O hábito de fumar pode não ser mais o mesmo depois da pandemia

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A aposta em novos produtos por parte da indústria do tabaco, somado a um pender da balança para o lado da cannabis, pode significar uma mudança de paradigmas. As informações são da GQ

É possível que o cigarro seja um fator importante para o custo humano da pandemia: a Organização Mundial da Saúde aponta que, ao redor do mundo, 1,3 bilhão de pessoas têm o hábito de fumar — 80% delas, por sinal, moram em regiões de renda média e baixa. Países cujas condições econômicas e sanitárias são desafios no combate à doença encontram ainda outro dilema: especialistas apontam que o cigarro também esteja ligado a um aumento na probabilidade de contágio.

O tabagismo ajuda na diminuição da imunidade e se relaciona a uma série de problemas do pulmão, como câncer, bronquite crônica, asma e infecções. “Fumantes que já apresentam doenças pulmonares, capacidade respiratória reduzida e doenças cardíacas são mais susceptíveis a ocorrência da Covid-19”, lembra o hospital HCor em nota.

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Mas há também outro problema óbvio: fumar envolve levar as mãos (ou mesmo o cigarro contaminado) ao rosto. E assim como o hábito de tocar a face, é de se imaginar que largar o fumo durante a pandemia não seja tarefa fácil: as ansiedades do momento, assim como o stress por vezes estranho do distanciamento social, são fatores complicados. Segundo pesquisa realizada por Unicamp e Fiocruz em São Paulo, 39% dos entrevistados diz se sentir triste ou deprimido, e 50,9% ansiosos ou nervosos, frequentemente. No total, 15,7% são fumantes e 28% deles aumentaram o número de cigarros fumados por dia.

A proximidade mais direta com a covid-19 pode alterar esse quadro. A ONG americana Foundation for a Smoke-Free World procurou recentemente fumantes que tivessem testemunhado um caso da doença em casa. 83% deles relataram terem largado o cigarro em grande parte por ter convivido com o coronavírus.

Entre preocupações e dificuldades, empresas do setor já movem suas peças. Na esteira da consolidação do vape, ou cigarro eletrônico, a aposta é agora em novos produtos. Gigantes tabagistas como a Altria Group Inc. (fabricante do Marlboro) e a Reynolds American Inc. (do Camel) buscam aprovação da agência norte-americana de vigilância sanitária (FDA) para o lançamento de seus snus, tabacos úmidos em sachê cujo uso não envolve calor ou aspiração.

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O ânimo veio depois que a FDA cedeu aos snus da fabricante Swedish Match AB o status de alternativa mais saudável ao cigarro comum. Segundo comunicado da agência no início do mês passado, o produto oferece riscos menores de câncer de boca, doenças cardíacas, câncer pulmonar, derrame, enfisema e bronquite crônica. A Altria Group, inclusive, espera lançar no mercado uma opção de snus livres de tabaco (apenas com a nicotina extraída da folha), resultado de uma parceria já de dois anos com o laboratório Lexaria, especializado em métodos de administração de medicamentos. O investimento não vem à toa: em 2020, o comércio de tabaco úmido deve mover $ 12,7 bilhões, um aumento de 4,8% em um comparativo com 2019, de acordo com a firma de pesquisa Euromonitor International.

Enquanto os produtos — e um consenso científico sobre o tema no contexto de pandemia — não chegam, alguns usuários têm optado por sua própria alternativa: a cannabis. A planta é encarada por adeptos como uma resposta à ansiedade e insônia, problemas comuns da quarentena, e há quem acredite que sua adoção nos últimos meses possa abrir a porta para novas conquistas no campo da legalização.

Segundo aponta a Bloomberg, as ações do conjunto de empresas envolvidas no negócio da cannabis sofreu um boom com o começo do distanciamento social nos EUA, chegando a uma alta de 66% em maio. Por lá, há quem aponte que a planta se torne tema federal (seu uso recreativo é legal apenas em alguns estados), e ofereça outra fonte de impostos para auxiliar na retomada da economia. “Isso aqui é a Proibição 2.0”, sugere ao jornal Ben Kovler, diretor executivo da Green Thumb Industries Inc., fazendo referência à taxação do álcool após a Grande Depressão nos EUA, que à época ajudou a financiar o New Deal. “É um momento de incertezas e stress em alta do lado dos consumidores, e problemas econômicos do lado do governo”.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia que mostra a mão de uma pessoa segurando um baseado por sua base, na vertical, e rochas de praia e água do mar ao fundo, desfocado. Foto: Panos Sakalakis | Pexels.

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