Henrique Fogaça: o jurado do MasterChef que diz sim para a cannabis

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O chef, empresário, apresentador de TV e cantor de hardcore tem planos de um instituto de cannabis medicinal com o nome de sua filha Olívia, que faz uso de canabidiol, e olha as possibilidades entre gastronomia e maconha. Saiba mais sobre Henrique Fogaça em sua entrevista ao Industria Cannabis

Henrique Fogaça é um chefe de cozinha brasileiro, com seu trabalho reconhecido em nível nacional por ser um dos jurados do programa de TV MasterChef Brasil desde a sua primeira edição em 2014. Seus empreendimentos são restaurantes de referência como o Sal Gastronomia com duas unidades na cidade de São Paulo e uma na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, controla as cozinhas do restaurante Sal Grosso (Rio) e Cão Véio e Jamile, está à frente da marca de roupa Podepa e é cantor e compositor do grupo de hardcore Oitão.

Com todas essas vertentes, Fogaça ainda pensa em novas iniciativas. Uma delas é o instituto que levará o nome de sua filha Olívia, que há quase dois anos faz uso de um óleo rico em canabidiol (CBD). Essa foi a porta de entrada para um novo olhar sobre a maconha, que é carregada de preconceitos morais e sociais no Brasil. O chef, conhecido pela personalidade com pontos de vista controversos e polêmicos, é tido como um grande empresário e inspiração para jovens chefs que começam sua carreira. O editor do portal argentino Industria Cannabis, Gabriel Murga, falou com exclusividade com o chef Henrique Fogaça sobre sua visão da cannabis que ele chama de “planta sagrada”.

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Industria Cannabis: Em que momento da sua vida você teve o primeiro contato com os movimentos relacionados à cannabis e com a planta?

Henrique Fogaça: Tive contato com a medicina canábica há um ano e pouco mais ou menos, devido à doença da minha filha Olívia. Ainda não tive contato direto com a planta. Há algum tempo ganhei algumas folhas de pessoas que já têm permissão para o cultivo aqui no Brasil e me deram para fazer alguns testes gastronômicos.

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Como você vê a proibição do cultivo de uma planta com valores reconhecidos na área medicinal e cada vez mais próxima da Gastronomia?

Fogaça: A proibição é questão de tempo. Porque a gente vê que a eficácia do medicamento é um fato. Minha filha melhorou muito com a medicação (à base de CBD). Mas ainda existem muitos obstáculos com a indústria farmacêutica, com a politicagem etc. Acredito que abrindo essa parte medicinal podemos desenvolver ainda mais essa parte da gastronomia. Será muito importante para o nosso Brasil.

Em países como EUA, Uruguai e Canadá os alimentos com canabinoides estão se tornando cada vez mais comuns. Na Argentina, recentemente foi autorizado o cultivo para fins medicinais e está pendente um projeto que propõe uma regulamentação para uso adulto. Em que momento você pensa nesse avanço no Brasil que talvez envolva maconha e alimentos?

O Brasil é o único país da América do Sul que não conseguiu regulamentar ou descriminalizar a maconha. Mas acho que é questão de tempo. O Brasil olhando para o mundo e vendo as melhorias tanto na medicina quanto na alimentação, acho que vai facilitar. Agora estou criando o instituto da minha filha, o instituto Olívia, relacionado à cannabis. Com a criação do instituto, poderemos ter mais abertura para colocar na agenda essa parte gastronômica e medicinal, que já está mais avançada. Em relação ao consumo adulto ou recreativo, é importante, mas vivemos em um país que tem muita desigualdade, muito tráfico, muitos criminosos, gangues e as drogas estão atrás. Infelizmente, a planta sagrada, que é a cannabis, é caracterizada por essa parte marginalizada. Mas acho que é questão de tempo, alguns anos, e podemos reverter e mudar essa situação em nosso país.

Há algum tempo um post seu no Instagram de uma receita de omelete com folha de cannabis gerou ampla repercussão na imprensa brasileira, algumas positivas, outras menos. O que você acha de tudo isso?

Gerou polêmica, muita gente apoiou, mas hoje a internet é terra de ninguém. Portanto, há muitas pessoas que criticam, que julgam, que têm sua opinião. Então, faz parte dessa diferença de pensamento, mas acho que fazendo algo muito profissional e mostrando que não há perigo iminente para as pessoas, apenas um benefício, essas pessoas vão começar a ter um novo olhar para a cannabis.

O que você acha de fazer negócios que unam Gastronomia e Cannabis? E você já pensou em usar infusões ou sementes, ou mesmo óleo de cannabis, em alguma das suas receitas?

Sim. Estou montando e vou trabalhar com a parte medicinal, já que minha filha é um exemplo. Ela está usando e melhorou muito. E vou começar automaticamente com essa parte gastronômica. Ainda não pensei nesses detalhes porque ainda é proibido, então não posso levantar ainda mais essa bandeira. Mas legalizando tudo, com certeza vou fazer as infusões, vou fazer um óleo de cannabis, enfim, tudo tem seu tempo.

Você acha que a gastronomia canábica pode ganhar força e visibilidade no Brasil?

Sim, com certeza, quanto mais colocarmos esse assunto em pauta, mais as pessoas vão entender e abrir o escopo e o entendimento pelo qual a planta sagrada é a cannabis.

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#PraCegoVer: fotografia de Henrique Fogaça, onde o chef aparece em primeiro plano com os braços cruzados e usando roupa e boina pretas, logo à frente de um painel com imagem de ossadas.

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Sobre Smoke Buddies

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