Mito do maconheiro preguiçoso é destruído pela ciência: usuários de cannabis não fazem menos exercícios

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Pesquisadores estadunidenses analisaram os dados de um grande estudo longitudinal e não encontraram associação negativa significativa entre o uso de maconha e a realização de atividades físicas

A ciência derruba, mais uma vez, o mito criado pelos proibicionistas de que consumidores de maconha são preguiçosos e sedentários.

Um novo estudo, publicado na Preventive Medicine, avaliou as mudanças de comportamento ao longo do tempo de usuários de cannabis em relação à realização de atividades físicas e descobriu que o estereótipo associado aos maconheiros não condiz com a realidade.

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Karoline Mortensen e Michael T. French, da Escola de Negócios da Universidade de Miami, e Manuel Alcalá Kovalski, da Brookings Institution, nos EUA, analisaram os dados do Estudo Nacional Longitudinal de Saúde Adolescente e Adulta (Add Health), um estudo longitudinal com mais de 20.000 estudantes do ensino fundamental ou médio que começou em 1994 e decorreu de cinco ondas (rodadas) de pesquisas sobre os mesmos assuntos.

Mortensen, French e Kovalski se concentraram nas duas últimas rodadas do estudo: Onda IV, concluída em 2009 com 14.784 indivíduos com idades entre 24 e 34 anos, e Onda V, concluída em 2018 com 12.043 indivíduos com idades entre 34 e 42 anos.

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Os pesquisadores avaliaram o uso leve, moderado e pesado de maconha dos indivíduos nos últimos 30 dias em relação à atividade física nos últimos sete dias. A análise estatística não resultou em associação negativa significativa entre as duas variáveis. Na verdade, em casos de correlação significativa, a relação aponta para um aumento da atividade de exercícios para usuários de cannabis, embora esse achado não indique necessariamente um efeito causal.

“Pesquisadores de saúde comportamental, autoridades do governo, formuladores de políticas e defensores da saúde pública devem considerar essas descobertas rigorosas e objetivas e apoiar pesquisas futuras sobre o assunto enquanto debatem os méritos da liberalização das leis sobre a maconha nos níveis estadual e federal”, escreveram os autores do estudo.

“Em particular, as alegações de que a legalização da maconha levará os indivíduos a se tornarem mais sedentários, menos ativos e, portanto, menos saudáveis ​​não são corroboradas por nossas descobertas empíricas”, concluem os pesquisadores.

Vale ressaltar que o estudo também capturou o comportamento dos usuários de maconha de meia-idade, além das faixas etárias usuais do ensino médio e da faculdade da maioria das pesquisas, ampliando a visão sobre o consumo atual de cannabis, à medida que mais estados americanos estão legalizando a planta e a tornando mais acessível para uma população mais velha. Conforme observado pelos pesquisadores na publicação, a prevalência do uso de cannabis entre os adultos estadunidenses já triplicou, de 4,1% em 2003 para 15,9% em 2018.

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Confirmando estudos anteriores

Um estudo realizado com estadunidenses idosos descobriu que os consumidores de cannabis tenderam a fazer mais exercícios formais e se envolver em mais atividades físicas do que os não consumidores durante o período de quatro meses do experimento. O estudo foi divulgado na edição de julho de 2020 da American Journal on Health Behavior.

“Comparado aos idosos não usuários”, diz o estudo, da Universidade do Colorado (CU) em Boulder, “os idosos usuários de cannabis tinham um índice de massa corporal mais baixo no início do estudo de intervenção com exercício, envolveram-se em mais dias de exercício na semana durante a intervenção, e estavam engajados em mais atividades relacionadas ao exercício na conclusão da intervenção”.

Os adultos acima de 60 anos que usam maconha não apenas estavam em melhor forma do que seus colegas não usuários de cannabis, como também foram mais receptivos a um “ensaio de intervenção com exercício” de quatro meses.

“Essas descobertas sugerem que pode ser mais fácil para os idosos que endossam o uso de cannabis aumentar e manter seu comportamento de exercício, potencialmente por que os usuários de cannabis têm menor peso corporal do que seus pares que não usam”, escreveram os autores do estudo, uma equipe do Departamento de Neurociência e Psicologia da CU. “No mínimo, as evidências sugerem que o uso de cannabis não prejudica a capacidade de idosos de se envolverem em atividades físicas, de participarem de um programa de exercícios supervisionados ou de aumentarem sua aptidão física como resultado da atividade física“.

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“Neste estudo, o uso atual de cannabis foi associado a um IMC mais baixo e a mais comportamentos de exercício em idosos saudáveis ​​que desejam aumentar sua atividade física”.

“Dada a pletora de consequências negativas à saúde associadas à inatividade e os fatores de proteção associados ao exercício”, escreveram os pesquisadores, “devem ser feitos esforços para entender fatores, como o uso de cannabis, que podem afetar o envolvimento dos idosos no exercício”.

“Esses dados preliminares sugerem que o status atual de uso de cannabis não está associado a um impacto negativo no condicionamento físico e nos esforços para aumentar o exercício em idosos sedentários”.

Os pesquisadores admitem que não sabem ao certo por que o uso da cannabis está associado a escores mais baixos de IMC ou por que as pessoas que consumiram maconha foram melhores em seguir suas agendas de treino. “Trabalhos futuros”, afirma o artigo, “devem empregar métodos que permitam uma exploração direcionada dos mecanismos pelos quais a cannabis pode estar associada ao exercício, seja através do menor peso corporal, aumento do prazer, diminuição da dor ou recuperação mais rápida”. Todos esses fatores em potencial, observou a equipe, foram sugeridos por pesquisas existentes.

Um estudo separado da Universidade do Colorado publicado em 2019 descobriu que a maioria dos consumidores de maconha relatou que o uso de cannabis antes ou depois do exercício melhora a experiência e ajuda na recuperação.

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#PraCegoVer: fotografia que mostra uma mulher de costas segurando uma barra com duas grandes anilhas, uma em cada ponta, acima da cabeça, de frente ao suporte de barras que está fixado em uma parede de blocos cinza. Foto: John Arano / Unsplash.

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