Legalização da maconha na América do Norte é vista como “nova ameaça à China”

CNN Legalização da maconha na América do Norte é vista como nova ameaça à China

O principal órgão de combate às drogas de Pequim culpou a legalização da maconha no Canadá e em partes dos Estados Unidos por um aumento na quantidade de drogas contrabandeadas ao país, descrevendo-a como uma “nova ameaça à China”. Informações são da CNN

Em entrevista coletiva em Pequim na segunda-feira (17), Liu Yuejin, vice-diretor da Comissão Nacional de Controle de Narcóticos da China, disse que o número de usuários de maconha cresceu mais de 25% em 2018 no país, chegando a cerca de 24 mil pessoas.

“Em dois anos, descobrimos que a cannabis é cada vez mais traficada da América do Norte para a China”, disse ele, embora admitisse que havia “poucos usuários de maconha na China” em relação à população total.
Segundo Liu, a China interceptou 115 pacotes enviados através de encomendas postais internacionais, contendo um total de “55 quilos de cannabis e produtos de cannabis” em 2018.

Liu disse que a maioria dos suspeitos ligados às parcelas apreendidas eram estudantes estrangeiros ou estudantes que voltaram para casa depois de trabalhar no exterior. Ele disse que a maioria das drogas foi transportada através de entrega expressa internacional – Liu não especificou quantos pacotes vieram da América do Norte.

A China pune severamente aqueles que forem pegos contrabandeando ou traficando drogas, incluindo estrangeiros. Qualquer pessoa encontrada com mais de 50 gramas de uma substância controlada pode enfrentar a pena de morte.

A China intensificou seus esforços para combater a venda de drogas ilegais nos últimos anos. Autoridades nas principais cidades, incluindo Pequim, são conhecidas por realizar testes de drogas em bares e boates, em uma tentativa de reprimir o uso de drogas recreativas.

O movimento coloca em desacordo com a América do Norte, onde a cannabis tem níveis crescentes de aceitação social.

Os primeiros dispensários de maconha abriram suas portas no Canadá em outubro de 2018, depois de ter se tornado apenas o segundo país do mundo a legalizar totalmente a droga. Ao sul da fronteira, é legal comprar e possuir maconha em 10 estados dos EUA, enquanto muitos outros descriminalizaram o porte da droga ou legalizaram a maconha medicinal.

A cannabis não é a única droga que causou divisões entre os EUA e a China. Há anos, Washington tenta convencer Pequim a reprimir a produção e a distribuição de Fentanil no país, uma droga mortal que está devastando partes dos Estados Unidos.

O Fentanil é entre 50 e 100 vezes mais potente que a morfina e 30 a 50 vezes mais potente que a heroína. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, ele estava ligado a uma em cada quatro mortes por overdose nos EUA em 2018.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia acusado a China de estar por trás da crise dos opiáceos nos Estados Unidos, afirmando em agosto de 2018 que o Fentanil estava “fluindo pelo sistema postal dos EUA”.

O governo chinês anunciou em abril que iria reprimir as substâncias relacionadas ao Fentanil, no que era visto como uma concessão à administração Trump, que vinha pressionando para uma maior fiscalização.

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#PraCegoVer: Fotografia em destaque mostra Liu Yuejin, vice-diretor da Comissão Nacional de Controle de Narcóticos da China, em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, 17 de junho. Foto: Divulgação | CNN.

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