Justiça manda Prefeitura de Jundiaí (SP) comprar remédio à base de maconha

folhas frasco Justiça manda Prefeitura de Jundiaí (SP) comprar remédio à base de maconha

Segundo a Prefeitura, o produto não está registrado na Anvisa e, portanto, o SUS não pode reembolsá-lo; mandado afirma que o paciente pode ter prejuízos irreparáveis se não utilizar a medicação. Com informações do Jundiaí Agora

Por determinação judicial, a Prefeitura de Jundiaí terá de comprar canabidiol, ou seja, remédio feito à base de maconha. Esta é a terceira vez que o município recebe ordem para adquirir este tipo de remédio, tendo gastado aproximadamente R$ 38 mil até agora. O mandado judicial afirma que o paciente está em início de tratamento e se não utilizar o ‘Hemp Oil RSHO’ poderá ter prejuízos irreparáveis. O canabidiol serve para tratar epilepsia, esquizofrenia, Mal de Parkinson, autismo, dor neuropática, ansiedade e insônia.

Segundo a Prefeitura, este medicamento não está registrado na Anvisa. Por isto, o SUS não pode comprá-lo ou reembolsá-lo. Até o momento, o único remédio deste tipo que é aceito pela Anvisa é uma solução oral, de acordo com nota divulgada pelo Executivo. As ordens judiciais atendidas pela Prefeitura não eram para este produto. Numa delas, no entanto, o município comprou a medicação junto com o Governo do Estado.

lazy placeholder Justiça manda Prefeitura de Jundiaí (SP) comprar remédio à base de maconha

Leia: Família de Sorocaba (SP) obtém ordem judicial para SUS fornecer CBD a criança autista

A opinião da ciência

Em artigo publicado no site esclerosemultipla.com.br em 2015, o doutor em Ciências (Neurologia) pela USP, Thiago Junqueira, explica que “o uso de derivados da Cannabis (maconha) tem sido tema de grande interesse em virtude do seu potencial terapêutico medicinal, especialmente para doenças neurológicas e, dentre estas, a esclerose múltipla (EM). O uso do canabidiol (principal componente não psicoativo da planta) foi liberado para prescrição médica, tendo a Anvisa permitido a importação para vários casos, exigindo-se, para tanto, prescrição e laudo médicos e ainda termo de responsabilidade específico”.

Ele prossegue: “Como mencionado nas recomendações feitas pela Academia Brasileira de Neurologia, alguns cuidados devem ser tomados quanto à indicação de canabinoides na forma oral na esclerose múltipla, pois seus efeitos adversos podem ser agravados em função das características da própria EM. Sintomas como comprometimento cognitivo, fadiga e alterações de humor devem ser avaliados antes da indicação destas substâncias na EM, pois podem eventualmente até piorar com o uso dos canabinoides. Importante salientar que existem produtos à base de canabinoides com diferentes composições e apresentações no mercado e, até o momento, apenas um deles foi testado na esclerose múltipla, com o nome de Sativex. Na dor neuropática ou central, os estudos foram realizados em períodos curtos, com eficácia variável”.

O especialista afirma ainda que “a utilização da maconha na forma inalada, por indivíduos saudáveis, está associado a efeitos deletérios, como pior desempenho cognitivo, seja de forma aguda ou crônica, afetando diferentes aspectos da memória, atenção e tomada de decisões. Tais alterações podem persistir por horas, dias, semanas ou mais, após o último uso. Desta forma, o que se discute é o uso de doses terapêuticas de seus principais componentes, ou seja, o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), ou, ainda, de derivados canabinoides sintéticos, produzidos industrialmente”.

Leia mais:

“Com esclerose múltipla, me deram cinco anos de vida. Maconha me salvou”

#PraCegoVer: em destaque, fotografia de um frasco de cor âmbar-escuro e tampa preta, à frente de três folhas de maconha verdinhas, e um fundo branco. Foto: Kimzy Nanney | Unsplash.

Deixe seu comentário
Assine a nossa newsletter e receba as melhores matérias diretamente no seu email!