Com panfletos e faixas, grupo divulga potencial medicinal da cannabis em Campo Grande

caminhada campo grande Com panfletos e faixas, grupo divulga potencial medicinal da cannabis em Campo Grande

No sábado (23), pais e profissionais fizeram a 1ª Caminhada pela Aprovação da Cannabis Medicinal em Campo Grande (MS). Na ocasião, foram coletadas assinaturas para colocar em regime de urgência o PL 5158/2019, em trâmite no Congresso, que trata da disponibilização de medicação à base de maconha. Com informações do Correio do Estado

Os resultados medicinais obtidos com o uso da cannabis sativa motivou famílias, profissionais e defensores do uso medicinal da planta a acordarem cedo no sábado (23) para promover a 1ª Caminhada pela Aprovação da Cannabis Medicinal em Campo Grande. Com panfletos, faixas e conversas, o grupo de cerca de 20 pessoas, reunido na praça do Rádio Clube, pretendia conscientizar quem passava pelo local, além de combater através de conversa o preconceito e desconhecimento sobre o tema.

Mãe dos gêmeos Thiago e Matheus, de 12 anos, diagnosticados com nível severo de autismo, Carolina Spínola, 41 anos, recorreu ao uso do medicamento que é administrado há cerca de seis anos. A jornalista e pedagoga, especialista em comportamento associado ao autismo e outras deficiências intelectuais, afirma que melhoras significativas foram perceptíveis com o tratamento associado à outras terapias.

Com uso medicinal liberado em diversos países do mundo, o tratamento à base da planta é recomendado para diversas condições patológicas, como alzheimer, AIDS, depressão, fibromialgia, osteoporose, entre outras. “Queremos trazer para a sociedade mais conhecimento e menos preconceito sobre o tema. São informações que podem salvar vidas. E mais do que isso, queremos com esta ação contribuir para a regulamentação da cannabis medicinal no Brasil”, afirma.

Segundo Carolina, a medicação mensal precisa ser importada e tem o custo médio mensal de R$ 8 mil. “Falta informação, faltam estudos e pesquisas sobre o assunto no Brasil. As pessoas associam às drogas e famílias que precisam da medicação não recebem apoio, muitos não têm acesso”, explica. Com o intuito de auxiliar quem necessita do tratamento, Carolina, profissionais e interessados na causa fundaram a Associação de Pais e Responsáveis Organizados pelos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (Pro D Tea).

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Além de representantes da Pro D Tea, o evento contou com a participação de membros da Sociedade Brasileira de Estudos sobre a Cannabis (SBEC) – Núcleo Verde Campo Grande, e do Grupo Florescer – Pacientes de Cannabis e Saúde. O grupo também trabalha na divulgação e coleta de assinaturas para colocar em regime de urgência o Projeto de Lei 5158/2019, em tramitação no Congresso Nacional, que trata sobre a disponibilização da medicação derivada da cannabis.

A empresária Jessica Camargo, de 29 anos, utiliza o óleo extraído da flor da cannabis para aliviar os sintomas da paralisia facial que sofreu, além de episódios de ansiedade. “Houve uma redução de danos com o uso. Desde que comecei a utilizar a diferença que sinto na minha saúde é gritante. A nossa luta aqui é também contra o tabu, as pessoas não sabem os benefícios medicinais que podem obter com a cannabis”, relata.

Com o tratamento, Jessica se interessou pelo assunto e começou a estudar o processo de preparo do óleo. “Comecei a buscar conhecimento, formas de utilizar a planta como medicina. Fiz cursos em São Paulo e no Uruguai, aprendi a fazer todo o processo de extração para consumo próprio”. A empresária faz parte do grupo Florescer, formado por pacientes da cannabis, um núcleo responsável pelo cultivo, extração e controle de qualidade da planta destinadas para os membros.

Outro membro do Pro D Tea presente na mobilização era o farmacêutico e bioquímico Leopoldo Ceni, de 40 anos. “Tenho convívio com crianças e adultos que utilizam o medicamento. Não é uma cura, mas é alívio para dores inflamatórias, ansiedade, dores no corpo. A gente veio tentar desmistificar conceitos contra a cannabis, viemos tentar informar as pessoas sobre a terapia”. O bioquímico reforça a necessidade de conscientização para que o projeto de legalização seja colocado em pauta. “O apoio da população é muito importante, sem apoio não conseguimos cobrar uma posição do poder público. Precisamos de apoio para legalizar, para assinar a petição, para cobrar mais pesquisas na área”, conclui.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) em primeiro plano de Jessica Camargo, vestida com uma camiseta branca com desenhos da folha de maconha em verde, segurando uma folha branca com o logo do evento e, abaixo, o texto “Mães que semeiam luta, cultivam cuidado e colhem amor / Sentir dor não é recreativo”; ao fundo, pode-se ver outra participante da caminhada, em uma praça arborizada. Foto: Correio do Estado.

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