhorada.

Para os pesquisadores, tais alterações no comportamento de animais mais velhos foram associadas à restauração, desencadeada pela atuação do canabinoide, dos padrões de expressão genética do hipocampo deles, estrutura cerebral relacionada à memória.

Os cientistas afirmam, no entanto, que é prematuro dizer se estes efeitos também podem ser aplicados a outras espécies, incluindo humanos. O próximo passo é replicar o estudo com macacos, animais mais próximos aos humanos.

Luta contra o Alzheimer?

Outros estudos realizados nos últimos anos também apontam o THC como uma substância potencialmente benéfica para tratamentos de doenças relacionadas à perda de memória, como a doença de Alzheimer. Um estudo da Ohio State University, dos Estados Unidos, por exemplo, indica que o canabinoide pode reduzir índices de inflamação no cérebro em pessoas idosas, estimulando a formação de novos neurônios.

Para os cientistas que conduziram este estudo, realizado em 2008, o THC, quando consumido com moderação, é eficaz na proteção do cérebro contra inflamações, o que pode se traduzir em uma melhor memória na velhice.

Outra pesquisa, mais recente, datada de 2016 e realizada por cientistas do Salk Institute, também dos EUA, apontou evidências preliminares de que o THC – bem como outros canabinoides – tem potencial para remover a beta-amiloide, proteína tóxica associada com a doença de Alzheimer.

Leia também: Princípio ativo da maconha pode ajudar a prevenir Alzheimer

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